O "melhor ao vivo do rock" pode não ser tão ao vivo, sugere Humberto Gessinger
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de setembro de 2026
Humberto Gessinger questionou a fama de "Live and Dangerous", álbum duplo do Thin Lizzy que muita gente considera o melhor disco ao vivo da história do rock. Em entrevista ao podcast Corredor 5, o criador dos Engenheiros do Hawaii lembrou que o próprio produtor do trabalho, Tony Visconti, falou em entrevistas sobre a quantidade de playback no registro. A história surgiu quando o gaúcho explicava por que nunca encheu os próprios discos ao vivo de sucessos.
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Essa escolha, contou, já lhe rendeu a fama de autossabotador. Segundo ele, o primeiro ao vivo da banda, "Alívio Imediato", ficou sem hits como "Segurança", música que tinha estourado ao menos no Sul. Anos depois, "Filmes de Guerra, Canções de Amor" também deixou de fora as faixas que fizeram sucesso com "O Papa É Pop". Gessinger admite que poderia ter transformado o projeto semiacústico numa versão desplugada daquele repertório.
O músico foi direto ao comentar a lógica dos ao vivos convencionais. Na visão dele, a gravadora quer um disco que venda justamente por reunir todos os sucessos. Quando um artista troca de selo, a nova companhia ainda faz questão de ter os próprios fonogramas daquelas canções. Ele também ironizou o argumento de que o disco de palco se justifica pela emoção que transmite, e foi aí que puxou o exemplo do Thin Lizzy.
"O disco que todo mundo considera o melhor disco ao vivo do rock and roll é aquele duplo do Thin Lizzy. Mas quem produziu foi o Tony Visconti, que era baixista também, que produzia os discos do Bowie, e eu acho que ele brigou com os caras da banda, porque nas entrevistas sempre dizia: 'Ah, ao vivo? Aquilo lá é um monte de playback'. E eu tava vendo uma entrevista do guitarrista do Thin Lizzy que disse: 'Pô, o Tony Visconti tem que decidir, porque no início ele dizia que 20% é playback, depois falou que 30%, e na última entrevista falou que 70%'."
A conclusão de Gessinger é que o charme do disco ao vivo é, na verdade, uma compilação de sucessos, algo que ele diz ter tido "a manha de evitar". O cantor também fazia questão de incluir inéditas nesses lançamentos, contrariando uma conta que as companhias costumavam aplicar. "Tinha uma matemática muito tosca dos caras, que era o seguinte: não gasta música nova agora. Se só precisa de 11 pro disco... Como só precisa de 11? Eu vou saber quanto precisa com o disco que eu compus."
Com o tempo, a aposta em faixas menos óbvias compensou, contou ao Corredor 5. No "Acústico MTV", ele resgatou "Dom Quixote", parceria com Paulo Galvão lançada em "Dançando no Campo Minado", que até então não tinha tocado em lugar nenhum. Hoje, segundo o músico, o público canta a letra inteira nos shows. Ele define essas canções como oxigênio e compara o repertório a uma jazida de petróleo, que se esgota quando é administrada de forma racional demais.
Confira o vídeo completo abaixo.
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