Max Cavalera: "Nós mudamos o mapa do metal colocando o Brasil nele"

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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Como em todo dezembro, começam a pipocar as listas de melhores discos lançados no ano. Em algumas dessas listas, "Archangel", disco que vem se juntar à extensa discografia do SOULFLY, o décimo da banda capitaneada por Max Cavalera. Max, considerado um dos artistas brasileiros mais importantes, conversou conosco no mês passado (após a queda do avião russo no Egito e antes dos atentados em Paris) sobre o disco e sobre os planos para o ano que vem (ele quer fazer uma grande turnê no Brasil). Foi também uma oportunidade de trocar de papel com ele e contar-lhe o que me confidenciaram muitos outros grandes nomes do metal. Acompanhe.

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Daniel Tavares: Oi, Max, tudo bem? Aqui é Daniel Tavares. A gente já conversou há um ano ou dois anos atrás. Há uma infeliz coincidência que daquela vez haviam derrubado um avião na Ucrânia e agora derrubaram um avião no Egito. Isso só reforça uma resposta que você me deu daquela vez dizendo que hoje estamos vivendo o pandemônio, que é o nome do seu disco com o CAVALERA CONSPIRACY, não é verdade? O que é que você acha disso?

Max Cavalera - É. Acho que é tudo parte de como tá o mundo com essas extremidades islâmicas causando um monte de problema. O terrorismo é um problema mundial. Eu acho que parte é igual o que eu falei, né? Eu acho que a gente está nessa parte da bíblia, no Apocalipse.

Daniel Tavares: E sobre todas essas referências bíblicas que tem no álbum novo do SOULFLY, que é o principal motivo da nossa conversa hoje. Anjos, a queda de Sodoma, até mesmo o ritual "o reino, o poder e a glória". Isso vindo de quem já teve uma capa como o do "Morbid Visions". Você pode falar um pouco? Isso representa um outro momento mais espiritual da sua vida ou é uma evolução daquela contestação que você fazia naquela época, algo assim?

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Max Cavalera - Eu achei até legal o lance de fazer algo assim porque é o mesmo interesse. É um interesse parecido com o que eu tinha na época do "Morbid Visions". Sempre tive fixação pela crucificação de Jesus, por isso que na capa do "Morbid Visions" tem Jesus Crucificado e sempre achei esse lado da Bíblia, do Velho Testamento, essas estórias tipo de Sodoma, as estórias dos anjos do céu, eu acho bem legal, bem interessante. E o que me deu a ideia pra fazer um pouco desse tipo nesse esquema desse novo disco foi justamente o BEHEMOTH com o disco novo deles que tem uma música que se chama "Blow Your Trumphets Gabriel", que é muito legal. Eu achei meio assim parecido com esse lance religioso, então me deu a ideia de fazer a metade do disco nesse lance mais bíblico e a outra metade com coisas que não tenham nada a ver, com músicas que só tem mais a ver com a realidade de eu amar o Heavy Metal, música que eu amo, que eu faço há trinta anos e por isso que eu escrevi a música "We Sold Our Souls to Metal", "a gente vendeu a nossa alma pro metal". É por causa disso.

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Daniel Tavares: É a que abre o disco. E quando é que vocês vem mostrar esse trabalho no Brasil? Tem algum plano?

Max Cavalera - Ainda não tem nada confirmado, mas eu acho que vai rolar ano que vem, porque esse ano nós já começamos a turnê em Las Vegas, vai até o final do mês. Depois em janeiro vamos pra Europa. E depois da Europa é que nós vamos estar livres. E deve rolar o Brasil. Queria fazer uma turnêzona no Brasil, uma coisa grande, tocar em tudo quanto é buraco. Pra mim seria super legal.

Daniel Tavares: Seria ótimo. Você sabe que sempre vão ser bem vindos em Fortaleza.

Max Cavalera - Ah, eu adoro tocar no Brasil. Principalmente depois da última turnê que o Cavalera fez, que deu pra gente ir em muitos lugares, Santos, Vitória, Sorocaba... deu pra fazer uma estrutura com um ônibus até. Foi super-legal e acho que daqui pra frente vai dar pra fazer mais turnês, vai dar pra fazer mais coisas no Brasil, vai ser muito legal.

Daniel Tavares: Massa. Outro tema do disco é Game of Thrones, não é? A canção "Mother of Dragons" é sobre a Khaleesi, a Danaeris Targaryen, não é? Você é um fã da série, dos livros, assiste à serie ou lê os livros?

Max Cavalera - Não, não leio o livro, eu assisto o programa de TV, a série. Mas esse nome é um apelido que deram à minha esposa. Chamam ela de Mãe de Dragões porque os filhos dela, meus filhos, são meio que considerados dragões e eu fiz uma homenagem a ela e botei a molecada pra cantar. Botei o Richie e o Igor fazendo o vocal e no final tem uma menina do Irã, que é a Anahid fazendo o vocal, que eu achei super legal, conectando com o metal do oriente médio. Ficou um lance meio duplo, sentido duplo. É uma música pra ela, mas é também um lance que eu adoro, Game of Thrones, que eu gosto pra caramba.

Daniel Tavares: Legal, eu não sabia que tinha a ver com ela também. Eu ia justamente perguntar sobre eles, você tocando com seus filhos, com o Igor, com o Richie, com o Zyon, que já toca bateria com o SOULFLY, como é que é a experiência de tocar com toda a família?

