O Black Sabbath estava seguindo a onda do Fleetwood Mac, mas percebeu que o caminho era outro
Por Bruce William
Postado em 22 de março de 2026
Quando se pensa em Black Sabbath, a imagem que vem à cabeça é a de uma banda que já nasceu pronta para soar ameaçadora, sombria e pesada. Só que a história não foi bem assim. Antes de encontrar aquela identidade que mudaria o rumo do hard rock e do metal, o grupo ainda estava metido num universo bem mais ligado ao blues inglês do fim dos anos 1960, tentando entender que tipo de som queria fazer.
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É aí que entra uma lembrança curiosa do próprio Ozzy Osbourne. Em depoimento publicado pela Rolling Stone, ele disse que, no começo, o grupo "meio que se modelava" na vibe do Fleetwood Mac original. Não se trata, claro, da fase milionária de "Rumours", mas daquela encarnação liderada por Peter Green, quando a banda tinha os pés fincados no blues britânico. Na mesma fala, Ozzy lembrava que eles começaram tocando blues de 12 compassos, terreno confortável para um vocalista e bastante comum para bandas inglesas daquele período.
"Começamos como uma banda de seis integrantes. Tínhamos um saxofonista, um guitarrista de slide... meio que nos modelamos na vibe do Fleetwood Mac original. Havia uma grande onda de blues na Inglaterra, e começamos tocando blues de doze compassos, o que era fácil de fazer como cantor", disse.
A observação faz sentido quando se olha para os primeiros passos da turma. Antes de virar o quarteto que entrou para a história, a formação ainda ensaiava como um grupo maior, com saxofonista e guitarrista de slide. Tony Iommi relembrou anos depois para a Loudwire que aquela fase chegou a render uma banda de seis integrantes, mas a coisa parecia não andar muito bem. Era uma tentativa ainda presa a um modelo bluesy mais tradicional, bem distante da máquina de riffs pesados que apareceria depois.
Só que, em algum momento, o grupo percebeu que aquele caminho não bastava. A sonoridade começou a entortar para outro lado, com riffs mais ameaçadores, climas mais escuros e letras que refletiam menos o romantismo do blues e mais a dureza da vida em Birmingham. A famosa história de ensaiar perto de um cinema que exibia filmes de terror virou parte do mito da banda justamente porque ajuda a explicar essa virada: eles notaram que dava para assustar o público também com música.
É por isso que essa lembrança do Fleetwood Mac vale mais como retrato do embrião do Sabbath do que da banda já formada em sua versão definitiva. O grupo passou por aquele ponto de partida, absorveu o que havia ali e depois largou a estrada principal para abrir outra trilha. Ainda bem. Se tivessem ficado só no blues certinho, talvez o mundo nunca tivesse ouvido o peso de "Black Sabbath", "War Pigs" ou "Electric Funeral". E aí a história do rock teria ficado bem menos divertida.
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