Dead Kennedys: Fresh Fruit for Rotting Vegetables, os primeiros anos
Por Mário Orestes Silva
Postado em 09 de junho de 2017
O que faz o primeiro disco de uma banda iniciante, independente, sem dinheiro, boicotada pelas rádios, se tornar um dos mais citados como influência por músicos, como exemplo por críticos e como criativo pela mídia? É este intrigante questionamento que levou o escritor e jornalista norte americano Alex Ogg a escrever o livro "Dead Kennedys – Fresh Fruit for Rotting Vegetables (Os Primeiros Anos)". Focada exclusivamente na história da banda, durante o período de produção e lançamento deste disco emblemático, a obra na linguagem literária, destrincha uma outra obra, sendo que, da linguagem musical.
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Logo de cara, o livro chama atenção, não apenas por retratar em sua capa a mesma instigante foto da capa do disco, mas também por ter todo o seu conteúdo fielmente ilustrado por Russ Bestley que segue a mesma linha ilustrativa da arte gráfica do disco. Ou seja, colagens de ilustrações, fotos e textos polêmicos onde se sobrepõe o sarcasmo e a crítica ao conhecido "american way of life", padrão estético ditado por fanzines e dirigido brilhantemente por Jello Biafra que, acabou por desenvolver-se como uma das figuras mais ativistas e idealistas do underground de São Francisco. No contexto abordado, nada nem ninguém são poupados. Políticos são os maiores alvos, mas também sobra pra empresários, religiosos, críticos de arte, cientistas e fundamentalistas. Os fotógrafos Ruby Ray e Mick McGee facilitam a "viagem no tempo" com fotografias da época, sendo várias raras e inéditas. Vale lembrar que tudo é obviamente em preto e branco, mantendo a fidelidade e o clima noir eternizado no discurso.
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Os pontos altos são (evidentemente) os depoimentos de componentes, técnicos, fãs, jornalistas, músicos e amigos diversos. A junção de tudo enriquece com detalhes o nascimento e a consagração da obra, sendo que, qualquer dúvida passa a ser esclarecida e a importância histórica é reafirmada unanimemente. Os pormenores não dizem respeito apenas ao álbum como um todo, mas sim, a atitude dos membros, as letras ácidas, a shows e a cada uma das 14 faixas que compõem o objeto de estudo. Alguns dos nomes mais conhecidos são Kurt Cobain, Billie Joe Armstrong, David Ellefson, Pete Townshend, Krist Novoselic, Henry Rollins, Moby, Jeff Hanneman, Dave Grohl, Al Jourgensen, Thom Yorke, Duff McKagan, Bob Mould e muitos outros.
Dentre as curiosidades, ressalta-se as capas de todos singles, cartazes e flyers de shows, histórias em quadrinhos, detalhes da arte gráfica e todos os selos lançados, seja dos singles ou do próprio vinil em várias versões no mundo.
Destinado a transparecer a significância incontestável deste disco, Alex Ogg alcança seu objetivo com o livro "Dead Kennedys – Fresh Fruit for Rotting Vegetables (Os Primeiros Anos)". Leitura agradável e reveladora, indispensável para história do rock contemporâneo.
No Brasil: Edições Ideal; ano: 2014; tradução de Alexandre Saldanha; 227 páginas.
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