Augusto Licks sobre circunstâncias da saída dos Engenheiros do Hawaii: "Foram injustas"
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de setembro de 2026
Augusto Licks classificou como injustas as circunstâncias de sua saída dos Engenheiros do Hawaii, embora afirme não carregar mágoa de ninguém. A declaração foi dada em live no canal Pitadas do Sal, às vésperas do show que marca o retorno do guitarrista ao palco carioca depois de 33 anos, no Manouche, no Jardim Botânico. Licks se recusou a detalhar o episódio, mas foi direto ao descrever o tamanho do estrago na época.
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"As circunstâncias da minha saída foram muito doídas para o meu lado, foram injustas. Não cabe aqui a gente retomar esse assunto. Tá lá. Eu agora olho para trás, para esse passado, como um lado límpido e tranquilo. Eu não tenho mais nada, rancor não, isso tudo já foi, águas passadas", disse o guitarrista.
O que veio depois foi um recuo deliberado. Licks contou que precisou de um período sabático para recuperar referências básicas de vida, perdidas na rotina de cerca de 60 viagens por ano - a ponto de não saber mais quanto custava um tablete de manteiga ou um par de sapatos. Nos anos seguintes vieram a morte dos pais, um casamento e o nascimento da filha, hoje com 26 anos. A música só voltou ao horizonte muito tempo depois, e de forma gradual.
Provocado pelo apresentador Sal sobre o que aconteceu com a banda após sua saída, o guitarrista não entrou na armadilha. Afirmou não ter acompanhado o período e que o assunto não lhe cabe. "Pode ter sido uma coisa maravilhosa, muito melhor do que na minha época. Eu não saberia dizer. Eu realmente não sei, eu não opino em coisas que eu não tenho conhecimento", respondeu, quando o anfitrião sugeriu que o resultado não teria sido dos melhores.
Voltar a tocar, mesmo fora do nome da banda, levou anos. Licks explicou ao Pitadas do Sal que a sombra do grupo pesava demais sobre qualquer tentativa de recomeço, porque a comparação seria inevitável. Segundo ele, os Engenheiros do Hawaii e outras bandas da mesma geração tiveram uma exposição na mídia que nunca havia acontecido antes no país e que, em sua avaliação, não se repetirá - o mercado apostou no rock nacional a partir de 1985, e o alcance foi desproporcional.
O reencontro com Carlos Maltz destravou o resto. O baterista já havia procurado Licks antes da pandemia com uma proposta de reunião da formação clássica, mas a ideia não avançou. Em 2024, o contato voltou por intermédio de Sandro Trindade, e os dois passaram dois anos na estrada juntos. "A terceira idade nos permite dissipar todas as diferenças, todos os rancores. Nós tínhamos a oportunidade de fazer gente feliz", afirmou o guitarrista, que descreve a si e a Maltz como pessoas muito diferentes desde sempre.
A parceria se encerrou em 2025, quando Maltz precisou se afastar por questões logísticas e particulares - e, segundo Licks, foi o próprio baterista quem incentivou os demais a seguirem sem ele. O projeto atual leva o nome do guitarrista e reúne Sandro Trindade e a baterista Ananda Torres, que vieram de Porto Alegre para o compromisso no Rio. Sobre o passado, Licks já havia dado o assunto por encerrado antes mesmo de a pergunta ser feita.
Confira o vídeo completo abaixo.
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