Anika Nilles revela que uma experiência intimidadora no Rush se transformou no oposto
Por Bruce William
Postado em 09 de agosto de 2026
Assumir a bateria do Rush depois de Neil Peart já seria uma tarefa complicada em qualquer circunstância. Para Anika Nilles, porém, havia um agravante: quando recebeu o convite para tocar com Geddy Lee e Alex Lifeson nas turnês de 2026 e 2027, ela conhecia Peart principalmente por "Tom Sawyer", mas nunca havia realmente mergulhado no catálogo da banda.
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Isso significou começar praticamente do zero. "Cada música era como uma página em branco para mim", contou ao Thomann's Drum Bash, em transcrição feita pelo Blabbermouth. O trabalho envolveu aprender os arranjos e, principalmente, entender como as partes de bateria funcionavam dentro de cada composição. Para Anika, Peart não simplesmente acompanhava as músicas: suas partes funcionavam quase como composições independentes.
Por isso, ela preferiu não cair em nenhum dos extremos possíveis. Em algumas passagens, procura preservar aquilo que Peart tocava originalmente; em outras, abre espaço para sua própria personalidade e improvisação. "Tento tomar essas decisões com muito cuidado, música por música", explicou. Durante os ensaios, o foco passou a ser menos a reprodução exata e mais a energia e o clima que cada faixa precisava ter.
Anika também não aponta uma música específica como a grande provação. Segundo ela, praticamente todo o repertório do Rush exige atenção porque os arranjos são carregados de detalhes, assim como as próprias linhas de bateria. Estudar Peart acabou mudando inclusive sua maneira de pensar o instrumento, especialmente pela forma como ele organizava timbres, peças diferentes do kit e ideias musicais dentro de uma mesma faixa.
O que poderia ter tornado a experiência ainda mais intimidadora acabou funcionando ao contrário. Nilles diz que a convivência com Lee e Lifeson foi fácil quase imediatamente. "Se você conhece esses dois caras, eles são muito engraçados e muito humanos. Desde o primeiro minuto me trataram no mesmo nível", afirmou. "Eles são lendas. Poderiam ser arrogantes ou qualquer coisa assim. Não são."
Ela encontrou ainda uma afinidade no modo como os dois trabalham. Segundo Anika, Geddy e Alex continuam entusiasmados ao tocar, gostam de discutir detalhes e parecem se divertir enquanto procuram maneiras de melhorar cada música. Para ela, essa combinação de concentração e energia ajudou a criar uma conexão musical rápida entre os três.
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