A obsessão de Neil Peart com um solo que precisava ficar absolutamente perfeito
Por Bruce William
Postado em 14 de setembro de 2026
Neil Peart nunca tratou seus solos de bateria como simples demonstrações de velocidade. Ao longo dos anos, eles foram ficando cada vez mais elaborados, misturando bateria acústica, pads eletrônicos, samples e referências musicais muito além do rock.
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Um bom exemplo aparece em "A Show of Hands", lançado no fim dos anos 1980. Em determinado trecho do solo, Peart queria usar ataques de metais inspirados em uma gravação de Count Basie. A primeira solução foi simples: samplear diretamente aqueles sons e dispará-los ao vivo. O problema é que ele não ficou confortável com a ideia.
"Eu tinha sampleado os ataques de metais do CD e os disparava ao vivo, mas não me sentia bem usando os sons de outra pessoa no nosso disco", explicou à Modern Drummer. Peart dizia ter uma espécie de código moral em relação a samples e preferia trabalhar com sons próprios.
A solução foi bem menos prática. Ele entrou em estúdio, analisou os acordes dos samples de Basie e refez aqueles intervalos sinteticamente com um Synclavier. Assim conseguiu preservar a ideia sem carregar a sensação de que havia simplesmente roubado um pedaço da gravação original. "Consegui todos os intervalos que queria e acabou soando lindo", contou. "Então pude limpar a culpa da testa, porque tinha tido todo o trabalho e gasto de criar aqueles samples."
Ao vivo, os ataques eram disparados em pads Simmons e até por pedal, sincronizados com pratos para que tudo caísse exatamente junto, explica a Far Out. Era um daqueles casos em que tecnologia e precisão serviam ao mesmo objetivo que sempre perseguiu Peart: transformar um solo em composição, e não apenas numa sequência de golpes difíceis.
O detalhe combina bem com a maneira como ele pensava música. Na mesma entrevista, Peart dizia que já não estava interessado em impressionar a si mesmo ou aos outros, mas em se desafiar e encontrar exatamente o que cada música pedia. Até num solo de bateria, isso podia significar gastar tempo recriando um acorde de metais porque copiar o original lhe parecia fácil demais.
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