Sonata Arctica: preparem-se para acabar seus pulmões de tanto cantar

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Em fevereiro, o Brasil vai receber os finlandeses do SONATA ARCTICA para uma das maiores turnês de uma banda estrangeira em nosso país. São dez shows confirmados e Fortaleza é a porta de entrada para o nosso país. O primeiro show acontece em 21 de fevereiro, no Complexo Armazém, nos arredores do Centro Cultural Dragão do Mar. No dia seguinte, 22, a banda se apresenta no Clube Internacional do Recife. Em seguida, Manaus, Limeira (SP), Osasco (SP), São Paulo (capital), Belo Horizonte, Rio, Curitiba e Porto Alegre completam a rota de Tony Kakko, Tommy Portimo, Elias Viljanen, Henrik Clingenberg e Pasi Kauppinen em nosso país, antes de mais alguns shows em outros países da América Latina. Conversei com Tony sobre esta turnê, além de diversos outros assuntos, como o livro recém publicado e os dois discos lançados no ano passado, "Pariah's Child" e a regravação do "Ecliptica". Você confere a conversa logo abaixo.

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Em primeiro lugar, obrigado pela oportunidade. É um prazer e uma honra falar com vocês. Esta será a sua turnê mais longa no Brasil. Muitos fãs por todo o país ficaram muito contentes quando souberam das notícias mais recentes e ansiosos para vê-los nos palcos. Quais são os seus sentimentos neste momento quando vocês estão prestes a retornar ao Brasil para tocar em tantas cidades para tantos plateias?

TK: A banda inteira está em chamas por causa disso! Neste momento, estou aproveitando a temperatura de -27C/-16F e a natureza está tão bonita. Em breve nós vamos ter uma mudança brusca de temperatura, mas a natureza vai ser tão bonita quanto agora, mas de uma forma diferente. Felizes por visitar alguns novos lugares e também por ter alguns dias sem shows por aí, de forma que possamos ter alguns momentos de folga. Mas, certamente, o principal são os shows. Estou excitado. Simplesmente. Não posso esperar pra ver todos vocês!

Eu acredito que vocês vão focar a turnê em dois álbuns (o mais recente, "Pariah's Child", e o primeiro mas regravado "Ecliptica"), apesar de que muitos hits dos álbuns entre um e outro não devam ser deixados de lado. O que mais os fãs podem esperar desses shows? Alguma surpresa? Uma cover ou canção inédita?

TK: Sim, esta é a estrutura, esqueleto sobre o qual construímos nosso show. Mas naturalmente nós vamos tocar alguma coisa pelo menos de quase todo álbum. Vocês vão ter um show sólido e cheio de rock do SONATA e preparem-se para acabar seus pulmões de tanto cantar. Vocês sempre fazem isso, então eu acho que vai ser grandioso. Surpresas? É difícil dizer. E, ei, seria uma surpresa se eu te deixasse saber? Haha! Nós não temos tocado nenhuma cover por um longo tempo, então eu acho que isto não vai acontecer. E quanto a canções inéditas, infelizmente a Internet arruinou a experiência do fã. Você toca uma canção inédita, inacabada e ela vai pro YouTube pra todo mundo ouvir na mesma noite. Isso arruína a coisa toda. As bandas não querem que o mundo ouça as as canções pela primeira vez em uma forma não acabada. Mas, ei, os fãs ficam selvagens às vezes. Nunca se sabe o que vocês nos inspiram a fazer! Haha!

Uma turnê como essas pode servir como boa motivação (e também fornecer material) para um DVD (ou mesmo para um DVD duplo/blu-rau com ambos os álbuns sendo tocados na íntegra). Existe algum plano para isso ou algo semelhante?

TK: Por enquanto não. Mas talvez depois do próximo álbum nós possamos fazer algo como isso outra vez. Seria legal ter a formação atual da banda em vídeo também.

E quais são os seus planos para este ano novo, depois que terminarem a turnê?

TK: Nós vamos tirar um mês de férias, e então teremos uma turnê pequena na Europa, seguida do Japão. Junho e agosto é a temporada de festivais e depois disso vamos tirar algum tempo de folga. Eu preciso de uma pausa. Nós nunca realmente tivemos nenhum tempo de folga de verdade com o SONATA desde que eu consigo me lembrar. Quando a turnê do "Stones Grow Her Name" terminou, nós começamos a ensaiar para o próximo álbum imediatamente, então já faz alguns anos. Eu realmente preciso de uma boa folga para relaxar, limpar minha mente de tudo, trabalhar no próximo álbum do SONATA em paz e em outros projetos também. Eu espero começar a trabalhar no próximo álbum do SA no começo de 2016, talvez.

