O único assassino que ainda tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de agosto de 2026
Receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood costuma representar o reconhecimento máximo para artistas que marcaram a cultura popular. O curioso é que essa homenagem é permanente: nem mesmo uma condenação por assassinato é suficiente para apagar um nome da famosa avenida de Los Angeles. A regra vale para todos os homenageados, independentemente do crime cometido.

Segundo o jornalista Tom Phelan, em matéria publicada pela Far Out Magazine, a Câmara de Comércio de Hollywood mantém uma posição inflexível sobre o assunto.
"Uma vez que uma estrela é adicionada à Calçada da Fama, ela passa a ser considerada parte do tecido histórico da Hollywood Walk of Fame", afirma a entidade. Por isso, nomes envolvidos em escândalos como Sean Combs, Bill Cosby e Donald Trump continuam com suas estrelas intactas.
Mas existe um caso ainda mais extremo. De acordo com Phelan, o único artista efetivamente condenado por assassinato que permanece na Calçada da Fama é o músico de western swing Spade Cooley. "O astro da música e da televisão acabou reivindicando a duvidosa marca de ser o único assassino condenado da Hollywood Walk of Fame", escreveu o jornalista.
Nos anos 1940, Cooley era uma celebridade nos Estados Unidos. Violinista de sucesso, liderou sua própria big band, estrelou diversos filmes de faroeste e apresentou o programa "The Spade Cooley Show", na emissora KTLA. Em 1960, recebeu uma estrela na Calçada da Fama por sua contribuição ao rádio, instalada no número 6802 da Hollywood Boulevard.
Por trás da fama, porém, havia uma longa história de violência doméstica. Casado com Ella Mae Cooley, cantora que integrava sua banda, o músico passou anos fazendo ameaças e agredindo a esposa. Segundo o relato reproduzido por Phelan, ele chegou a dizer que a mataria caso tentasse deixá-lo. Em abril de 1961, durante uma explosão de fúria, espancou Ella Mae até a morte na frente dos filhos.
Após inicialmente alegar insanidade, Cooley foi considerado culpado por homicídio em primeiro grau e condenado à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional após sete anos. Mesmo assim, amigos influentes fizeram campanha por sua libertação junto ao então governador da Califórnia, Ronald Reagan. Antes mesmo de deixar a prisão, o músico recebeu autorização para se apresentar em um show beneficente, foi ovacionado pelo público e morreu nos bastidores após a apresentação.
Mais de seis décadas depois, sua estrela continua no mesmo lugar, diante de uma loja de souvenirs na Hollywood Boulevard. Como destaca Tom Phelan, não há qualquer sinal de que ela será removida, reforçando a política da Calçada da Fama de preservar suas homenagens independentemente do passado criminal de seus homenageados.
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