Lápide: a força do Thrash Metal no Sul

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Por Vicente Reckziegel, Fonte: Witheverytearadream
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Algum tempo atrás realizei uma entrevista com a banda Panic, uma das principais bandas metálicas do sul do país, que firmou seu nome no cenário e para todos que apreciam um grande Thrash Metal. Mas o que isso tem a ver com esta entrevista com a banda Lápide? Tudo, visto que ambas possuem a mesma formação. Mas Gabriel Siqueira (Baixo e Vocal), Eduardo Martinez (Guitarra) e Hercules Priester (Bateria) conseguiram algo que poucos tem a "manha": Mesmo com estilos próximos, ambas possuem sonoridades distintas, o que transfere ainda mais respeito para este "power trio". E aqui eles falam sobre o passado, presente e o futuro da banda, a longa gravação do grande "Over the Grave", e demais aspectos da música e do cenário musical, o que originou uma entrevista muito bacana. Confiram que vale a pena...

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Vicente - Vamos começar falando sobre o mais recente disco da banda, o "Over the Grave". Como foi a gravação e a composição do álbum?

Hercules Priester: Compor o Over The Grave foi uma experiência incrível, foi tudo muito natural, muitos ensaios fazendo loucuras e aproveitando todos os riffs, levadas de bateria e vocal. Poder fazer composições com Eduardo Martinez, que dispensa comentários, foi muito gratificante. Foi quase um ano de composição e mais uns 3 meses de ensaio a mil, tipo umas 4 horas por dia e 7 dias por semana, isso foi fundamental para conseguir a qualidade do 'Over the Grave'. Ter a produção de Marcello Pompeu e Heros Trench do Korzus foi fundamental para a qualidade do disco. Ficamos praticamente mais de 1 mês em São Paulo alojados no estúdio Mr Som para poder alcançar nosso objetivo. Tenho certeza de que, quem ouvir o 'Over The Grave', vai encontrar um Thrash de primeira linha. O melhor disso tudo é ter saído do Sul para gravar o disco em um estúdio totalmente desconhecido por nós da banda e conseguir ter o respeito de todos os que ouviam a qualidade do trabalho que estava sendo feito, isso não tem preço, e ainda ter se aventurado em outro estado, coisa que muitas bandas não conseguem, é de encher de orgulho a todos nós da banda e o a cena Thrash do Sul que representamos com muita dedicação e respeito.

Eduardo Martinez: Conheci o Pompeu em 1991 quando trouxe o Korzus para o primeiro e, até agora, único show da banda em Porto Alegre, e o Heros durante a gravação do disco 'The Reason of Your Conviction' do Hangar em 2006, tive certeza de que no estúdio Mr Som teríamos um resultado tão bom quanto o de TROYC. Parte do álbum estava pronta quando eu entrei na banda e cerca de metade do material eu compus junto; algumas músicas junto e outras praticamente sozinho, como 'Alone In The Crowd', 'Human Hunt' e 'All You Can Buy'; os arranjos são de todos os integrantes. Hércules gravou as baterias, primeiro com uma grande força do brother Aquiles Priester, que emprestou uma Mapex Orion que tem um som incrível! Depois gravei os baixos e os solos. A mixagem foi do Cristiano 'Alemão' Schneider e masterizamos no Mr Som. Por alguma razão as linhas vocais do Rogério não estavam todas prontas e o Pompeu ajudou muito nesta parte, fazendo muito além do dever, praticamente como um integrante da banda. Um eterno muito obrigado ao Pompeu e ao Mr Som, por ter nos recebido desta forma e pelo total envolvimento com o trabalho, os caras são muito profissionais e merecem os prêmios que recebem pelos discos que produzem.


Vicente - E a reação dos fãs e da mídia especializada, foi a esperada por vocês?

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Hércules: Quem ouviu Over The Grave, ficou surpreso com a qualidade do disco, tivemos muitos meios de divulgação pelo Brasil que fizeram elogios rasgados do disco e isso foi incrível, pois ficamos felizes em ter conseguido passar a mensagem de que o metal do sul é realmente fabuloso, recebemos até hoje elogios pelo CD gravado.

Martinez: Quem gosta de Thrash, ouve e bate cabeça do início ao fim! As pessoas que me dizem que gostam da banda são pessoas que realmente conhecem e apreciam o estilo; músicos, headbangers e caras que fazem parte do início deste tipo de som lá nos anos 80. As composições em 'Over The Grave' são boas, o disco está bem produzido e colocamos nossa alma neste trabalho. Seria ótimo que o mundo inteiro ouvisse, mas nem tudo é para todos.

Vicente - Vocês tiveram alguns convidados de peso nas gravações, certo?

Hércules: Certo, tivemos vários convidados para o disco, mas o melhor disso tudo é ter acontecido naturalmente, pois quem passava pelo estúdio observava o que estava acontecendo, então esses convidados foram todos se encaixando com o tempo que passamos lá e com a convivência com todos, repito: foi algo incrível! Todos estavam focados no resultado final, foi maravilhoso.

