O baixista que deixou Geddy Lee agradecido por ter conseguido vê-lo ao vivo
Por Bruce William
Postado em 16 de setembro de 2026
Geddy Lee já tinha ouvido muita coisa absurda no baixo quando descobriu Jaco Pastorius. Mesmo assim, Heavy Weather, do Weather Report, conseguiu pará-lo. Ele contou para a Rolling Stone que alguém colocou o disco para tocar durante uma turnê e sua reação foi imediata: "Meu Deus, quem é esse baixista?"
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A curiosidade virou oportunidade pouco depois. O Rush estava passando por Milwaukee quando o Weather Report apareceu para tocar no mesmo teatro, na noite anterior ao show deles. Geddy e os companheiros foram assistir. Foi ali que a ficha caiu de verdade. "Foi uma experiência impossível de reproduzir", lembrou. "Ele era incrível, bizarro, histriônico."
Para Geddy, Jaco não era simplesmente um instrumentista tecnicamente acima da média: havia um elemento físico e visual na maneira como ele tocava que os discos não conseguiam capturar completamente. O que mais o impressionou foi a falta de medo de chamar atenção. Geddy observou que Jaco fazia coisas malucas no palco e não tinha receio de ser exibido quando a música permitia. "Ele realmente era um músico que aparece uma vez na vida", disse. "Vê-lo ao vivo foi algo especial."
A admiração não significava que Lee fosse um devoto do jazz-rock. Pelo contrário: ele sempre deixou claro que sua formação vinha principalmente do rock. Em entrevista à Guitar Player ainda em 1980, já citava Jaco entre os baixistas que escutava, ao lado de Chris Squire, Jeff Berlin e Percy Jones, justamente porque esses músicos faziam a ponte entre universos diferentes. Esse tipo de influência ajuda a explicar por que o baixo do Rush raramente funcionou apenas como apoio. Geddy sempre foi atraído por músicos que tratavam o instrumento como voz independente - caso de Chris Squire, Jack Bruce, John Entwistle e do próprio Jaco.
Anos depois, ao listar seus baixistas favoritos, Geddy ainda parecia guardar a memória daquele show como um privilégio. Não porque tenha saído dali tentando tocar como Pastorius, mas porque teve a chance de assistir de perto a alguém que, na visão dele, fazia coisas que simplesmente não podiam ser repetidas da mesma maneira.
A lembrança original de Geddy é mais interessante justamente pelo tom de gratidão, destaca a Far Out. Ele viu Jaco Pastorius quando ainda era possível - e décadas depois continuava tratando aquela noite como uma daquelas experiências raras que um músico leva consigo para sempre.
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