O guitarrista que entrou no lugar de Eric Clapton e não tremeu; "ele era superior aos outros"
Por Bruce William
Postado em 07 de abril de 2026
A saída de Eric Clapton dos Bluesbreakers poderia ter virado um problemão para John Mayall. Não era pouca coisa substituir o guitarrista do chamado álbum "Beano", disco que ajudou a transformar Clapton em referência para uma geração inteira de ingleses obcecados por blues. Só que Mayall nunca tratou isso como algo sem solução. Para ele, a banda continuava andando, os shows seguiam, e bastava encontrar o próximo nome certo. Foi nesse intervalo que apareceu Peter Green.
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Segundo Mayall em declaração para a Classic Rock, houve cerca de uma semana ou dez dias de testes com diferentes guitarristas. Green, no entanto, não chegou pedindo licença, em uma fala que mostra duas coisas ao mesmo tempo: a confiança nada modesta de Green e a tranquilidade de Mayall para reconhecer que tinha encontrado ali outro músico fora da curva> "Quando Eric saiu, passamos provavelmente uma semana ou dez dias testando guitarristas diferentes. Peter foi quem insistiu bastante e me disse que era melhor do que todo mundo. Quando o ouvi tocar, percebi que ele estava certíssimo."
O resultado dessa troca apareceu em "A Hard Road", lançado em 17 de fevereiro de 1967. O disco confirmou que os Bluesbreakers não eram apenas "a banda onde Clapton tocou", mas um celeiro que continuava produzindo guitarristas grandes mesmo depois da saída de um deles. O álbum trouxe Peter Green na guitarra solo, John McVie no baixo e Aynsley Dunbar na bateria, além de mostrar que Green não estava ali só para ocupar espaço: ele também cantava e compunha.
Mayall sempre trabalhou com uma objetividade quase seca, e isso ajuda a explicar por que a transição foi tão rápida. Em vez de tentar repetir o que tinha feito com Clapton, ele simplesmente montou outra formação e seguiu em frente. As gravações de "A Hard Road" aconteceram em sessões espalhadas entre outubro e novembro de 1966, no Decca Studios, em Londres, com produção de Mike Vernon. Era um jeito direto de fazer disco: entrar, tocar e registrar a energia antes que ela esfriasse.
Olhando hoje, sabemos que essa mudança acabou abrindo outra frente importante na história do rock britânico. A passagem de Green pelos Bluesbreakers ajudou a pavimentar o caminho para o Fleetwood Mac original, já que ele, McVie e, pouco depois, Mick Fleetwood acabariam formando a nova banda. Ou seja, a vaga deixada por Clapton não gerou apenas um substituto forte. Gerou também uma ramificação inteira da árvore.
Mayall ainda diria depois que isso parecia a história da vida dele: montar uma banda e, em seguida, ver surgirem desdobramentos. Faz sentido. Antes, um núcleo dos Bluesbreakers tinha ajudado a dar origem ao Cream. Depois, outro pedaço desembocaria no Fleetwood Mac. No meio disso tudo, Peter Green entrou com a marra de quem dizia ser melhor do que todos os outros e saiu como alguém que, de fato, bateu no peito, falou alto e entregou.
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