Quando roubaram mais de um milhão em dinheiro do Led Zeppelin que nunca mais foi recuperado
Por Bruce William
Postado em 09 de abril de 2026
O Led Zeppelin já tinha fama de viver em velocidade máxima, mas nem no universo da banda parecia normal perder mais de US$ 200 mil em dinheiro vivo dentro de um hotel de luxo em Nova York. Foi exatamente isso que aconteceu em 29 de julho de 1973, quando o grupo estava hospedado no Drake Hotel para a última de três noites no Madison Square Garden. A temporada era importante não só pelo tamanho da banda naquele momento, mas também porque os shows estavam sendo filmados para o que depois viraria "The Song Remains the Same".
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Quem percebeu o sumiço foi Richard Cole, road manager do Zeppelin. Segundo os relatos da época, resgatados pela Far Out, ele foi checar o cofre por volta de 7h30 da noite e encontrou a caixa vazia, restando apenas cinco passaportes. O valor levado varia um pouco conforme a fonte: o site oficial do grupo fala em cerca de US$ 200 mil, enquanto documentos revelados depois apontam números entre US$ 203,8 mil e US$ 220 mil. Na conversão de hoje, isso equivale a mais de R$ 1 milhão - e isso sem contar a correção monetária acumulada desde 1973.
O que tornou a história ainda mais estranha foi a mecânica do roubo. A polícia informou que não havia sinais de arrombamento. Para acessar a caixa, era preciso usar uma chave que ficava com o hotel e outra que estava com Cole. Em tese, o sistema estava todo controlado. Na prática, o dinheiro simplesmente desapareceu. Isso fez o caso ganhar cara de serviço interno quase desde o começo, e funcionários do hotel, além de gente ligada ao entorno da banda, acabaram entrando no radar da investigação.
A cifra também chamou atenção porque não se tratava de troco de camarim. Segundo a explicação dada à polícia, aquele dinheiro vinha da própria turnê e estava sendo mantido à mão para cobrir despesas. Parece absurdo hoje, mas o rock de arena dos anos 1970 ainda operava muito na base do dinheiro vivo, especialmente num grupo daquele porte, cercado de entourage, deslocamentos e excessos de toda ordem. O curioso é que o valor estava justamente no ponto máximo: nem cedo demais, quando ainda não teria acumulado tanto, nem tarde demais, quando provavelmente já estaria a caminho do banco.
A investigação correu, houve interrogatórios, e a polícia olhou com força para a possibilidade de cumplicidade interna. Richard Cole, por exemplo, ficou sob suspeita inicial, chegou a fazer teste com detector de mentiras e foi descartado como responsável. Também surgiram dúvidas em torno de funcionários do Drake Hotel e de pessoas que sabiam da rotina da banda. Mesmo assim, ninguém foi acusado, o dinheiro nunca reapareceu e o caso foi esfriando com o tempo.
Robert Plant diria depois: "Jimmy e eu simplesmente rimos disso", afirmou o cantor, acrescentando que o roubo de algum modo "fazia sentido". É o tipo de reação que só parece normal dentro do mundo do Led Zeppelin em 1973, quando tudo ao redor da banda já parecia grande demais, estranho demais e meio fora de controle ao mesmo tempo. Mas, por trás da frase, ficou uma história incômoda: alguém soube exatamente quando agir, como agir e, ao que tudo indica, fez isso sem deixar rastro suficiente para a polícia fechar o quebra-cabeça.
Por isso o roubo do Drake Hotel continua lembrado até hoje como um dos episódios mais estranhos da trajetória do grupo. Não foi uma lenda sobre ocultismo, nem um exagero de bastidor criado depois. Foi um crime real, ocorrido no auge da maior banda do mundo, no meio de uma sequência histórica de shows em Nova York. E, como acontece com alguns bons mistérios, o mais intrigante é justamente o que nunca apareceu: o ladrão, o dinheiro e uma explicação definitiva.
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