O que Nirvana e o hip-hop têm a ver com o peso do Lamb of God, segundo Mark Morton
Por Bruce William
Postado em 05 de abril de 2026
Mark Morton falou de um jeito bem franco sobre sua própria relação com a guitarra em entrevista ao MusicRadar. Em vez de posar como virtuose, o músico preferiu outro caminho e resumiu assim sua visão sobre o assunto: "Não sou o melhor guitarrista de ninguém. Não sou o mais rápido, o que mais sabe, o mais shredder. Não sou nada disso. Mas eu toco e soa como eu."
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Morton disse que se vê, acima de tudo, como compositor. A guitarra seria o instrumento por meio do qual ele escreve, e não exatamente uma vitrine para provar habilidade técnica. Ele contou que toca há 40 anos e que, por isso, independentemente de praticar todos os dias ou não, quando pega no instrumento o resultado naturalmente já tem sua assinatura. É uma visão interessante, especialmente num ambiente em que tanta gente ainda mede guitarrista só por velocidade, quantidade de notas ou domínio teórico.
Na entrevista, Morton também abriu um pouco a cozinha do Lamb of God e falou sobre a química rítmica da banda. Para ele, o grupo tem muito mais de punk na filosofia do que muita gente imagina, mas o coração musical passa por outra linhagem: "É groove, e está muito enraizado em ZZ Top e Lynyrd Skynyrd. Sabbath é muito groovado para mim. Todas as minhas bandas pesadas favoritas têm uma presença de groove muito forte. Pantera, claro!" . Em outro momento, ele explicou que o segredo está menos no swing propriamente dito e mais no "pocket", naquela sensação de toque ligeiramente atrasado, com mais ginga e menos pressa.
Esse detalhe ajuda a entender por que o Lamb of God soa tão pesado sem depender apenas de velocidade ou brutalidade direta. Morton falou em "pequenas travadas" implícitas no ritmo, algo que dá às músicas uma espécie de passo arrastado, quase um andar de rua, mesmo dentro de estruturas agressivas. Ele trata isso como parte central da identidade da banda. Não por acaso, reconhece também a importância de quem está atrás do kit: antes Chris Adler, agora Art Cruz. No Lamb of God, o peso nunca foi só parede de guitarra; sempre passou muito por pulsação.
Ao comentar influências de fora do metal, Morton ainda puxou Nirvana e hip-hop para a conversa. Sobre o Nirvana, ele disse que o que mais o atraía não era exatamente o peso, mas a construção das músicas. "O que eu gostava no Nirvana eram mesmo as canções. Acho que muitas delas tinham uma sensibilidade pop. Minhas músicas favoritas do Nirvana são meio que os singles." Ele acrescentou que admirava especialmente "a melodia e a composição", e disse que os pontos mais fortes da banda estavam justamente aí.
Já ao falar de hip-hop, Morton puxou a conversa para o lado rítmico. Segundo ele, o gênero trabalha muitas vezes com a voz ligeiramente atrasada em relação à batida, o que cria uma sensação mais solta, quase falada. "No hip-hop, do ponto de vista da produção, muitas vezes o vocal é empurrado um pouco para trás da batida. E isso, de novo, cria esse pocket." Para ele, essa ideia de tocar ou cantar um pouco "atrás" do tempo passa um efeito psicológico diferente: "Tem algo de legal em estar um pouco atrás e soar um pouco menos nervoso e um pouco mais relaxado." Morton disse ainda que o Lamb of God presta muita atenção "ao padrão, ao ritmo e à cadência do vocal", priorizando o aspecto percussivo da voz, algo que ele também vê no hip-hop.
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