A pérola de Renato Russo que obrigou músico de Cazuza a mudar levada em estúdio
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de setembro de 2026
O violonista Ricardo Palmeira, que acompanhou Cazuza por um bom tempo, revelou como foi gravar ao lado de Renato Russo em "Equilíbrio Distante", álbum solo que o líder da Legião Urbana lançou em 1995. Em publicação no Instagram, o músico contou que, logo na primeira faixa da sessão, ouviu do cantor uma provocação que fez todos no estúdio caírem na risada e o forçou a mudar de abordagem no instrumento.
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A participação nasceu de um convite do amigo Carlos Trilha, que na época também integrava com Palmeira a banda de Leo Jaime. Foram duas músicas, registradas numa única noite no estúdio Discover, ambas ao violão folk. O gelo, segundo o violonista, se quebrou antes mesmo de a gravação começar: Renato quis saber se ele vinha de família italiana, já que o sobrenome Palmeira deriva de Palmieri, e pediu que ele afinasse seu alaúde. Palmeira atendeu na hora, e o trabalho começou em clima descontraído.
"A primeira foi a 'La Vita è Adesso'. Tentei fazer uma levada no violão, mas ele, que era um expert na linguagem folk, não se convenceu e já lançou uma pérola bem-humorada que fez todos no estúdio rirem: 'Ele não sabe fazer chacundum!' Levei na esportiva e apresentei como solução um dedilhado que ele achou legal", escreveu Palmeira.
A troca da batida pelo dedilhado agradou de imediato. Palmeira lembra, sem cravar as palavras exatas, que o cantor garantiu que a solução ficaria boa. Na sequência veio "Dolcissima Maria", canção conhecida pelos fãs de rock progressivo na gravação da banda italiana Premiata Forneria Marconi. Nela, o violonista assinou um solo na parte instrumental do final, que também recebeu o aval de Renato.
O repertório italiano do disco causou estranheza até no círculo próximo do cantor. Em depoimento ao livro "Discobiografia Legionária", de Chris Fuscaldo, a assessora de imprensa Gilda Mattoso, que viajou com Renato à Itália durante a preparação do projeto, recordou o choque ao ouvi-lo falar em Laura Pausini. "Para mim, aquilo era como se você sentasse com o Caetano Veloso e dissesse que quer gravar músicas da Wanessa Camargo", comparou.
A curiosidade de Renato sobre a origem italiana do sobrenome de Palmeira combina com o momento vivido pelo cantor. Na mesma viagem, segundo Gilda, ele procurou os registros de casamento dos avós para obter a cidadania italiana. Em Milão, a cantora e compositora Fiora Corradetti e o marido, o produtor Piero Fabrizi, apresentaram a ele canções que poderiam funcionar no álbum, e Renato buscava material pop com qualidade suficiente para sustentar a proposta.
Poucos anos depois, Trilha voltou a chamar Palmeira para projetos ligados a Renato: um tributo com vários artistas no Metropolitan, casa hoje rebatizada de Qualistage, e um programa de rádio ao lado de Jerry Adriani, que lançava na época um álbum com versões em italiano de músicas da Legião. Em todos eles, o violonista tocou com a banda que acompanhou o grupo na última turnê com o cantor. "Eu, que tinha tocado um bom tempo com o Cazuza, também pude fazer parte um pouquinho da história desse outro gênio do nosso BRock 80", escreveu.
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