A canção "anti-Stones" que os Stones não queriam gravar e se tornou um de seus grandes hits
Por Bruce William
Postado em 19 de fevereiro de 2025
Nos anos 1960, os Rolling Stones estavam construindo sua reputação como uma banda crua e enérgica, influenciada diretamente pelo blues de Chicago. No entanto, uma de suas primeiras composições autorais seguiu uma direção completamente oposta. "As Tears Go By" foi descrita por Keith Richards como "a coisa mais anti-Stones possível" e, por isso, inicialmente nem sequer foi gravada pelo grupo.
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A música foi escrita por Mick Jagger e Richards sob circunstâncias peculiares, relata o Songfacts. O empresário da banda, Andrew Loog Oldham, trancou a dupla em uma cozinha e só os deixou sair quando conseguissem escrever algo original. Richards relembrou o episódio em entrevista à Guitar Player: "Andrew disse: 'Vocês não vão sair até terem uma música.' Estávamos presos com um pouco de comida, alguns violões e sem acesso ao banheiro. No fim, funcionou. Foi ali que começamos a escrever."
Apesar do processo inusitado, a balada melancólica não se encaixava na sonoridade agressiva dos Rolling Stones. Por isso, Oldham decidiu oferecê-la à cantora Marianne Faithfull, que ele também empresariava. Seu lançamento em 1964 transformou-se no primeiro grande sucesso de Faithfull, atingindo o Top 10 no Reino Unido. A versão dos Stones só viria no ano seguinte, após a popularização da canção.
Mesmo se tornando um hit, Mick Jagger admitiu que a letra era incomum para alguém tão jovem. "É uma música muito melancólica para um jovem de 21 anos escrever", disse ele em 1995. "O refrão fala sobre assistir crianças brincando e perceber que você não é mais uma delas. É quase um olhar maduro sobre a passagem do tempo. Mas, naquela época, éramos um grupo de blues e não pensamos em gravá-la. Foi só depois do sucesso de Marianne que decidimos fazer nossa versão."
A gravação dos Stones também trouxe uma particularidade: apenas Mick Jagger e Keith Richards participaram. Jagger assumiu os vocais enquanto Richards tocou violão sobre um arranjo de cordas, sem a presença dos demais integrantes da banda. Era um movimento arriscado para um grupo que, até então, se firmava com faixas de ritmo acelerado e letras provocativas.
Keith Richards recordou que a sensação era estranha. "Estávamos tentando fazer uma boa versão de 'Still A Fool' do Muddy Waters e, de repente, escrevemos isso. Depois, passamos meses escrevendo músicas pop terríveis que estavam se tornando hits. E eu pensava: 'O que estamos fazendo tocando blues e escrevendo essas músicas pop de sucesso?'", contou. Foi apenas com "The Last Time" que Jagger e Richards sentiram que tinham uma composição verdadeiramente no espírito dos Stones.
Curiosamente, o título original da música era "As Time Goes By", mas foi alterado para evitar confusão com a canção do filme "Casablanca". Marianne Faithfull, apesar do sucesso inicial que a faixa lhe proporcionou, nem sempre foi entusiasta da composição. Ela a descreveu como "um retrato comercializável de mim... uma fantasia comercial que apertava os botões certos". Mesmo assim, Faithfull a regravou em diferentes momentos de sua carreira, incluindo uma versão no álbum Strange Weather de 1987 e outra em Negative Capability de 2018.
"As Tears Go By" provou que os Rolling Stones podiam ir além do blues e do rock cru que definiam sua sonoridade inicial. A canção abriu caminho para futuras baladas icônicas da banda, como "Angie" e "Wild Horses", e se tornou uma das composições mais lembradas de Jagger e Richards. O que começou como um exercício forçado de composição se transformou em um dos maiores sucessos da história do grupo.
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