John Lennon comenta sobre autoconhecimento, LSD e religião
Por João Pedro Torres Pieroni
Postado em 01 de abril de 2026
Entre os anos de 1967 e 1968, o escritor e jornalista Hunter Davies acompanhou de perto os Beatles no auge de suas carreiras. Nesse período, ele reuniu material inédito para a biografia do "Fab Four", intitulada "The Beatles: A Única Biografia Autorizada". No livro, a trajetória da banda, dos integrantes e de seus familiares é mostrada de forma única. Entre relatos, John Lennon, em um capítulo só seu, conta sua jornada de autoconhecimento, envolvendo drogas e religião como focos.
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Em um capítulo intitulado "John", o escritor descreve, entre outras coisas, como era a moradia do beatle em 1968, como ele passava suas noites comuns em casa e até como recebia visitas inesperadas, como quando recebeu vendedores ambulantes. Uma dupla de estudantes australianos conta que estavam participando de uma competição, que premiava quem vendia mais revistas e isso ajudaria em seus estudos. John decide ajudar e compra 50 libras em revistas. Satisfeitos, os estudantes vão embora.
Em determinado ponto do capítulo, John conta das pequenas metas nas quais focou durante sua carreira. Ele diz que, no começo, o objetivo era gravar um disco, chegar ao topo das paradas e até fazer um filme, mas esses pequenos objetivos já não o satisfazem mais: "Simplesmente planejávamos tudo por etapas (ele e os Beatles). Nunca pensamos sobre qualquer coisa muito grande. Agora eu posso. Não estou interessado em pequenas conquistas. Ser ator não me interessa mais. Foi uma perda de tempo para mim. Escrever, já fiz isso. Queria escrever um livro e escrevi um, então é isso."
Na passagem do capítulo, John deixa claro que o grande objetivo da vez é o "Nirvana, o paraíso budista." O beatle afirma que ao se aprofundar em estudos de religião, o seu comportamento para com outros ao seu redor mudou. Ele deixou de ser tão desagradável e passou a tratar os outros como gostaria de ser tratado.
Além da religião, Lennon ainda cita as drogas como um elemento importante na sua busca por autoconhecimento. Ele cita a maconha, mas não como algo que o ajudou a abrir os olhos, e sim como uma "diversão inofensiva". Já o LSD ganha um protagonismo maior na busca de John: "O LSD foi o autoconhecimento que apontou o caminho em primeiro lugar. De repente fui tomado por visões incríveis quando tomei ácido pela primeira vez. Mas você tem que estar buscando isso antes que você possa encontrar. Talvez eu estivesse buscando, sem perceber, e teria encontrado de qualquer forma. Só teria levado mais tempo."
John comenta a primeira vez que tomou ácido, com George Harrison. Na ocasião, eles estavam em um jantar, quando alguém lhes ofereceu a droga. Ele diz que foi um acidente, não era intenção de nenhum dos dois usar e eles não sabiam muito sobre a substância na época. Ele finaliza dizendo que pensaram que estavam ficando malucos durante o efeito do LSD.
John volta à religião no parágrafo seguinte. Ele cita que não tem nada contra o cristianismo e que não teria feito o fatídico comentário sobre Jesus (em 1966, Lennon afirmou que os Beatles eram mais populares que Jesus em entrevista para o jornal britânico "London Evening Standard"), mas conclui dizendo que vê o budismo como mais simples e lógico do que o catolicismo.
John diz que a polêmica de 1966 o fez pensar sobre as religiões. Ele comenta que na época muitas pessoas mandaram vários livros sobre o tema, e que ele leu muito sobre o assunto por conta disso. O beatle chega à conclusão de que não se pode misturar poder e política com a pureza da fé, e cita como exemplo as igrejas anglicanas, que segundo ele, são mais políticas que religiosas.
Para finalizar, John indaga se o caminho espiritual requer desapego de bens materiais e riqueza, e diz que pensa poder se livrar de tudo isso, que para ele, é um "desperdício de energia". Ele conclui que no momento, só quer se encontrar e nada mais.
FONTE:
"The Beatles: A única Biografia Autorizada"
por Hunter Davies
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