O clipe que estragou um dos maiores hits dos anos 80, segundo Humberto Gessinger
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de setembro de 2026
Humberto Gessinger classificou a era do videoclipe como o pior período de sua trajetória. Em entrevista ao canal Paranoid, o vocalista e compositor dos Engenheiros do Hawaii disse que a obrigação de acompanhar cada canção com uma imagem empobreceu o trabalho de quem fazia música nos anos 80, e não o contrário. O tema surgiu quando o apresentador Rodrigo pediu que ele comentasse discos e canções apresentados de surpresa.

A objeção dele não é de gosto, e sim de princípio. Para Gessinger, arte não funciona por acúmulo - somar imagem a som não entrega ao público o dobro de coisa alguma. Ele também revelou que a mesma resistência explica um hábito raro entre músicos de sua geração: afirmou ser uma das poucas pessoas que não veem muita graça em cinema.
"Quando pintou videoclipe, eu odiei. Para mim, foi a pior fase da minha carreira, aquela época em que as pessoas te forçavam a colar num som uma imagem visual, porque arte não é uma coisa cumulativa, quanto mais melhor. Eu achava o videoclipe muito empobrecedor. E o pior é que, quanto melhor o clipe, pior ele era para a música", declarou.
O exemplo escolhido para sustentar o argumento foi "Money for Nothing", do Dire Straits - faixa cuja animação em computação gráfica virou marco da MTV em 1985. "Quando tu viste o clipe, tu jamais conseguia mais ouvir a música sem pensar naquilo", afirmou. A lógica é simples: quanto mais memorável a imagem, menor o espaço que sobra para a imaginação de quem escuta.
Do outro lado dessa conta está o Pink Floyd, banda que ele associa ao efeito inverso. Gessinger lembrou que ouvia os discos sem ter ideia de quem eram aqueles músicos, sem rosto na capa e sem nem o nome do grupo estampado, e que a falta de informação obrigava o ouvinte a construir tudo sozinho. Segundo ele, "The Dark Side of the Moon" foi o disco que abriu essa porta.
Confira o vídeo completo abaixo.
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