Esta é a primeira vez que vocês vão tocar em Fortaleza, minha cidade, e eu estou entre os muitos fãs que não podem esperar para vê-los ao vivo. O que vocês podem nos dizer sobre este show em particular, que, pelo que sei até agora será o primeiro da turnê? Vocês terão tempo para ver nossas praias? Se sim, deixe me dar-lhe um conselho, preparem-se e tragam muito filtro solar.

TK: O primeiro show. Eu espero que tudo corra bem. Haha! Mas realmente não tenho nada ainda para falar sobre ele. Nós estamos quase embarcando em nossa pequena turnê na Finlândia em dois dias e a turnê latino-americana vai tomar forma durante ela, então... Nos vemos em Fortaleza, com filtro solar!

E sobre o show de São Paulo. Qual é o seu sentimento ao voltar para uma das maiores cidades do mundo?

TK: Sempre grandioso! Nós temos um grande grupo de fãs que sempre vem para os nossos shows. Eu espero ao menos uma vez sair e dar umas voltas pela cidade lá. Eu e Pasi especialmente gostamos de ver os lugares mais de perto, ao invés de apenas o hotel, restaurante e o local dos shows, hah!

Vocês saíram de uma pequena cidade da Finlândia para tocar em todo o mundo, na Europa, no continente americano, no Japão. Existe algum lugar em que vocês ainda não tenham estado e gostariam de visitar?

TK: Sim, um monte de cidades em todo o mundo. A Antártica está provavelmente fora do alcance mas a África é o continente que mais provavelmente sentimos falta e eu estou certo que conseguiríamos encontrar um lugar para tocar lá também. A Islândia seria legal de visitar também. Ah, o mundo é cheio de grandes lugares e países e nós só vimos uns 50 países dos cerca de 200, isso sem mencionar as cidades...

Como você vê a recepção do "Pariah's Child", pelos críticos e pelos fãs? Existe algum conceito por trás dele (além de trazer de volta os lobos)?

TK: O feedback tem sido ótimo. Muitas pessoas parecem apreciar o fato de que ele está no estilo que todo mundo considera o SONATA ARCTICA que o álbum anterior. Nós quisemos trazer esses "elementos perdidos" de volta, fazê-lo metal novamente e eu acho que conseguimos. Ele pavimenta o caminho para o próximo álbum do SA.

E por que vocês tomaram a decisão de regravar o "Ecliptica"?

TK: A ideia veio do nosso selo no Japão, com quem nós temos trabalhado em toda a nossa carreira. Então, como uma forma de agradecimento a eles, nós decidimos topar. E, naturalmente, a Nuclear Blast também o quis, fazendo disso um lançamento mundial de repente. Então, sim. É uma celebração dos nossos 15 anos.

"Blank File", do "Ecliptica" e agora novamente no "Ecliptica: Revisited; 15th Anniversary Edition", é uma canção que poderia ter sido escrita há dois ou três anos atrás. E é um tema que vocês revisitam de vez em quando. É assustador que esta letra, escrita lá no final dos anos 90, seja ainda mais atual nos dias de hoje. O que vocês podem dizer sobre esta canção em particular e sobre o tempo em que estamos vivendo agora? 1984, de George Orwell está se transformando em realidade na forma de redes sociais, câmeras de segurança, anúncios sensitivos e mídia social?

TK: Sim, pode me chamar de Nostradamus... E esta não é a única vez em que eu tenha escrito uma canção e possa vê-la hoje de uma forma diferente da que eu via quando a escrevi, mas eu acho que, neste sentido, "Blank file" leva o título. Eu estava um pouco à frente do tempo naquela ocasião, mas já era um pouco óbvio onde tudo aquilo iria levar. Eu só não pensava que aconteceria tão rápido. Naquele tempo eu estava com muita raiva daqueles cartões de bônus e coisas assim que permitiam que as empresas coletassem informações sobre seu comportamento de consumo e mandavam folhetos de anúncios e coisas assim de acordo com o que eles pensavam que lhe interessaria, de acordo com a informação que coletavam. Eu acho que já é 1984. Eles só estão nos cozinhando como sapos aqui, tão devagar que nós nem podemos perceber. (N.T. A expressão original "boiling frogs" é uma anedota que ensina como cozinhar um sapo vivo. Se você colocar um sapo em uma panela de água fervendo, o animal pula fora. Mas, se você colocá-lo em água fria, sendo aquecida lentamente, o sapo vai cozinhar até a morte. Não, não estamos isso para nenhum dos nossos leitores.) Quantos de vocês carregam um smartphone? Vocês sabem qual o tipo de informação que ele manda para o "Big Brother". Oh, bem, por que uma pessoa normal, honesta, sem nada a esconder iria se importar e se preocupar. Afinal, todas essas bugingangas são tão divertidas! Certo? Certo?

