Quando, bem antes da morte de Bonham, Plant sentiu que o Led não valia mais a pena
Por Bruce William
Postado em 15 de maio de 2026
O Led Zeppelin voltou aos palcos no festival de Knebworth, em agosto de 1979, depois de um período turbulento e de poucas aparições ao vivo. Para o público, era a chance de ver uma das maiores bandas de rock do mundo novamente diante de uma multidão. Para Robert Plant, porém, aquela retomada carregava um peso que não aparecia apenas no repertório ou no tamanho do evento.
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Plant já vinha de anos duros. Em 1977, seu filho Karac morreu enquanto o Led Zeppelin estava em turnê pelos Estados Unidos, episódio que interrompeu a excursão e marcou profundamente o vocalista. Ao mesmo tempo, a banda também enfrentava excessos internos, desgaste físico e uma dinâmica cada vez mais difícil. O Led Zeppelin ainda era capaz de produzir momentos gigantescos, mas chegar até eles parecia exigir um preço cada vez maior.
Em declaração resgatada pela Far Out, Plant olhou para aquele período sem tentar amenizar a dura lembrança. "Para mim, então, não funcionou realmente de 1977 em diante. No entanto, houve momentos em Knebworth que foram espetaculares. Mas o preço que você precisa pagar para chegar a esses momentos, eu não achava mais que valesse a pena. Não era minha ideia de cirurgia construtiva de coração aberto."
A conta emocional e humana já não fechava mais para Plant. Alguns minutos de brilho não compensavam tudo o que cercava a banda naquele momento. E os shows de Knebworth também vinham na esteira de "In Through the Out Door", álbum lançado em 1979 e marcado por uma presença maior de John Paul Jones nos teclados, além de um Led Zeppelin menos centrado apenas na velha combinação de blues pesado, riffs e improvisos longos. A banda ainda tentava se mover, mas a sensação de fim de ciclo já rondava tudo. Pouco mais de um ano depois, John Bonham morreria, em setembro de 1980, e o grupo decidiria encerrar as atividades.
A decisão de não continuar sem Bonham acabou preservando a história do Led Zeppelin de um desgaste que poderia ter sido ainda maior. Havia como substituir tecnicamente um baterista? Talvez. Mas não havia como recriar o tipo de ligação que Bonham tinha com a banda, especialmente com Plant, seu amigo de longa data. A química do Zeppelin dependia de quatro pessoas específicas, e os próprios integrantes pareceram entender isso melhor do que muita gente do lado de fora.
Quando Plant fala que aquilo não funcionava mais para ele desde 1977, não parece uma crítica simples aos shows de Knebworth, mas uma constatação sobre o custo de manter uma máquina daquele tamanho em movimento. O Led Zeppelin ainda podia ser espetacular por alguns momentos, e foi. Mas, para quem estava dentro, talvez esses momentos já viessem cercados de perda, cansaço e sinais de que a estrada havia deixado de ser apenas uma aventura.
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