Andre Matos: Resenha do livro "Andre Matos - O Maestro do Heavy Metal"
Por Maicon Leite
Postado em 08 de novembro de 2021
Como ávido leitor, não somente de biografias, fico extremamente feliz quando começo a ler um livro que me prende desde o início. E entre 2020 e 2021, em plena pandemia, com a cabeça à mil, tenho o orgulho de dizer que li mais de 70 livros, dos mais variados gêneros. E dentre as biografias devoradas nesta jornada literária está "Andre Matos – O Maestro do Heavy Metal", que assim como a biografia do Paradise Lost, foi mais um excelente lançamento da Estética Torta, com acabamento de luxo, capa dura, inteiramente colorido, sobrecapa transparente e diversos QR Codes exclusivos espalhados pelo livro. Nada disso teria efeito se a escrita não fosse caprichada e fluída. Ponto para os envolvidos.
A morte de Andre Matos, em 8 de junho de 2019, deixou milhares de fãs extremamente tristes, afinal, era uma pessoa extremamente nova, com apenas 47 anos de idade e com muitas realizações pela frente. E de lá para cá o músico tem sido homenageado das mais variadas formas, seja com músicas, vídeos e até mesmo com a criação do Dia Municipal do Metal em São Paulo. Outra atitude importante foi a produção do documentário "Andre Matos – Maestro do Rock", com sua primeira parte em cartaz nos cinemas brasileiros.
Em 2020 os fãs viram nascer este livro, escrito por Eliel Vieira e Luis Aizcorbe com as colaborações especiais de Eco e Raquel Moliterno como curadores, Clóvis Roman e Kenia Cordeiro como pesquisadores, Dener Ariani na área de consultoria e Gustavo Maiato com entrevistas. Com prefácio de Tobias Sammet, do Edguy e Avantasia, o livro segue uma ordem cronológica gostosa de ler, rendendo momentos agradáveis e surpreendentes que nem mesmo o fã mais "die hard" imaginaria saber sobre o vocalista.
Confesso que uma das partes mais interessantes do livro foi justamente sua fase pré-Angra, ou seja, sua infância, a descoberta do Heavy Metal, os primeiros dias do Viper e o ápice com vários detalhes sobre os álbuns "Soldiers of Sunrise" e "Theatre of Fate", tudo isso recheado com palavras do próprio Andre retiradas de entrevistas contidas em sites, blogs, canais do Youtube, revistas e muito mais, além, é claro, de depoimentos de seus familiares e amigos. Fotos raras retiradas do acervo da família complementam a leitura, tornando a experiência riquíssima.
O retorno do Viper com Andre Matos em 2012 para a turnê "To Live Again Tour" foi abordado bem rapidamente, e embora a apresentação em Porto Alegre não tenha sido citada no livro, vale a pena lembrar aqui daquele show histórico que a banda executou em 21 de julho de 2012, no Teatro Ciee. Foi a primeira e única apresentação do Viper com Andre Matos na cidade, suprindo uma carência sentida desde o ano de 1990, quando o Viper veio tocar com Pit Passarell assumindo os vocais. Reza a lenda que foi o primeiro show após a saída de Andre.
Sua paixão por música clássica e seus estudos são bem relatados no livro, destacando a criação da música "Moonlight", baseada na peça instrumental "Moonlight Sonata", de Beethoven, um dos maiores destaques do álbum "Theatre of Fate", seu último registro com o Viper, lançado em 1989. As saídas do Viper, Angra e Shaman, bem como as diversas participações especiais que o músico realizou ao longo da carreira foram muito bem documentadas, gerando um material que servirá de guia para quem quiser conhecer o que o vocalista gravou fora das bandas que participou e de sua carreira solo. A parte mais triste do livro é quando chega no capítulo dedicado à sua morte, onde assuntos pessoais de sua vida tão reservada vieram à tona, como o uso de vários medicamentos e os últimos dias de sua jornada.
Após o grande sucesso do livro, a Estética Torta decidiu trabalhar em uma nova tiragem, e segundo publicação em seu site, havia um dilema envolvendo esta nova edição, com o surgimento de material inédito sobre o vocalista, com muitas fotos, vídeos e demos de músicas. A solução foi trabalhar em uma nova edição que virá acompanhada de um caderno especial com essas fotos, além de QR Codes que levarão o leitor direto para o material audiovisual. Esta segunda tiragem será limitada em mil cópias e virá numa versão mais simples, mantendo a tradicional capa dura, mas sem a sobrecapa transparente da primeira edição, além de utilizar as páginas em preto e branco, diferentemente das páginas coloridas da primeira. Desta forma, segundo a editora, foi possível manter o mesmo preço da primeira edição, já que os custos para impressão do ano passado para cá aumentaram.
A questão é: seja qual for a edição do livro, compre! Nunca se fez uma obra tão elaborada sobre um músico brasileiro de Heavy Metal, fato que talvez abra um leque de novas possibilidades para o mercado editorial brasileiro ligado ao estilo. Indicado não apenas para fãs de Andre Matos, mas também para os apreciadores do Metal brasileiro, afinal, é impossível dissociar o vocalista de tudo o que foi feito no Brasil em termos de Heavy Metal desde a década de 1980. Obrigado Estética Torta por este livraço!
Livro: Andre Matos – O Maestro do Heavy Metal
Escritores: Eliel Vieira e Luis Aizcorbe
Editora: Estética Torta – 2020
Páginas: 456
Adquira a nova versão do livro:
https://www.esteticatorta.com/produtos/livro-andre-matos-o-maestro-do-heavy-metal-nova-edicao/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dave Murray solta um "Vai, Corinthians" após ganhar camisa do Timão
Os dois ex-membros do Black Sabbath que não se davam bem
Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
O cover que o Black Sabbath mais tocou ao vivo durante toda a carreira
Eminem iria gravar música do primeiro disco solo de Tony Iommi
Regis Tadeu aponta o grande erro que Tony Iommi cometeu em seu novo álbum solo
Cinco músicas que mostram o lado mais sombrio e arrastado de Ronnie James Dio
Ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth se apresentará em São Paulo em janeiro
O guitarrista que Angus Young considera o mais superestimado do rock
Os motivos que explicam a grandiosidade de "Reign in Blood", segundo Tom Araya
A música favorita de Pete Townshend, do The Who; "É tudo o que eu gostaria de fazer"
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
A faixa de "Reign in Blood" que Tom Araya não é muito fã
Jorn Lande explica por que prefere Black Sabbath com Dio
O hit que Iron Maiden tocou uma vez só para nunca mais: "Não era enérgica suficiente"
Como foi para Luiz Schiavon a experiência de trabalhar por anos no Domingão do Faustão
O desconhecido conjunto brasileiro que Beatles gostou tanto que resolveu espiar o ensaio

Como Herman Li conheceu Andre Matos do Angra: "Kai Hansen, você conhece ele?"
Como Amanda Somerville conheceu Andre Matos, segundo a própria
Dark Side of the Moon: os Bastidores da obra-prima



