As músicas que Engenheiros do Hawaii nunca tocaram ao vivo, segundo Licks
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de setembro de 2026
Augusto Licks incluiu no repertório atual canções que os Engenheiros do Hawaii jamais executaram em um palco durante sua passagem pelo grupo. O guitarrista detalhou as escolhas em live no canal Pitadas do Sal, em conversa realizada às vésperas do show no Manouche, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Entre as faixas resgatadas estão "Variações Sobre o Mesmo Tema", "Curta-Metragem" e "A Conquista do Espelho".
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O caso mais curioso é o de "Variações Sobre o Mesmo Tema". Na versão gravada, a música acabou encolhida a ponto de funcionar quase como uma vinheta de disco, e a banda nunca a levou ao palco por inteiro. Agora, segundo Licks, o grupo executa a parte final com um arranjo novo, de pegada blues e com referência ao Pink Floyd. "Curta-Metragem", que teve destino parecido em "Várias Variáveis", passou a ser tocada na íntegra.
Outras entradas no set vieram por motivos externos. "Anoiteceu em Porto Alegre" foi incorporada depois da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, logo após o show de reunião na capital gaúcha. "Túnel do Tempo" e "A Conquista do Espelho" completam o grupo de canções que, na avaliação do guitarrista, mereciam uma leitura ao vivo que nunca receberam na época em que ele integrava a formação.
O desenho do repertório mudou aos poucos. Licks explicou que a lista inicial era composta basicamente de hits, por ser a solução mais prática para o retorno aos palcos, e foi sendo reforçada show a show. A cobrança do público, no entanto, não dá trégua em nenhuma direção: parte da plateia quer novidade, parte quer exatamente o que já conhece. Para ele, não há como equilibrar isso.
"As pessoas chegam e perguntam: qual é a novidade? Por que vocês continuam tocando essa música? Será que já não perdeu o sentido? Então a gente ouve isso e eu presto atenção. É impossível satisfazer a bela diversidade que existe na natureza humana. As pessoas não são iguais, cada um ouve e percebe alguma coisa de uma maneira diferente", afirmou o guitarrista.
Há ainda um motivo técnico para o grupo não se limitar às versões de estúdio, e ele passa pela diferença em relação às bandas tributo. "A referência muito forte, dominante dessas bandas, são os arranjos originais, os arranjos que foram gravados. E eu vivi um processo de maturação daqueles arranjos. A banda gravava num estado muito bruto ainda. E aí algumas coisas que funcionavam no estúdio, ao vivo eram diferentes, então a gente tinha que dar uma garibada", explicou.
Apesar da distinção, Licks fez questão de elogiar os grupos cover espalhados pelo Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio Grande do Sul, a quem credita a manutenção do repertório durante as décadas em que a banda não existiu. Chegou a dizer que esses músicos poderiam tocar melhor do que ele próprio. O limite de tempo de um show, porém, impõe o corte final: nem tudo o que ele gostaria de resgatar cabe em uma noite.
Confira o vídeo completo abaixo.
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