Martinez: Sim, vocais de Marcello Pompeu, Nando Fernandes e Vitor Rodrigues, e solos de Heros Trench.

Vicente - O disco tem grandes músicas, como Alone in the Crowd (essa com um riff espetacular de guitarra) e Bleeding Soul. Quais seriam as músicas que indicariam para quem quer conhecer mais sobre o som da banda?

Hércules: Você falou em duas músicas preferidas por todos da banda, realmente você conhece um bom Thrash metal (risos), mas posso, além de recomendar o disco todo, indicar 'Home War Drug Rules' e 'Human Hunt' que são minhas preferidas, tamanco sem couro, som direto e reto.

Martinez: Obrigado pelas palavras, gosto daquele riff também, é direto e reto e o vocal do Pompeu ficou animal junto com o do Rogério. Gosto especialmente das frases 'don't think too much' e 'life is not a flower', ouçam este som!

Siqueira: Todas citadas são matadoras, mas, pessoalmente, me empolgo muito tocando e cantando 'Mortal Dance' e 'Bleeding Soul'.

Vicente - E como imaginam o futuro da banda. Quais são seus próximos objetivos?

Hércules: Temos como objetivo divulgar a banda cada vez mais. Recebemos muitos contatos para shows e estamos com a banda coesa com a formação atual, para detonar muita pancadaria ao vivo como sempre fizemos, com muita garra e suor, quem já foi em um show sabe do que estou falando. Quem ver no futuro um show da Lápide vai se impressionar com a qualidade do som da banda. Penso também em fazer um disco novo em breve, com a qualidade superior a do Over the Grave.

Martinez: A Lápide agora é um trio com Gabriel Siqueira no vocal e baixo, por sinal, ele adora falar sobre isso.

Siqueira: A intenção é dar continuidade com material novo, mantendo o Thrash Metal característico da banda. Este ano estamos com o repertório que comemora os 20 anos do Best Before End da Panic. Tanto eu quanto o Hércules nos sentimos privilegiados por estarmos fazendo parte disso, pois curtimos demais o som da Panic. Mas a Lápide está pronta pra tudo, quem quiser entrar em contato conosco, convidar-nos para tocar o repertório da Lápide em algum evento ou festival, ou mesmo quiser adquirir o Over The Grave, pode entrar em contato pelo e-mail [email protected] . Tenho certeza de que quem procura um Thrash Metal de qualidade para ouvir irá gostar do álbum. Eu que não era da banda na época do lançamento do disco, lembro de ter ficado impressionado com as músicas desde a primeira vez que ouvi e balancei muito a cabeça, toquei air guitar e air drums ouvindo, até que tive a sorte de estar no lugar e momento certos, e surgiu a oportunidade de tocar e cantar esses sons com a banda e também participar da Panic.

Vicente - Para quem ainda não conhece o motivo, por que o nome Lápide?

Hércules: Quando formamos a banda em 1992, o time era Hércules (bateria), Rogério Zebrão (Guitarra), Rogério Pires (Baixo) e Alex Marques (vocal), combinamos que quem tivesse o melhor nome ia ser o nome da banda, aí o Zebrão trouxe o nome que vai ficar por resto da vida.

Vicente - O Thrash Metal vive uma grande fase novamente, após alguns anos "esquecido", em detrimento de outros estilos. Como vocês vêem o estilo nos dias de hoje?

Hércules: Realmente o Thrash ficou esquecido por algum tempo, e o motivo não sei até hoje. Hoje em dia está em alta e espero que fique assim para sempre!

Martinez: Pela minha experiência pessoal, os caras que ouviam Metallica, Slayer, Megadeth, Anthrax... em 1985, ouvem isso até hoje e ainda têm a mente aberta para outros estilos.

Siqueira: Não só o Thrash! Todas as vertentes do Metal continuam tendo em seu público e bandas aquelas pessoas que acreditam no movimento, no som, na atitude, na cena... Muita gente que aprecia praticamente todas as formas existentes de música pesada.

Vicente - E quais são as bandas novas do estilo que chamam a atenção de vocês, tanto no Brasil como no exterior?

Hércules: Cara tem muita banda boa por ai, cito uma tal de banda Lápide...(risos) muito boa, mas gosto muito de Claustrofobia, Torture Squad, The Haunted e Dew Scented; claro que deve ter faltado mais algumas, mas me lembro dessas como referências.

Martinez: Não só de thrash e nem tão novas, mas tem muita coisa boa por aí: Leviaethan, Hangar, Korzus, Krisiun, Sepultura, It's All Red, In Torment, House of Bones, Tagma, Fermo, Gaijin Sentai, Sastras, Venus Attack, Zerodoze.

