O álbum dos anos 60 que Neil Peart disse reunir tudo o que amava na música
Por Bruce William
Postado em 19 de julho de 2026
Neil Peart era lembrado principalmente pela técnica monumental na bateria, mas sua contribuição para o Rush ia muito além das baquetas. Como principal letrista do trio, ele absorvia literatura, filosofia e discos capazes de mostrar que inteligência, ironia e rock poderiam ocupar o mesmo espaço.
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Um dos trabalhos que mais o atingiram foi "The Who Sell Out", terceiro álbum do The Who, lançado no Reino Unido em dezembro de 1967. Construído como se fosse a programação de uma rádio pirata, o disco misturava músicas, comerciais falsos e vinhetas, enquanto Pete Townshend satirizava a publicidade e o próprio funcionamento da indústria musical.
Peart voltou ao álbum cerca de três décadas depois e descobriu que seu impacto permanecia intacto. "Tudo naquele disco me lembrou de como eu costumava amar a música: de dentro para fora, cada nota, cada batida, cada palavra, cada som", recordou o saudoso baterista em declaração recuperada pela Far Out.
A experiência não se limitava às melodias ou ao trabalho de Keith Moon. "Além das melodias e dos ritmos, as próprias texturas sonoras da música exerciam sobre mim um efeito transcendental - sensorial, emocional, cerebral e físico. Enquanto eu ouvia, aquilo era o universo inteiro para mim."
Embora o humor do Rush fosse diferente do sarcasmo de Townshend, é possível perceber uma ligação entre os dois autores. Peart também escrevia sobre integridade artística, desconforto com a fama e os mecanismos da indústria, assuntos que apareceriam com força em faixas como "The Spirit of Radio" e "Limelight".
"The Who Sell Out" não foi o maior sucesso comercial do grupo britânico, mas revelou a Peart que um disco de rock poderia ser divertido, crítico, conceitual e musicalmente poderoso ao mesmo tempo. Para alguém que mais tarde ajudaria o Rush a ignorar limites e expectativas, era praticamente uma aula completa.
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