Orquídea Negra: "Somos Frutos de Muita Teimosia, Muitos Sonhos"
Por Carlos Garcia
Fonte: site Road to Metal
Postado em 08 de fevereiro de 2017
Comemorando 30 anos de estrada, o Orquídea Negra vem tendo seus 3 primeiros álbuns relançados pelo selo Dies Irae, em edições com muitos bônus e encartes especiais. Além disso, a banda está preparando um documentário sobre sua história. Um pouco dessa história o baixista Robson Anadon contou em entrevista ao site Road to Metal, onde fala sobre esses 30 anos, e em uma frase sintetizou a história da grande maioria das bandas de Metal: "Somos frutos de muita teimosia, muitos sonhos".
Confira trechos da entrevista, e conheça um pouco mais desta pioneira e grande banda do Heavy Metal nacional, a primeira banda do estado de SC a gravar um LP de Metal.
RtM: Para começar, vamos falar dos primeiros álbuns, que estão sendo relançados, inclusive o debut pela primeira vez em CD, e com vários atrativos. Vamos começar com o "Who’s Dead" (lançado em LP originalmente em 1992, pelo selo Acit), que já está disponível, e muitos poderão ter contato com esse trabalho, que na época vendeu cerca de 5 mil cópias. Descreva pra gente, como foi a sensação de realizar o sonho de gravar o primeiro trabalho, e se vocês esperavam a repercussão que teve na época?
RA: A sensação da primeira vez, seja no que for, é sempre maravilhosa e muito gratificante. Foi algo muito animador para a banda, pois nunca tínhamos entrado num estúdio de verdade antes. Então você pode imaginar uma galerinha nova, cheia de vontade, cheia de sonhos, começando a gravar seu primeiro LP. Coisa antes que só tínhamos em mãos, os dos nossos ídolos, e agora teríamos o nosso!!! Com nossas próprias músicas, que tanto ensaiamos, dia após dia, todas as noites na casa do Boca (vocalista). Foi algo que certamente nos deixou muito felizes, ainda mais por que estávamos em São Paulo, onde tudo acontecia no metal nacional. Sem falar que estávamos sendo produzidos pelos Mário e Wally Garcia, da banda Garcia e Garcia que faziam uma sonzeira infernal na época.
RtM: Conte-nos um pouco mais dessa primeira experiência em estúdio, das gravações, que ocorreram em São Paulo. Como eram as condições?
RA: Fomos para São Paulo, em fevereiro de 92 , passar umas semanas. Ficamos num hotel em Pinheiros (se é que podíamos chamar de hotel), os 5 da banda mais um amigo todos no mesmo quarto, com apenas duas camas. Não lembro em qual bairro ficava o estúdio Macan que era da Márcia Casanova. Era um estúdio de 16 canais, era simples, porém eficiente. Íamos de ônibus todos os dias pela manhã para o estúdio. Fazíamos um lanche por lá mesmo na hora do almoço. Não tínhamos a mínima noção de como era o processo de gravação, se fosse hoje, certamente a sonoridade teria saído um pouco melhor.
RtM: Dificuldades bem típicas da época. E apesar disso você acredita que conseguiram reproduzir no álbum o que vocês queriam e eram em termos de sonoridade?
RA: Tivemos que alugar uma bateria por lá mesmo, que não era de muita qualidade, era super caseira, mas deu para quebrar o galho. As guitarras não foram gravadas com amplificadores (o que não repetiríamos hoje, certamente) foi gravada com um Zoom, que era um pedal de efeitos que nosso guitarrista Vinícius usava na época, que era acionado por um controlador grudado ao corpo da guitarra. Funcionava como um pré amp, pois você podia colocar um fone de ouvido e usá-lo. Ele foi ligado diretamente na mesa. Em termos de sonoridade não posso afirmar que era bem o que queríamos, mas em termos da composição em si, ficou exatamente como queríamos.
RtM: Falando um pouco mais do retorno do "Boca", como foi que se deu essa volta, e acredito que também tenha sido um dos fatores pra trazer um novo ânimo, reativando o núcleo criativo do início, e que culminou no novo disco? E se houve desavenças no passado, foram superadas, e reacendendo a velha química!
RA: Certamente!!! A volta dele nos deu um grande ânimo, pois é um grande compositor. Ele não pode nos ouvir fazendo algum riff que já vem com uma letra e já começamos a compor algo novo, o que é algo natural para nós. O que acontece praticamente em todos os ensaios. Nesse momento já estamos com algumas músicas novas prontas, que serão gravadas em breve, pois a química que rola entre nós é incrível. Todo ensaio rola algum esboço para uma nova música. A entrada do novo baterista (Raphael Marini) também deu uma grande oxigenada na banda, influenciando muito nas novas composições, pois ele vem de uma escola um pouco diferente da nossa, além de ser o mais novo, trouxe muito gás à banda. E sobre desavenças do passado, nunca houve, a amizade entre o André e a banda sempre existiu.
RtM: Fiz uma resenha do "Blood of the Gods", e coloquei que foi "uma espera que valeu a pena", porque realmente é um álbum que tem muitas músicas muito boas, daquelas que dá vontade de colocar no "repeat", e que ficam na cabeça. Você acredita que esse tempo somente compondo e amadurecendo as músicas contribuiu para isso? Somada a vontade da banda em voltar a gravar coisas novas?
RA: Só temos a te agradecer pela excelente resenha, super detalhada. Até nós já estávamos loucos para ter um CD novo em mãos, para podermos ouvir. Pois como disse uma vez em entrevista numa rádio, somos a nossa maior influência. Sobre as músicas novas, na verdade compusemos acho que em questão de meses. Logo após o retorno definitivo do André à banda, já começamos a compor as músicas e a tocá-las ao vivo. Assim como já estamos tocando material novo nos shows, para que o público já vá se acostumando com essas novas músicas. Eu acho que a vontade que estávamos de gravar coisas novas nos fez trabalhar bastante nessas músicas, pois sempre vamos polindo com o tempo, acertando detalhes aqui e ali, vendo o que funciona bem, o que nos agrada. Até que decidimos que estamos todos satisfeitos, que está ok, aí não mexemos mais.
RtM: 30 anos de carreira, qual o sentimento por alcançar essa marca? E o que você acha que poderiam ter feito de diferente, que talvez pudesse ter sido melhor para a carreira da banda?
RA: Pois é, 30 anos não é pouca coisa lutando na independência. Estamos aí, pois somos frutos de muita teimosia, de muitos sonhos. Acredito que logo que lançamos o primeiro trabalho, se tivéssemos nos mudado para um centro maior como São Paulo, e tocado bastante por lá, muita coisa certamente teria sido diferente para nós. Mas acredito que tudo acontece ao seu tempo. Se não aconteceu nada ainda de grande para nós, ou não é para ser, ou ainda está por vir. Vamos continuar na luta.
Confira a entrevista na íntegra no site Road to Metal:
http://roadtometal.com.br/2017/01/entrevista-orquidea-negra-somos-frutos.html
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