Vocês gravaram dois álbuns em menos que um ano com esta nova formação, apesar de que um deles é a regravação da qual estamos falando. Vocês também lançaram um eBook. Como as coisas estão indo entre vocês todos? Podemos esperar mais outros discos depois desses dois?

TK: Nós tivemos um ano muito, muito cheio de qualquer forma. Com outros projetos incluídos, eu passei metade do ano longe de casa, trabalhei no livro, em dois lançamentos de discos, alguns projetos extra... então eu acho que é um resultado bastante bom para um ano. Não temos nada em vista por enquanto, além de fazer turnês, é claro. A banda está indo bem demais e estamos gostando de trabalhar juntos. Fazer turnês está mais divertido do que tem sido em um longo tempo. A vida está boa no acampamento do SONATA.

Existe algum plano para lançar o "Paasilinna" em cópias físicas? (N.R. "Paasilinna é o eBook lançado pelo SONATA ARCTICA contando a sua história) O que mais você pode nos contar sobre esse livro?

TK: Apenas em finlandês por enquanto. E ele parece muito bom! Haha! Eu acho que versões em outras linguagens vão ser apenas eletrônicas, infelizmente. Mas isso é algo que nós ainda temos que ver. Eu acho que é uma boa leitura, oferecendo muita informação para fãs novos e velhos e, o mais importante, pelo que eu sei, ele permite que membros antigos como Jani contem o lado deles da estória, então eu posso FINALMENTE dizer pra todo mundo perguntando aquelas questões de novo e de novo e de novo que apenas leiam o livro. Isso é um alívio. E sim, ele também inclui minha curta estória. Eu espero que vocês gostem de nossa pequena viagem na estrada da memória.

E sobre música brasileira, eu sempre pergunto isso para quem entrevisto, existe algum artista que você conheça e goste? Algum artista brasileiro também lhes influenciou? Você já teve a oportunidade de ouvir o novo álbum do ANGRA?

TK: O que eu conheço mais é o ANGRA, cujo novo álbum eu ainda tenho que ouvir. E SEPULTURA. Mas é só isso que me vem à mente. Eu não acho que tenha tido qualquer influência de nenhuma das duas, mas, de uma certa forma, tudo me influencia de alguma maneira, então... Eu gosto do ANGRA e de pelo menos um pouco do material do SEPULTURA, apesar de que esta não seja a minha especialidade. Eu não pude escapar do "Roots" quando foi lançado, haha!

A Ouergh Records lançou um álbum tributo com a participação de muitas bandas como XANDRIA e VAN CANTO. E INNVEIN (da Argentina). Como vocês se sentem com essa homenagem, uma prova que vocês também influenciaram na música de outras bandas?

TK: Enquanto é certamente uma grande honra, e também um pouco confuso e de certa forma me deixa parado de surpresa, se você me entende. Nós já temos realmente feito isso por tempo suficiente? Nós já atingimos a idade dos tributos? Parece bom. Isso me dá o sentido de que nós conseguimos deixar uma marca, fazer a diferença e talvez acender a chama na música de nossos colegas mais jovens, dentre os quais alguns já atingiram tanta fama que nós só podemos sonhar. É...legal. Mas nós ainda não terminamos! Há mais para vir. Vamos ter esta conversa novamente em quinze anos, podemos?

Nós chegamos ao fim da nossa entrevista. Por favor, deixe sua mensagem para todos os fãs brasileiros do SONATA ARCTICA, especialmente para aqueles que vão comparecer aos seus shows.

TK: Brasil! Nós sentimos a sua falta! Que bom ver vocês todos outra vez. Se você ainda não comprou seu ingresso, faça isso hoje. Estaremos aí sem demora. Vamos fazer tanto as nossas noites, quanto as suas noites, noites a serem lembradas! Nos vemos em breve. Muito amor!
Cheers,
~Tony




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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