Quando Peter Green saiu do Fleetwood Mac e doou quase todo o seu dinheiro
Por João Renato Alves
Postado em 16 de abril de 2026
Peter Green foi o líder da primeira fase do Fleetwood Mac, quando a sonoridade era mais voltada ao blues. Após sua saída, a banda escalou para um sucesso de proporções mundiais. No entanto, o guitarrista nunca se arrependeu da decisão. Em matéria resgatada pela Classic Rock, o próprio explicou o caminho que optou por seguir na vida sem remorsos.
Fleetwood Mac - Mais Novidades
Em 23 de outubro de 1969, o Fleetwood Mac apareceu no programa musical de maior audiência da BBC, Top of the Pops, ao lado de The Hollies, The Tremeloes e do cantor e compositor Peter Sarstedt, para dublar seu mais recente single, "Oh Well", que havia alcançado o 8º lugar nas paradas do Reino Unido.
Quando a banda foi apresentada pelo apresentador pedófilo Jimmy Savile, era difícil não notar que o vocalista e guitarrista Peter Green – barbudo e vestido com uma túnica branca e sandálias – parecia mais um profeta do Antigo Testamento do que a estrela pop que era.
Na verdade, sem que os milhões de telespectadores soubessem, e até mesmo os próprios integrantes da banda, o guitarrista e cantor nascido no leste de Londres já tinha sérias dúvidas se era realmente a vontade de Deus que ele buscasse fama e fortuna com o grupo em ascensão que havia formado dois anos antes com seu ex-colega dos Bluesbreakers, Mick Fleetwood.
Quatro semanas depois, em 21 de novembro de 1969, o Fleetwood Mac iniciou sua segunda turnê completa pelos Estados Unidos naquele ano, no clube Fillmore East, em Nova York. Antes do encerramento da turnê na mundialmente famosa arena Madison Square Garden, em 13 de fevereiro do ano seguinte, Green teve uma epifania: se essa seria sua vida dali em diante, ele poderia dedicá-la a ajudar os outros, doando seu dinheiro aos pobres.
"Estou satisfeito com o que tenho", disse ele ao jornalista Nick Logan, do NME, ao retornar à Inglaterra. "E há tanta gente que não tem absolutamente nada, que sinto que o mínimo que posso fazer é doar o que me sobra. Não que eu tenha milhões e milhões, mas vou receber uma quantia considerável em comparação com o que o homem médio ganha. Ainda não recebi nada dos meus direitos autorais de composição e tenho tudo isso para doar.
Além disso, tem a minha parte do adiantamento da Reprise Records, 18 mil libras. É dinheiro para doar. Tenho essas ideias há muito tempo; agora vou colocá-las em prática. Não pode haver fome. Só porque alguém nasceu do outro lado do mundo não significa que deva passar fome. O mínimo que posso fazer é doar o dinheiro que não preciso. Quem pensa que dinheiro vai trazer felicidade está muito enganado... e quem duvida disso pode ir se f*der!"
Green esperava que seus companheiros de banda compartilhassem suas ideias filantrópicas e de caridade. Mas não compartilharam. Na verdade, começaram a temer que seu líder estivesse perdendo a cabeça. Esse sentimento só se intensificou após um incidente em março de 1970, quando o vinho de Green foi adulterado com LSD durante uma visita a uma comuna em Munique, e ele precisou ser resgatado por Mick Fleetwood.
O baterista e o baixista John McVie afirmariam mais tarde que aquela foi a noite em que Green perdeu o contato com a realidade: foi também a noite em que o guitarrista revelou que queria deixar o grupo.
"É hora de mudar", explicou Green na edição de 11 de abril de 1970 do NME. "Estou sempre preocupado com o que é certo aos olhos de Deus e com o que Deus quer que eu faça... isso é o mais importante para mim, isso domina todos os meus pensamentos. Não sinto mais vontade de fazer parte do Fleetwood Mac... Tornou-se um negócio, e eu não quero fazer parte de um negócio. Em outras palavras, sou um fanático religioso."
Quando o escritor Nick Logan sugeriu que essa poderia ser a percepção que seus escritos teriam, Green riu da ideia. "Seria engraçado se pensassem assim", respondeu. "Mas só os empresários pensariam, porque acham que qualquer um que não queira ser rico é um maluco."
No mês seguinte, após um show no Roundhouse em Camden, norte de Londres, em 20 de maio, Green abandonou o Fleetwood Mac definitivamente.
Longe do sucesso, mas reconhecido como um dos grandes em seu instrumento, Peter Green morreu em 25 de julho de 2020, aos 73 anos. Embora a causa oficial nunca tenha sido revelada, é sabido que ele enfrentava uma série de problemas de saúde – físicos e mentais – nas últimas décadas, tendo vivido cada vez mais recluso.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tarja descobre fenômeno de "Então é Natal" no Brasil e reage: "Você me deu um desafio"
O álbum clássico do Metallica que não trazia as melhores músicas da banda e sim as únicas
Os três melhores discos do Black Sabbath, de acordo com a Classic Rock
Resurrection Fest anuncia primeiras 72 atrações para edição 2027
De Black Sabbath a Gojira, 10 músicas que começam com riffs de guitarra inesquecíveis
Cinco shows imperdíveis que rolarão no Bangers Open Air 2027, por Mateus Ribeiro
O hábito que custou o lugar de Clive Burr no Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
O megahit da Legião que a gravadora queria em country: "A gente jogou a toalha"
O membro do Iron Maiden que "não aguenta mais e quer sair", segundo Regis Tadeu
A música do Guns N' Roses que é híbrido entre Steven Adler e Matt Sorum, segundo Frank Ferrer
Empresário achava que Dio não era o vocalista ideal para o Black Sabbath
O único ex-colega do Deep Purple que David Coverdale considera um irmão
A banda de Regis Tadeu que a gravadora "amansou" nos anos 80
Matthew Hopkins, o terror do "Witchfinder General" e o seu legado no Heavy Metal


Fleetwood Mac anuncia seu primeiro documentário oficial, "The Chain"
Os 30 melhores álbuns do blues rock britânico segundo a Classic Rock
Por que os estúdios mais lendários do rock estão desaparecendo?
Astros do metal unem forças em álbum tributo ao Fleetwood Mac
VH1: os 100 melhores álbuns de rock segundo a emissora
Por que Stevie Nicks demitiu Lindsay Buckingham do Fleetwood Mac, segundo a própria


