Soulfly: turnê com shows de quase 2h, Lemmy, política brasileira e americana

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O SOULFLY está prestes a desembarcar mais uma vez no Brasil. E pra falar com Max Cavalera, tivemos que gastar um pouco do nosso espanhol. Eu explico: Max está no Uruguai, onde se apresentou nesta noite de domingo. Ligamos para o hotel onde ele está hospedado e, depois de balbuciar nosso 'Uno Dos Tres Catorce' conseguimos pedir à telefonista a transferência da ligação para o quarto de Max. Conversamos sobre a turnê, que vai passar por Florianópolis, Rio de Janeiro, Fortaleza, Ribeirão Preto e São Paulo (6, 7, 8, 9 e 10 de abril, respectivamente), além de outros países da América Latina. Falamos sobre a turnê ('quase duas horas em cada show'), mas também falamos sobre Lemmy ('O MOTORHEAD é o pai do Thrash Metal') e as perdas que tivemos na música, além da política brasileira e norte-americana ('Não importa quem vira presidente, acaba sendo corrupto, acaba ferrando todo mundo'). Confira a conversa na íntegra logo abaixo.

Daniel Tavares: Alô, Max. Que aqui é o Daniel Tavares e vou gravar mais esta entrevista para a Metal Militia Web Radio e Whiplash.net. A gente conversou no ano passado sobre o disco, então eu quero saber mais agora como é que está sendo a turnê, o que é que você está achando e como é que vão ser os shows no Brasil. Como está sendo a turnê pela América Latina, o que o público brasileiro pode esperar desses novos shows do SOULFLY? Serão muitas músicas novas?

Max Cavalera: A turnê está sendo legal pra caramba. a gente já fez Colômbia, Peru, Chile, Argentina... Tocamos no Uruguai ontem. Os shows foram super legais, na Argentina foi super legal, lotadão, o povo na super loucura, parecia os anos 80, cara. Eu não tinha visto uma coisa dessas desde a época dos anos 80, o povo na loucura, eu nem conseguia sair do lugar, o povo quase que me destruíram inteiro na saída do lugar lá, arrancaram pedaço. Mas os shows estão super legais estamos tocando uma hora e quarenta que é bem grande. uma hora a quarenta e cinco, assim, que é quase duas horas, trinta músicas tocando tudo da minha carreira inteira, desde coisa velha aos 10 discos do SOULFLY. Acho que 5 músicas do 'Archangel', que é o disco novo, rola um cover do MOTORHEAD que a gente tá fazendo, 'Ace of Spades'. Tem também um lance só eu na guitarra, uns pedacinhos de música que eu Gosto de tocar com a galera, tipo 'Iron Man' do BLACK SABBATH, que eu gosto de tocar com 'Orgasmatron' e 'Polícia', um pedacinho da 'Desperate Cry'. Tem umas jams que a gente faz que é diferente das outras bandas de metal. São essas jams, interlúdio psicodélicos no começo da música 'Tribe', no final da música 'No Hope=No Fear'. Então quando você Mistura isso tudo, os interlúdios, os laços tribais com as coisas rápidas tipo 'Arise', 'Troops of Doom' e 'Frontlines', Ficou show legal pra caramba eu acho que o show tá animal ponto eu tô super feliz eu não vejo a hora de trazer esse show pro Brasil

Daniel Tavares: Massa eu vou ver vocês em Fortaleza na sexta-feira com MATANZA também.

Max Cavalera: Beleza, tá muito legal cara, eu tô super animado. Eu acho que a galera do Brasil não vai ficar decepcionada. Tá uma hora e quarenta mesmo, uma hora e 45. O repertório tá bom pra caramba. eu acho que é uma das turnês que eu mais toquei de todas as minhas turnês é essa aqui.

Daniel Tavares: Muito massa. Estamos ansiosos pra ver. E as músicas novas, do 'Archangel', como é que está a recepção delas durante o show?

Max Cavalera: Ah, super legal. O show começa com 'We Sold Our Souls to Metal' que é um hino, né, de metal. E logo depois a gente toca 'Archangel'. E a gente toca também 'Sodomites' que é uma das músicas mais legais do disco novo. E 'Ishtar Rising'que muita gente gostou também. Então, eu acho que tá uma recepção bem boa. Tá misturado, né? A gente misturou as músicas novas com todas as outras. Então, por exemplo, a gente toca 'Ishtar Rising' e logo depois toca junto 'Blood Fire War Hate'. Então toca 'Archangel' junto com 'Refuse/Resist', bem misturado mesmo. Fica um ping pong assim do novo e do velho, vai indo e voltando. Eu acho que isso que ficou interessante no set, eu acho bem legal.

Daniel Tavares: Você vai tocar 'Ace of Spaces' do Lemmy. A gente perdeu o Lemmy. Perdemos o Keith Emerson, perdemos muita gente boa na música de uns meses pra cá, muito rapidamente . Tem também o Neil Perth, que se aposentou, o RUSH não vai mais fazer turnê. O que é que tudo isso tem significado pra você? Como é que isso tem te afetado, como tem afetado a gente também?

