Mate-me Por Favor: obra clássica revela a gênese do punk

Resenha - Mate-me Por Favor

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Por Genilson Alves
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Um dos fenômenos culturais mais controversos da década de 1970, o punk não surgiu com os Ramones, muito menos com os Sex Pistols, e ainda que os debutes de ambos sejam marcos do estilo, a origem do movimento envolve muito mais do que músicas de apenas três acordes e revela fatos e tipos que até hoje são capazes de chocar.

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Para contar o que foi essa primeira encarnação do punk, os escritores Legs McNeil e Gillian McCain decidiram dar voz a alguns dos protagonistas e coadjuvantes desse enredo movido a overdoses de sexo, drogas e rock and roll. O próprio Legs foi um desses personagens, sendo um dos responsáveis pela alcunha do termo 'punk', ao lançar, em 1975, uma revista com esse nome. Os relatos colhidos pelos autores foram reunidos em “Mate-me Por Favor”, obra publicada originalmente em 1996, em pleno 'boom' do revival punk encabeçado por bandas como Rancid, Offspring e Green Day.

A partir de depoimentos de Lou Reed, Wayne Kramer, Iggy Pop, Patti Smith, Dee Dee Ramone, William Burroughs, Debbie Harry e outras figuras polêmicas (algumas já mortas na época em que as entrevistas para o livro foram conduzidas e cujas falas foram extraídas de arquivos), reconstitui-se o período que vai de 1965, com os primeiros passos do Velvet Underground, que abriria as portas para o chamado protopunk (representado por MC5, Stooges, Television, Patti Smith Group e New York Dolls), até 1992, quando o punk já havia se diluído em muitas outras combinações.

Em seus primórdios, o punk tinha uma estreita ligação com as artes. Antes do CBGB, a Factory de Andy Warhol (expoente da Pop Art e padrinho do Velvet Underground); o Max's Kansas City, ponto de encontro da vanguarda nova-iorquina; e a St. Mark's Church, onde Patti Smith fez as primeiras leituras públicas de suas poesias, eram os principais redutos da cena. O movimento só se tornaria politizado ao chegar a Londres, em 1975, pelas mãos de Malcom McLaren, que, após empresariar os New York Dolls, levou para a capital inglesa a estética punk para criar seu próprio grupo, os Sex Pistols. O desemprego e a falta de perspectivas dos jovens na terra da rainha criavam o ambiente propício para a disseminação do novo estilo, que se tornaria a trilha sonora perfeita para a pregação anarquista.

Diferentemente do que aconteceu nos Estados Unidos, onde a maioria das bandas locais não vingou, o punk inglês, apoiado mais no visual e “atitude” do que na música, ultrapassou fronteiras, ganhou as manchetes dos jornais, estampou capas de revistas e virou atração nos programas de TV. Para muitos, o movimento havia se transformado em tudo o que ele deveria combater. Era o começo do fim.

Em 2012, o trabalho de estreia do Velvet Underground ganhou uma edição especial de 45 anos; lançado uma década depois, “Never Mind The Bollocks...”, primeiro e único álbum de estúdio dos Pistols, também teve relançamento comemorativo; e por aqui acaba de sair a autobiografia de Johnny Ramone. A história do punk continua relevante e ainda há muita coisa a ser contada.

No Brasil, “Mate-me Por Favor” foi publicado pela editora L&PM, primeiro num volume único, depois dividido em duas partes no formato pocket. Em tempo: O título do livro foi inspirado em uma frase estampada numa camiseta do ex-baixista do Television e dos Voidoids, Richard Hell.

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Sobre Genilson Alves

Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.

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