Siqueira: Brasileiras, gosto bastante de Nervosa, Voodoo Priest e Violator. Estrangeira gostei de Hatriot. Destaco os trabalhos de bandas que já tem um tempo de estrada, como o Hangar, Heavy Metal de qualidade! A It's All Red, banda de Metal/Hardcore dos meus irmãos Renato e Rafael Siqueira, estão mandando muito bem um peso. Muito orgulho dos caras e dessas e de tantas outras bandas irmãs. As bandas dos brothers aqui da região. Hangar, It's All Red, Asper, Leviaethan, Carniça, Sarcástica, Sacrário, Hibria (banda para qual recentemente tive o prazer ter trabalhado de roadie, ótimo som, ótimos músicos e muito gente boa), Non Conformity, Natural Chaos, Grosseria, Distraught, Scelerata, Armon.

Vicente - Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Pantera:
Hercules: Uma banda muito animal, uma puta injustiça com o acontecido.

Martinez: Sem palavras. Com o Pantera teríamos o Big Five.

Siqueira: Uma banda única. Saudades dessa época.

Judas Priest:
Hércules: Riffs de muita qualidade e bom gosto, além de ter uma batera fora do comum.

Martinez: Fui em dois shows e a banda é absoluta.

Siqueira: A banda que mais ouvi na vida.

Testament:
Hércules: Curto muita essa banda, destaco o disco gravado com Dave Lombardo, "The Gathering".

Martinez: Big Six!

Siqueira: Demais! Thrash de primeira!

Korzus:
Hércules: Uma banda que escuto a muito tempo, e a cada disco novo se mantém sendo uma das melhores bandas do Brasil e do mundo.

Martinez: Os riffs que eu gostaria de ter composto.

Siqueira: Guerreiros Do Metal!

Leviaethan:
Hércules: Do caralho! Fui em muitos shows deles aqui no sul, a pegada da banda com o vocal do Flavio Soares fica matadora.

Martinez: Toquei 1 ano com Flávio, Denis e Ratão e foi um incrível! As músicas são muito extremas.

Siqueira: Também assisti bastante aos shows, grande exemplo, brothers!

Vicente - Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Lapide, e para aqueles que recém estão conhecendo a banda, e gostariam de saber mais sobre sua música e apostam no Metal nacional.

Hércules: Quero agradecer as pessoas que fizeram parte destes mais de 20 anos de estrada com a Lápide, com o apoio de muitos fãs e amigos espalhados pelo Brasil afora, agradeço muito a todos que, além de apoiar a banda e frequentarem os shows, ajudaram a banda comprando materiais em shows e pela internet, pois isso ajuda uma banda a crescer muito aqui no Brasil, como todos sabem, é difícil manter uma banda por tanto tempo. Para quem não conhece a Lápide muito bem, tem muitos sons do Over the Grave na internet, pode ter certeza que ao ouvir o som da Lápide você se tornará fã. Quero agradecer ao espaço do Witheverytearadream e do Whiplash e de sua dedicação ao metal, Vicente, pessoas como você precisam aparecer todos os dias no mundo e fazer esse trabalho com muita dedicação e orgulho, é o apoio que todas as bandas precisam ter para serem divulgadas, parabéns! Finalizando, quero deixar meus sinceros agradecimentos a todos que em breve vão poder ver essa matéria, e dizer que a Lápide esta mais viva do que nunca e podem aguardar que em breve vai sair um disco muito animal e o retorno aos shows pelo Brasil, com o apoio de todos os Headbangers espalhados por ai, continuem sempre apoiando o Metal, sem vocês seria impossível continuar nessa batalha, obrigado pela atenção e pela oportunidade.

Martinez: É um prazer estar de novo no Witheverytearadream e no Whiplash, que sempre defenderam o verdadeiro metal. Espero vê-los todos quando for tocar, pois este é o sentido disso tudo.

Siqueira: Primeiramente eu devo agradecer aos meus colegas Martinez e Hércules, é uma puta responsa e uma grande honra trabalhar com esses caras, e ter esta amizade e confiança, ter a oportunidade de tocar as músicas da Panic e da Lápide, bandas com as quais tive contato há muito tempo. Eu sou amigo dos caras desde a época em que Lápide era formada por Zebrão, Rogério e Hércules, nos anos 90 estive em várias excursões para shows da Lápide em outras cidades, ao lado da Malediction, banda onde tocavam meus irmãos. No meio do público, eu sempre cantava junto o refrão clássico da Lápide na música 'Domain', "to kill, to die!". Eu conhecia a rapaziada que integrava a Panic na época do Best Before End, que tinha como vocalista o meu amigo Paulo Neto, a quem agradeço por ter me colocado na jogada no momento em que ele não pode mais dar continuidade em seu retorno a Panic, e também foi quando a Lápide já estava sem o Rogério.

Gratidão eterna às bandas que mais me influenciaram, Panic, Lápide, Rebaelliun, Leviaethan, Vômitos e Náuseas.

A todas as bandas que bem representam o Metal, o Punk, o Hardcore, o bom e velho verdadeiro Rock'n'Roll, a toda rapaziada que ouve os discos, frequenta os shows e apóia o Metal de alguma forma, em programas de rádio, em rádios na web, em zines, em blogs e sites. Quero ver todo mundo agitando nos shows! E também agradeço a ti pela entrevista, mais uma vez, brother Vicente. Um grande abraço!




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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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