A banda que era boa e virou careta, repetitiva e burocrática, segundo Sérgio Martins
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de maio de 2026
Para Sergio Martins, o Red Hot Chili Peppers perdeu justamente aquilo que o tornava especial. Ao revisitar a trajetória da banda a partir do documentário The Rise of Red Hot Chili Peppers: Our Brother Hillel, o jornalista diz que o grupo se afastou da anarquia, da irreverência e da liberdade musical que marcaram sua fase inicial e, com o passar dos anos, se transformou numa banda "careta", "repetitiva" e "burocrática".
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Martins lembra que conheceu o Red Hot em 1986 e se tornou um "grande devoto" do grupo por causa da mistura improvável de punk, funk, rock e da guitarra de inspiração hendrixiana. Para ele, a principal virtude da banda era a sensação de que tudo parecia possível dentro de sua música. Esse encantamento, porém, começou a se desfazer quando viu o grupo ao vivo em 1993, no Hollywood Rock. Ali, segundo ele, já estava claro que "tudo que eu mais adorava neles" havia se perdido.
O problema do Red Hot atual
Na visão do jornalista, o ponto de virada está diretamente ligado à ausência de Hillel Slovak, guitarrista morto em 1988 e tratado por ele como figura decisiva na formação da identidade do Red Hot Chili Peppers. Segundo Martins, foi Slovak quem reuniu os integrantes, ajudou a moldar a linguagem do grupo e deu base à combinação de funk, punk e invenção que marcou os primeiros discos.
Ele destaca especialmente três álbuns dessa fase: "Freaky Styley", "The Uplift Mofo Party Plan" e "Mother's Milk". Para o jornalista, é nesse período que está o Red Hot Chili Peppers pelo qual ele se apaixonou. Embora reconheça a importância comercial de "Blood Sugar Sex Magik", ele sugere que ali a banda já começava a se afastar da espontaneidade original e a entrar num caminho de consolidação mais previsível.
A crítica de Sergio Martins se torna mais dura ao falar do grupo atual. Em seu resumo, o Red Hot de hoje se tornou "tudo o que eu mais odeio no rock e tudo contra a qual eles lutaram sempre". Em seguida, detalha o diagnóstico: "Virou uma banda careta. Virou uma banda que se leva a sério demais, que virou uma banda que se acha demais, que virou uma banda repetitiva, que virou uma banda burocrática".
Para ele, essa decadência fica evidente nos discos mais recentes. Martins afirma que, "principalmente nos últimos cinco, seis discos", o grupo passou a soar como um "arremedo de banda", preso à reciclagem de fórmulas e à própria autoimagem. O problema, em sua leitura, não é apenas musical, mas também de postura: o Red Hot teria trocado risco por conforto e personalidade por repetição.
Ao elogiar o documentário sobre Hillel Slovak, o jornalista indica também o que enxerga como essência perdida. Para ele, o filme recupera um tempo em que o rock era mais solto, engraçado e descompromissado, e mostra como a amizade e a criatividade entre aqueles músicos foram centrais para o surgimento da banda. É esse espírito, segundo Martins, que desapareceu no Red Hot Chili Peppers de hoje.
No fim, a tese do jornalista é clara: a banda não ficou ruim apenas porque mudou de som, mas porque abandonou a atitude que a distinguia. O grupo que antes representava invenção, risco e irreverência teria se tornado, em sua avaliação, um nome acomodado, preso à própria fórmula e distante de tudo o que um dia fez dele uma referência.
Confira o vídeo abaixo.
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