A curiosa opinião de Humberto Gessinger sobre o Supertramp
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de setembro de 2026
Humberto Gessinger elegeu o Supertramp como uma de suas três grandes referências, mas por um motivo que quase ninguém identifica. Em conversa com o canal Paranoid, o músico explicou que o valor do grupo inglês não está nas composições em si, e sim no que acontece em volta delas.
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A banda entra numa lista curta. Gessinger citou Rush, Thin Lizzy e Supertramp como referências conceituais, não sonoras - nenhuma delas, segundo ele, aparece diretamente no som dos Engenheiros do Hawaii. O Supertramp é o caso em que essa distinção fica mais evidente.
"As músicas deles transcendem o que está escrito e o que está cantado. Eles têm uma coisa de dinâmica e de arranjo. O arranjo é o lance mais legal do Supertramp, mais do que a coisa musical. Têm ótimas letras e melodias, mas o arranjo, a dinâmica, a maneira como entram e saem as coisas, a maneira como o cara toca guitarra", afirmou.
O problema é fazer músicos entenderem isso. Gessinger disse que sofre toda vez que muda a formação e cita a referência em ensaio: quem está do outro lado costuma traduzir Supertramp como cantar em falsete, e Rush como tocar compassos complexos. Não é nenhuma das duas coisas, segundo ele - o que interessa é sempre estrutural.
A comparação que ele usa para fechar o raciocínio veio de um maestro. Gessinger contou ter assistido a uma análise de Beethoven em que, examinada peça por peça, a melodia não era boa, a harmonia não era boa e a orquestração também não. Juntas, funcionavam. É exatamente esse o efeito que ele enxerga no Supertramp.
O reflexo disso aparece no palco. O músico admitiu adorar ensaiar, mesmo que seja para ignorar o ensaio no show, e disse mudar bastante as coisas ao vivo, sobretudo as letras - liberdade que fica mais fácil com banda fixa e precisa ser contida quando toca com músicos que circulam por vários trabalhos.
Confira o vídeo completo abaixo.
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