Neil Young escolhe os três maiores compositores de todos os tempos
Por Bruce William
Postado em 10 de agosto de 2026
Neil Young passou boa parte da carreira sendo tratado como referência por outros músicos, mas nunca escondeu quem ocupava esse lugar para ele. Entre décadas de folk, country, rock pesado e incontáveis mudanças de direção, o canadense apontou três compositores que considera parte de uma categoria especial: Bob Dylan, Paul McCartney e Joni Mitchell. A pauta foi levantada pela Far Out.
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A admiração por McCartney vem de muito cedo. Ao apresentar o ex-Beatle ao Rock and Roll Hall of Fame, em 1999, Young contou que uma das primeiras músicas que aprendeu a tocar foi "Money (That's What I Want)", gravada pelos Beatles em 1963. Na mesma ocasião, resumiu o tamanho que atribui ao britânico: "Paul McCartney é um dos maiores compositores de todos os tempos. Ele será lembrado daqui a centenas de anos".
Com Bob Dylan, a reverência talvez seja ainda mais explícita. Young chegou a dizer que, se pudesse ser outra pessoa, gostaria de ser Dylan. Em entrevista à Time em 2005, explicou por quê: "Ele é um grande compositor, fiel à sua música, e fez durante anos e anos o que achava certo. O cara escreveu algumas das maiores poesias e colocou música nelas de uma forma que me tocou".
Os dois acabaram se tornando contemporâneos e amigos, mas Dylan já era uma influência enorme quando Young começava a ganhar espaço nos anos 1960. Para ele, poucos conseguiram repetir durante tanto tempo aquela combinação de intensidade, força literária e liberdade para mudar de direção sem parecer preocupado em atender expectativas externas.
A terceira integrante dessa seleção é Joni Mitchell, canadense como Young e personagem de sua vida desde os primeiros anos de carreira. Ele relembrou no The Zach Sang Show, em 2022, que conheceu Mitchell quando tinha cerca de 20 anos, em Winnipeg. Ela estava passando pela cidade com o então marido, Chuck Mitchell, e Young chegou a mostrar para ela "Sugar Mountain".
Décadas depois, o encantamento continuava intacto. "Eu amo Joni. Ela é maravilhosa. É uma das maiores artistas da nossa geração. Talvez seja a maior artista da nossa geração", afirmou Young. A escolha também combina com sua própria trajetória: Mitchell passou do folk para terrenos cada vez mais complexos, explorando jazz, harmonias incomuns e formas de composição que dificilmente cabiam em categorias rígidas.
Dylan, McCartney e Mitchell chegaram por caminhos bem diferentes ao mesmo lugar na lista particular de Neil Young. Um expandiu as possibilidades literárias da música popular, outro transformou melodia em linguagem quase universal e a terceira levou a composição confessional e harmônica a territórios muito próprios. Vindo de alguém que também passou mais de seis décadas recusando permanecer no mesmo lugar, não parece coincidência.
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