Flea conta quais são os cinco baixistas que mais influenciaram sua carreira
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de abril de 2026
Poucos baixistas na história do rock alcançaram o grau de reconhecimento que Flea conquistou ao longo de mais de 40 anos à frente do Red Hot Chili Peppers. Seu estilo - uma fusão singular de slap funk, agressividade punk e sensibilidade melódica - é tão identificável que dispensa apresentações.
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Mas por trás dessa sonoridade existe uma rede de influências que o próprio músico faz questão de mapear com generosidade e precisão. Em entrevista ao canal de Rick Beato, Flea revelou os cinco baixistas que mais marcaram sua formação, explicando em detalhes o que absorveu de cada um deles.
Jaco Pastorius e o impacto que redefiniu o baixo elétrico
O primeiro nome citado por Flea foi o de Jaco Pastorius, lenda do baixo elétrico que revolucionou o instrumento nos anos 1970 com o Weather Report e em carreira solo. A escolha não surpreende - Jaco é uma referência quase universal entre baixistas -, mas a maneira como Flea se refere a ele revela uma admiração que vai além do técnico.
Para o músico do RHCP, Jaco representou a descoberta de que o baixo poderia ser um instrumento protagonista, capaz de ocupar o centro da composição musical sem pedir licença a ninguém. Flea contou que, ainda jovem, ia assistir ao Weather Report ao vivo em Los Angeles, e que aquela experiência foi determinante.
James Jamerson e Jah Wobble
O segundo nome da lista foi James Jamerson, o lendário baixista da Motown que gravou boa parte dos maiores sucessos do selo nos anos 1960 - de Marvin Gaye a Stevie Wonder, de The Temptations a The Supremes. Flea descreveu a genialidade de Jamerson com uma reverência especial.
"A arte de conseguir tocar uma linha de baixo que serve a uma canção pop - e ele está solando o tempo inteiro. Improvisando, tocando o tempo inteiro, e aquilo nunca chama atenção para si mesmo. É só um rio de amor", disse o baixista. A capacidade de ser brilhante sem jamais se sobrepor à música é, para Flea, uma lição que ele carrega até hoje.
O terceiro nome surpreende quem associa Flea apenas ao funk e ao rock: Jah Wobble, baixista do Public Image Ltd, a banda que John Lydon formou após o fim dos Sex Pistols. Flea destacou especificamente o álbum "Metal Box" e as linhas de baixo carregadas de influência reggae que Wobble imprimia naquele contexto pós-punk. "Essas linhas de baixo grandes, meio reggae, sabe?", descreveu. A admiração por Wobble revela uma faceta menos óbvia da formação de Flea: o interesse por texturas graves, repetitivas e hipnóticas, que funcionam quase como mantras rítmicos.
Pino Palladino e a conexão com D'Angelo
O quarto nome foi Pino Palladino, baixista italiano radicado na Inglaterra, célebre por seu trabalho com artistas como The Who, John Mayer e, sobretudo, D'Angelo. Flea fez questão de conectar sua admiração por Palladino ao impacto do álbum "Voodoo", de D'Angelo, gravado com Palladino e Questlove. "Aquele disco Voodoo, com ele e o Questlove - é a coisa mais funky da nossa geração. Sabe o que eu quero dizer?", afirmou o baixista com entusiasmo. A menção ganhou um tom de lamento quando Flea se referiu à morte recente de D'Angelo, que classificou como "devastadora".
Os critérios de Flea para escolher seus baixistas favoritos
Flea admitiu que reduzir suas influências a cinco nomes é quase injusto. "É muito difícil para mim reduzir a cinco, porque são tantos, e todos diferentes", disse. O que une os baixistas citados, no entanto, é uma característica comum: todos conseguem fazer o instrumento falar com personalidade própria sem sacrificar o serviço à música. Junto aos cinco nomes principais, Flea mencionou ainda Aluston Barrett, referência do reggae, demonstrando que sua paleta de influências ignora fronteiras de gênero. Para ele, o baixo não tem estilo - tem verdade.
Confira a entrevista completa abaixo.
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