Max Cavalera: É. Afeta todo mundo, né? O lance do Lemmy foi bem triste porque pra mim ele foi uma pessoa muito importante no cenário do metal. Eu acho que, praticamente, pra mim o MOTORHEAD e o BLACK SABBATH são os pais do metal. O MOTORHEAD, principalmente, é o pai do thrash metal, que pra mim é o movimento mais legal do metal, que é o mais rápido, que tem a ver com METALLICA, SLAYER, o EXODUS. E a gente entrou nessa onda também com o SEPULTURA na época, então. E o lance legal comigo foi meu relacionamento com o Lemmy. Eu nunca beijei o cu dele, né? Eu nunca fiquei assim babaceando ele, né? Eu comecei até brigando com ele, né? Na primeira turnê eu fiz uma seção de fotos em que eu tava bêbado e joguei vinho nele. Ele ficou meio puto. No último show a gente entrou pelado no palco, zuando com eles. Então, começou essa relação meio que de guerra entre a gente, mas que ficou legal depois, quando a gente fez as pazes e ficou super bem. Então, eu acho que a minha estória do relacionamento com o Lemmy foi diferente da maioria dos outros grupos. Eu acho isso até legal, então, eu quis fazer uma coisa especial. A gente até começou a tocar 'Ace of Spades' antes dele morrer. A gente começou nos Estados Unidos, foi quando o Philty Animal Taylor, o baterista, morreu. Aí depois a gente começou a tocar ela com a galera do CROWBAR, que é uma banda dos Estados Unidos que fez turnê com a gente. E fomos pela Europa e tocamos com a KING PARROT, a banda de abertura. E viemos pra América do Sul e resolvemos continuar tocando. É um lance bem legal no fim do show. É meio que uma homenagem a eles, ao LEMMY, mas também ao Heavy Metal em geral, porque é uma música muito legal. Eu acho que ela empolga as pessoas, porque ela traz coisas, assim, de lembrar o passado. Quem cresceu ouvindo essa música, adora. Eu achei super-legal tocar ela no fim do show. Eu acho que foi uma coisa que fez o show ficar mais legal ainda.

Daniel Tavares: Mudando um pouco de assunto, você como um brasileiro que mora nos Estados Unidos tem acompanhado a política dos dois países? Essa questão do Brasil, com Dilma, Cunha...E nos Estados Unidos você tem a Hillary, tem o Donald Trump...Inclusive, a turnê do BRUJERIA se chama 'Fuck Donald Trump'. Queria saber se você consegue traçar um paralelo entre as duas políticas. O que é que você vê, como é que você vê a política brasileira, a política do Brasil. E pra terminar, porque a gente está sem tempo, eu queria que você mandasse uma mensagem convidando a galera pra assistir aos shows em todas as cidades em que vocês vão tocar aqui no Brasil.

Max Cavalera: Beleza. Política é foda, né? Eu observo. Eu faço algumas músicas com temas políticos. Já teve algumas músicas antigas, como 'Refuse/Resist', 'Territory', coisas desse tipo. Na geral eu acho que a política é muito suja. É uma coisa muito escrota... aquela coisa da corrupção mesmo. Não tem jeito, não tem jeito de escapar. É uma coisa que é impossível de escapar. Não importa quem vira presidente, acaba sendo corrupto, acaba ferrando todo mundo. É uma coisa meio que... eu só espero, pra mim, eu gostaria que... O Brasil é um país muito legal, que tem muita coisa boa. Muita gente acha que o Brasil é um grande país pro futuro, então eu acho que seria legal... eu já tenho visto até mudanças no Brasil, das vezes que eu tenho visto, de quando eu morava aí, de quando eu era pequeno, pra agora. Eu acho que já está bem diferente, está bem mais avançado. Eu acho que seria bom ter um presidente que gostasse do país, que quisesse arrumar as coisas. Nos Estados Unidos, eu não sei, o Trump eu não gosto não. O cara só fala merda. É muito ignorante e acho que até... eu fico até assim às vezes, é incrível o número de pessoas, os rednecks, os caipiras americanos que gostam dele, pra mim é absurdo isso. Mas eu acho que ele não vai ganhar não porque ele fala muita bosta. [risos] Não vai rolar nada não. Eu tento ficar fora da política. Fuck the politics. Foda-se as coisas políticas e, pra mim, melhor é música mesmo. Música é minha política, é minha religião, o metal. E nessa mesma linha eu queria convidar todo mundo pra ver o SOULFLY, que tá tocando uma hora e quarenta, showzão mesmo, trinta músicas, pra lavar a alma. Quem estiver lá, não vai se arrepender. Vai ser super legal.

Esta entrevista também pode ser ouvida na Metal Militia Web Radio:
http://metalmilitia.com.br/2015/entrevistas/

Leia também nossa outra entrevista com o MAX, feita quando a turnê brasileira ainda não tinha sido confirmada. Nela ele fala mais sobre o novo disco, o que o inspirou, as referências bíblicas e de Game of Thrones e sobre como o SEPULTURA pôs o Brasil no mapa do metal mundial. 'Eu achei até legal o lance de fazer algo assim porque é o mesmo interesse. É um interesse parecido com o que eu tinha na época do 'Morbid Visions'. Sempre tive fixação pela crucificação de Jesus, por isso que na capa do 'Morbid Visions' tem Jesus Crucificado e sempre achei esse lado da Bíblia, do Velho Testamento, essas estórias tipo de Sodoma, as estórias dos anjos do céu, eu acho bem legal, bem interessante.
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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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