Baterista afirma ter orgulho do álbum "Native Tongue", do Poison
Por João Renato Alves
Postado em 09 de agosto de 2026
Quarto trabalho de estúdio do Poison, "Native Tongue" (1993) foi o único a contar com o guitarrista Richie Kotzen, que substituiu C.C. DeVille. O músico teve total liberdade para contribuir com as composições, sendo autor de várias, embora todas elas tenham sido assinadas pelos quatro integrantes.
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Em entrevista à rádio WRIF, de Detroit, o baterista Rikki Rockett refletiu sobre o período. "No início de toda aquela fase do grunge, estávamos tão obcecados em tentar reinventar o Poison e, de alguma forma, ocupar o lugar do C.C. Até que percebemos que não conseguiríamos fazer isso, então, mudamos um pouco a direção. E é engraçado, porque ouvi aquele 'Native Tongue' ontem mesmo. Não o escutava há algum tempo, exceto por uma música que toco nas minhas clínicas de bateria. Mas adoro a maneira como toquei naquele disco. Acho que é um álbum excelente."
Em relação ao encaixe do novo membro, o instrumentista destacou: "Foi ótimo trabalhar com o Richie e tenho muito, muito orgulho daquele disco. Sinto que pensamos: 'Não vamos tentar fazer grunge, porque não é a nossa praia. Não vamos tentar ser o que éramos com o C.C. Vamos virar a página, começar um capítulo novo e vamos fazer isso muito bem'. E acho que conseguimos fazer tudo isso."
Rikki atribui o sucesso menor do disco à fórmula na qual os fãs estavam presos. Fez tanto sucesso quanto 'Open Up And Say... Ahh!'? Não, não fez. As pessoas já tinham uma certa imagem do Poison e havia outros estilos musicais surgindo na época. Ainda assim, vendeu discretamente um milhão de cópias logo nos primeiros meses. Continuávamos aparecendo na MTV e fomos tratados de forma diferente de alguns dos artistas que vieram depois de nós. O disco foi bem recebido por muita gente, muitos críticos gostaram dele. Até hoje, acho que muita gente gosta. E eu também gosto. Quando paro para ouvir, penso: 'Gosto muito do que toquei ali. Ficou legal'. Já quando volto para nossa estreia, 'Look What The Cat Dragged In', penso: 'Meu Deus, por que eu toquei aquilo daquele jeito?'. Mas já se passaram 40 anos."
O baterista concluiu exaltando a parte técnica. "Às vezes, é só uma questão de percepção, de timing e coisas do tipo. Tivemos um ótimo produtor, foi fantástico trabalhar com o Richie Zito. E acho que todo mundo estava tocando bem, o Bret estava cantando bem... sinto que estávamos no nosso auge. O videoclipe de 'Stand' é incrível. Olho para trás e penso: 'Uau'. Nós o filmamos em película. Parecia um filme de verdade. Ficou muito bom. Mas simplesmente não caiu no gosto dos fãs mais fiéis do Poison - ou da maioria deles, pelo menos. Saímos em turnê, fomos bem e tudo mais. Voltamos à Europa. Novamente, foi tudo bem. Foi bom. Mas não foi algo fenomenal."
"Native Tongue" mostrou o Poison experimentando diferentes sonoridades ligadas ao blues, gospel e soul music, com adição de corais e instrumentos como bandolim e dobro. As letras também fugiam do trivial, abordando injustiça social, desilusões e a desglamourização da dependência química.
Músicos como os pianistas Billy Powell (Lynyrd Skynyrd) e Jai Winding (Michael Jackson, The Beach Boys), o baixista Timothy B. Schmit (Eagles), o coral da Primeira Igreja Episcopal Metodista Africana de Los Angeles e o grupo de metais Tower Of Power participaram das gravações.
Impulsionado pelos hits "Stand" e "Until You Suffer Some (Fire and Ice)" – ambos escritos por Kotzen –, o disco chegou ao 16º lugar no The Billboard 200. Ganhou premiação de ouro nos Estados Unidos e platina no Canadá. Richie sairia após a turnê de divulgação, quando o clima pesou por ele ter se envolvido com Deanna Eve, ex-noiva de Rockett.
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