Os dois álbuns do Metallica que Andreas Kisser não curte: "Ouvi apenas uma vez na vida"
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de abril de 2026
Andreas Kisser fez uma distinção curiosa ao falar de dois dos trabalhos mais controversos do Metallica. Em entrevista ao Flow, o guitarrista do Sepultura deixou claro que não gosta de "St. Anger", mas tratou o disco como parte de um momento artístico e psicológico importante da banda. Já sobre "Lulu", a reação foi outra: ele disse que só conseguiu ouvir o álbum completo uma única vez na vida.
Metallica - Mais Novidades
A conversa começou com uma pergunta direta sobre "St. Anger", lançado em 2003 e até hoje um dos discos mais divisivos da carreira do Metallica. Andreas não tentou suavizar a resposta. "Eu não gosto, mano", afirmou.
Na sequência, ele explicou o incômodo principal. "Eu acho muito aquela bateria... é uma coisa meio forçada", disse, em referência ao timbre de caixa que virou uma das marcas mais criticadas do álbum.
Mesmo assim, Andreas fez questão de não reduzir a discussão a gosto pessoal. Para ele, há dois discos do Metallica que precisam ser entendidos também como gesto artístico, mesmo quando soam difíceis ou desconfortáveis para o ouvinte. "Tem dois discos do Metallica que eu acho que são tipo uma atitude meio Picasso, meio Andy Warhol", afirmou.
Andreas Kisser e álbuns controversos do Metallica
O primeiro deles é justamente "St. Anger". Andreas disse que o álbum precisa ser visto à luz do momento interno vivido pelo grupo, algo que o documentário "Some Kind of Monster" ajuda a expor em detalhes. Na visão dele, o disco nasceu de uma crise real, não de uma tentativa calculada de agradar o público. "O 'St. Anger' é um desse, porque eles estavam passando um processo psicológico juntos como banda", disse.
A leitura de Andreas passa pela exposição extrema que o Metallica aceitou fazer naquele período. Para ele, a banda mostrou algo raro no rock: a disposição de revelar fragilidade, conflito e desgaste interno sem tentar maquiar a situação. "O Metallica é isso, eles são destemidos, eles sempre estão prontos ao risco e não têm medo de se expor", afirmou.
Em seguida, ele citou elementos que, para muita gente, tornaram aquela fase desconfortável até de assistir. "Você mostrar um processo daquele, o Hetfield ter um psicólogo junto com a banda, os caras gritando na cara um do outro, aí o Hetfield some um ano, vai para o rehab..."
Para Andreas, esse tipo de registro mostra o tamanho da pressão envolvida em manter uma banda daquele porte viva ao longo dos anos. "É um processo muito intenso, muito difícil ter banda e viver desse jeito", afirmou. E completou: "Você tem que realmente amar o que você faz".
Ele também elogiou o fato de o Metallica não ter tentado esconder a crise por cálculo de imagem. "Não têm medo de esconder esse tipo de coisa por um processo meio de marketing", disse. "Eles são aquilo".
Mas foi quando o assunto chegou a "Lulu", álbum lançado em 2011 em parceria com Lou Reed, que Andreas revelou sua experiência mais extrema como ouvinte. Diferentemente de "St. Anger", que ele critica mas procura contextualizar, "Lulu" apareceu como um trabalho quase intransponível. "Eu consegui ouvir aquele disco uma vez inteiro, uma vez na vida", confessou.
A razão, segundo ele, é simples: "Porque ele é dificílimo". Andreas então resumiu o conceito do álbum de maneira bastante direta. "É um disco que o Metallica musicou e fez uma cama musical para poesias declamadas pelo próprio Lou Reed", explicou.
Ainda que reconheça a dificuldade da audição, ele não tratou "Lulu" como fracasso. Ao contrário: enxergou o projeto como um gesto artístico radical e corajoso. "É um statement artístico espetacular", afirmou.
Para explicar esse ponto, Andreas recorreu a uma comparação com a arte de vanguarda. Citou John Cage e a famosa peça silenciosa "4'33" para ilustrar como certas obras não existem para confortar ou agradar de forma imediata, mas para tensionar a ideia do que pode ou não ser arte. "É tipo o John Cage chegar lá e fazer uma peça em silêncio por 4 minutos e 33 e não tocar nada", disse. A partir daí, ele transformou a própria estranheza em elogio ao espírito da obra. "Eu amo isso, cara. Por que não?", afirmou.
Confira a entrevista abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rockstadt Extreme Fest anuncia 81 bandas para maratona de 5 dias de shows
Copa do Mundo do Rock: uma banda de cada país classificado, dos EUA ao Uzbequistão
A música pela qual Brian May gostaria que o Queen fosse lembrado
A música do Genesis que a banda, constrangida, talvez preferisse apagar da história
O cantor que Robert Plant elogiou: "Sabem quem acho que tem a melhor voz que já ouvi?"
A melhor música que Bruce Dickinson escreveu para o Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
A melhor capa de disco, segundo Derrick Green, vocalista do Sepultura
11 supergrupos prog de qualidade que muita gente certamente nunca ouviu falar
Edu Falaschi comenta mudanças em sua voz: "Aquele Edu de 2001 não existe mais"
Edu Falaschi lembra emoção no show do Angra: "Acabou aquilo que sofri pra caralh*!"
Paul Di'Anno tem novo álbum ao vivo anunciado, "Live Before Death"
A banda que Jack Black diz que destruiu o rock por ser grande demais
Ferraris, Jaguars e centenas de guitarras: quando astros do rock transformaram obsessões em estilo
A única banda que uma criança precisa ouvir para aprender rock, segundo Dave Grohl
A melhor capa de disco de todos os tempos, segundo Vinnie Paul
As únicas três músicas do Sepultura que tocaram na rádio, segundo Andreas Kisser
Os 20 melhores discos de heavy metal lançados em 1997, segundo a Louder Sound
De Metallica a Ramones: como "Os Simpsons" virou um dos maiores palcos do rock na cultura pop
Será que é tão difícil assim respeitar o gosto musical alheio?
Solo de guitarra de "One" surgiu "do nada", segundo Kirk Hammett
Por que "Load" foi (e a ainda é) rejeitado por alguns fãs do Metallica?
O motivo pelo qual Kirk Hammett gosta de tocar o solo de "Fade to Black" nos shows do Metallica
As 5 músicas pesadas preferidas de Mille Petrozza, frontman do Kreator
O disco do Metallica que transformou Lars Ulrich em inimigo eterno
A atual opinião de Jason Newsted sobre o baixo de "...And Justice for All'?" do Metallica
Jason Newsted diz que os outros caras do Metallica eram "milionários mimados"
James Hetfield afirma que é "quase impossível" manter o ritmo do passado