Max Cavalera - Ah, é super legal, né? Já é o segundo disco com a gente. Ele ficou bem melhor no "Archangel", tá tocando melhor. E ao vivo tá detonando.Cada noite está tocando melhor. E o legal é que ele não repete as coisas de bateria que ele faz. Cada noite ele faz diferente. E é isso que eu acho legal dele. Ele é um baterista bem criativo. E o Richie tá tocando com a gente com a banda dele que é o Incite, tá abrindo o show com o Crowbar. É super legal. E o Igor tá em casa, não veio nessa turnê, mas ele tá com o Lodi Kong, que é a banda dele com o Zyon. Vai sair o disco deles no ano que vem e espero que também dê certo pra eles, pra eles começarem a carreira deles também.

Daniel Tavares: E numa época em que a música tem perdido um pouco do seu valor (não que tenha perdido o valor, mas que tem ficado mais fácil de consumir e um pouco até descartável), o SOULFLY rema contra a maré e lança discos com uma grande regularidade. De onde é que sai toda essa criatividade?

Max Cavalera - Essa aí é minha própria energia, minha vontade de continuar, de ficar ocupado, fazendo projetos e, por isso que eu estou em até três projetos agora, o SOULFLY, o CAVALERA CONSPIRACY com o Igor e o KILLER BE KILLED, que é um projeto com os caras do MASTODON e do DILLINGER SCAPE PLAN. Pra mim é muito legal ficar ocupado, lançando disco, eu acho que eu vou levar mais leve daqui pra frente, vou um pouco mais devagar, não vou lançar disco mais tão rápido. Ano que vem eu acho que eu vou só fazer turnê com o SOULFLY, ano que vem não vai sair nenhum disco, mas tenho ainda planejado o segundo do KILLER BE KILLED e o quarto do CAVALERA CONSPIRACY que também tá agendado pro futuro e um outro do SOULFLY. São os projetos aí pela frente. Vamos levando.

Daniel Tavares: E todos eles são bons.

Max Cavalera - Obrigado, obrigado.

Daniel Tavares: Haha. Você sabe disso. E quanto ao KILLER BE KILLED, tem algum plano pros palcos num futuro próximo? Eu acho que vocês não fizeram nenhum show ainda, fizeram?

Max Cavalera - Fizemos uma turnêzinha na Austrália. Foi um festival que se chama Soundwave. Foram duas semanas e fizemos alguns shows também com o LAMB OF GOD, só a gente abrindo pra eles. Foi bem legal. O pessoal adorou. Eu acho o KILLER BE KILLED bem interessante. É bem diferente de tudo o que eu faço. Eu canto menos nele e dá pra ficar no palco mais zoando mesmo, pulando de um lado pro outro, não precisa ficar cantando a cada segundo em toda música. Tem a participação também do Troy e do Greg, que é legal. E agora a gente está com o baterista do CONVERGE. Espero que role pelo menos um ou dois shows do KILLER BE KILLED no Brasil. Eu gostaria de levar o projeto pros fãs brasileiros verem pelo menos uma vez.

Daniel Tavares: Eu vou te fazer uma pergunta que tem a ver com outras entrevistas que eu tenho feito. Sempre que eu vou entrevistar um artista internacional eu pergunto que artista brasileiro teve alguma influência na música deles, ou que eles gostem, que escutem em casa. No seu caso, quando eu te entrevistei da outra vez, eu só mudei um pouco a pergunta e perguntei que artistas nordestinos você escuta. Só que agora é uma oportunidade de eu te dar um resultado dessas perguntas que eu tenho feito pra algumas dezenas de outros artistas. Todos eles, é, alguns falam do ANGRA, outros falam do KRISIUN, o CJ RAMONE falou dos RATOS DE PORAO, que é punk como ele, o MARTY FRIEDMAN mencionou o SÉRGIO MENDES, um outro artista falou de um cara que toca música eletrônica, mas houve uma unanimidade. Todos esses artistas falaram do SEPULTURA. MACHINE HEAD, ANATHEMA, OPETH, TURISAS, o ex-SLAYER Dave Lombardo, SONATA ARCTICA, todos eles dizem gostar ou ser influenciados pelo SEPULTURA. E eu estou tendo a oportunidade de falar isso agora. Eu acho que isso não é novo pra ti, mas como é ser tão importante, ter participado da estória de tanta gente não só no Brasil como no mundo inteiro?

Max Cavalera - Ah, é super legal. Eu tenho bastante orgulho. Inclusive eu tava vendo uns vídeos antes da minha turnê começar, pra ficar um pouco mais empolgado. Eu assisti bastante vídeo antigo, vídeos de 94, de 91, a maioria das coisas que já rolou no passado e me deram bastante inspiração. Foi legal. Foi uma banda bem importante no cenário metal mundial, trouxe bastante coisa nova, a gente mudou o mapa mundial do metal botando o Brasil no mapa.

Daniel Tavares: Inclusive o vocalista do TURISAS disse que vocês inventaram o Folk Metal.

Max Cavalera - Ah, que legal saber disso.

Daniel Tavares: Pra gente terminar, queria que você deixasse uma mensagem para os ouvintes da Metal Militia e um abraço pros leitores do Whiplash.

Max Cavalera - Pra galera do METAL MILITIA um abração do Max Cavalera aqui. E também pro Whiplash, um abração aqui do Max. E a gente se vê ano que vem.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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