A cartada de mestre do Treat em "The Wild Card"
Por André Luiz Paiz
Postado em 11 de abril de 2026
O Treat é uma daquelas instituições do Hard Rock sueco que parece imune ao desgaste do tempo. Com o lançamento de "The Wild Card" via Frontiers Music, a banda não apenas entrega seu décimo álbum de estúdio, mas consolida o que pode ser considerado o seu melhor trabalho desde a reformulação do grupo, há duas décadas. O segredo dessa consistência reside na estabilidade: a formação composta por Robert Ernlund, Anders Wikström, Patrick Appelgren, Jamie Borger e Nalley Pahlsson é a mesma desde o retorno, o que resulta em uma química sonora que beira a perfeição.
À primeira vista, a capa mais sombria e sóbria sugere uma incursão por caminhos mais pesados e densos. No entanto, o que encontramos ao dar o play é uma banda que canalizou sua energia de forma inteligente. Em vez de buscar o peso bruto, o Treat apostou na maturidade das composições e em melodias extremamente refinadas. É um disco "Hard" sem precisar ser "Heavy", onde a urgência do rock se funde com a sofisticação de arranjos que narram histórias de nostalgia, rebeldia e reflexão.
A abertura com "Out With A Bang" é um soco de energia cinética que captura o ouvinte de imediato, seguida pela nostálgica "1985", que já nasce como um clássico instantâneo da cena melódica. Robert Ernlund continua sendo um dos grandes trunfos da banda; sua voz, perfeitamente adequada ao gênero, entrega resultados excelentes, mostrando que ele ainda possui a fome necessária para liderar hinos de arena. Faixas como "Rodeo" elevam o espírito festivo do álbum, enquanto "Endeavour" flerta com um lado mais AOR e comercial - uma pitada de modernidade que mostra a banda saindo da zona de conforto com elegância.
O equilíbrio do tracklist é notável. Enquanto "Hand On Heart" traz as guitarras de Wikström para a linha de frente, compensando o lado mais melódico das faixas anteriores, composições como "Mad Honey" e a sofisticada "In The Blink Of An Eye" revelam uma banda inventiva e emocionalmente densa. Mesmo nas baladas, como a dramática "Heaven's Waiting" e a majestosa "Your Majesty", o grupo evita o óbvio, mantendo refrãos pegajosos que são a marca registrada da escola sueca. Para encerrar, "One Minute To Breathe" entrega um desfecho direto e vigoroso, selando um disco sem pontos baixos.
"The Wild Card" é o testemunho de uma banda que não se tornou complacente. É um álbum vibrante, skillfully produzido e repleto de "hooks" que convidam ao air guitar. Em um ano repleto de grandes lançamentos, o Treat prova que a experiência, quando aliada à paixão, é a cartada mais forte que um veterano pode ter na manga.
Acima de tudo, é preciso ouvir este trabalho despojado de comparações saudosistas, compreendendo a fase atual da banda e a realidade do mercado atual. Em um cenário saturado por uma infinidade de lançamentos diários, destacar-se exige identidade e coragem para evoluir - e o Treat faz exatamente isso com êxito absoluto em "Wildcard".
Lineup:
Robert Ernlund: Vocais
Anders Wikström: Guitarras e Backing Vocals
Patrick Appelgren: Teclados e Backing Vocals
Jamie Borger: Bateria
Nalley Pahlsson: Baixo e Backing Vocals
Tracklist:
Out With A Bang 4:08
Rodeo 3:54
1985 4:02
Endeavour 4:20
Hand On Heart 4:05
Heaven's Waiting 4:27
Back To The Future 3:37
Mad Honey 3:44
Adam & Evil 3:48
Your Majesty 3:59
Night Brigade 3:32
In The Blink Of An Eye 3:24
One Minute To Breathe 5:14
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