Confissões de uma groupie: A autobiografia de Pamela Miller
Por Cristiano Marlon Viteck
Postado em 03 de março de 2005
Desde que Elvis Presley deu as suas primeiras reboladas o rock se mostrou um campo fértil para o nascimento de ídolos capazes de mexer com a imaginação das mulheres como nunca havia se visto no universo da música. Mas até onde vai a adoração do sexo feminino pelos astros de rock? No caso de Pamela Miller a veneração ia até a cama do músico que cruzasse a sua frente e lhe parecesse sexy ou que no momento estivesse em ascensão, lotando estádios durante os shows e vendendo discos como se fossem água.
Sexo - Mais Matérias
Originalmente publicado nos Estados Unidos em 1987 sob o título de "I'm With The Band", o livro "Confissões de uma Groupie" chega agora às livrarias brasileiras sob a batuta da novata Editora Barracuda. A obra é a autobiografia de Pamela Miller, uma das mais controversas personagens dos bastidores do rock do final da década de 60 e início dos anos 70. A sua fama se deve à sua incrível disposição de "entreter" os roqueiros mais famosos da época durante suas turnês. De fã adolescente de Paul McCartney, do tipo que escrevia cartas de amor e sonhava em casar com o seu ídolo, Pamela Miller se tornou amante e confidente de artistas como o "número 1 na minha lista de trepadas fora da realidade" Mick Jagger (dos Rolling Stones), o "impecável pop star" Jimmy Page (Led Zeppelin), o "frenético" Keith Moon (The Who) e "o deus grego que deu errado" Jim Morrison (The Doors), só para citar alguns.
Dona de um comportameto capaz de fazer corar os mais conservadores ainda nos dias de hoje, Pamela Miller pode ser considerada uma das mulheres pioneiras da revolução sexual ocorrida na década de 60 nos Estados Unidos. É claro que o fato de ela ter vivido na Califórnia durante o auge do movimento hippie e do espírito então reinante do "faça amor não faça guerra" ajudou-a a encarar muitas caronas, viagens além-mar e muitas portas na cara somente para encontrar e "entreter" seus ídolos da música.
Mas não são apenas com suas peripécias sexuais que estão recheadas as 270 páginas do livro "Confissões de uma Groupie". A partir de anotações de seus diários, cartas e de um grande esforço de escavação da memória, Pamela Miller traz à tona suas impressões e comentários sobre como era a vida nos bastidores do rock numa época em que a música pop ainda não estava tão contaminada pelo "bom mocismo" que impera hoje na indústria fonográfica.
Relatos de brigas entre artistas, de festas invejáveis e de abusos no uso de drogas não faltam. Há também comentários sobre a performance (no palco, que fique claro) de muitos artistas em pleno auge. "O Led Zeppelin ao vivo era um evento sem igual na história da música. Eles tocavam mais e com mais vontade que qualquer outro grupo já tinha feito, mudando totalmente o conceito de shows de rock", escreve a groupie mais famosa do planeta com a autoridade de quem viu muitas apresentações da banda sentada sobre os amplificadores de Jimmy Page.
É claro que a vida de "garota que sai com caras de bandas de rock" (uma definição curta e grossa do termo groupie) nem sempre era tão colorida. Afinal, correr atrás dos seus ídolos exigia um tempo desgraçado, o que impedia a nossa heróina de ter um emprego fixo o que resultava na óbvia falta de grana - problema que era amenizado com a confecção de camisas de cowboy que eram vendidas para músicos de Hollywood ou trabalhando como babá na casa de Frank Zappa.
Com ou sem grana, Pamela Miller (que virou Pamela Des Barres, depois de se casar com Michael Des Barres no final da década de 70), construiu uma das biografias mais polêmicas, extravagantes e controvertidas da história do rock, onde também tentou deixar a sua marca com a banda de groupies GTO - que acabou dando em nada.
Para muitos, a vida de Pamela Miller poderia ser considerada uma sucessão de contatos íntimos com falos de roqueiros famosos. Porém, ela não aceita essa condição e na sua autobiografia deixa claro que na sua vida não existe espaço para arrependimentos: "eu me considero uma feminista verdadeira do início dos direitos das mulheres, porque estava fazendo exatamente o que queria. Eu amava a música e os homens que a faziam (...). Eu queria estar perto dos homens que me faziam sentir tão bem, e nada ia me impedir". E de fato ninguém impediu, já que nem o mais resistente zíper foi capaz de conter o ímpeto de Pamela em mostrar aos músicos todo o seu amor ao rock 'n' roll, agora revelado para os brasileiros neste imperdível "Confissões de uma Groupie".
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
A opinião de Sylvinho Blau Blau sobre Paulo Ricardo: "Quando olha para mim, ele pensa…"
O disco que define o metal, na opinião de Ice-T
O astro que James Hetfield responsabilizou pelo pior show da história do Metallica
Quando Ian Anderson citou Yngwie Malmsteen como exemplo de como não se deve ser na vida
A banda essencial de progressivo que é ignorada pelos fãs, segundo Steve Hackett
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
Os dois membros do Sepultura que estarão presentes no novo álbum de Bruce Dickinson
Para Ice-T, discos do Slayer despertam vontade de agredir as pessoas
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
Por que Max Cavalera andar de limousine e Sepultura de van não incomodou Andreas Kisser
Box-set compila a história completa do Heaven and Hell
O músico que detestou abrir shows do Guns N' Roses no início dos anos 1990
A lendária banda de rock progressivo que quase anunciou Jimi Hendrix como guitarrista
James Hetfield relembra o momento em que teve que decidir entre o metal e o futebol
Freedom of Expression: o tema do Globo Repórter
A ríspida mensagem que Scott Ian enviou a Kerry King quando soube da volta do Slayer






