Hellscourge: uma sonoridade velha, analógica e Low-Fi

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Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
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Soar o mais enraizado possível, focar no Metal extremo primitivo e se desvencilhar de frescuras. Esses são alguns dos objetivos da dupla gaúcha do Hellscourge. Formada por Mayhemic Omen (guitarra/baixo) e Hellcommander (vocal/bateria), a ‘banda’ surgiu para saciar a sede daqueles mais conservadores e que estão fartos do Metal ‘bonitinho demais’. Divulgando seu segundo álbum, "Unmerciful Blasphemies", lançado ano passado, o duo deixa bem claro que seus objetivos também são simples. É o que confirmamos nesta entrevista com Mayhemic Omen, que nos contou mais detalhes sobre o projeto.

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Como surgiu a ideia de montar o Hellscourge? Desde sempre vocês quiseram ser apenas dupla?

Mayhemic Omen – Nós, de certa forma, crescemos e moldamos nosso gosto musical e atitude através desse primoroso estilo de Metal sujo e underground do final dos anos 80 e começo de 90. Sempre tivemos a vontade de gravar algo nessa linha, mas nunca houve de fato uma oportunidade ou talvez nós mesmos estávamos preguiçosos demais pra começar o "trabalho". O importante é que mesmo tardio, o projeto aconteceu e estamos empolgados com o resultado que estamos conseguindo com ele. Em pouco tempo estamos conquistando coisas bastante positivas. A questão da dupla não foi algo pensado na verdade… Como a ideia não era ser uma banda ativa, com ensaios, shows ou coisas do gênero, e por coincidência nós dois tocávamos os instrumentos certos pra fazermos a coisa funcionar em direito como um duo em estúdio, a escolha veio naturalmente. Simplesmente funcionou muito bem para a nossa proposta desde o início!

E como é trabalhar em dupla? Quais as vantagens e desvantagens de trabalhar assim?

Mayhemic Omen - Só vejo vantagens, já que a proposta não é ser uma "banda de verdade", como disse anteriormente. Somos apenas dois maníacos por esse tipo de Metal, querendo gravar músicas sem qualquer compromisso. Simples assim! Desta forma por sermos uma dupla, as coisas andam de maneira mais rápida e simples. Menos cabeças pra pensar possibilitam a simplicidade e autenticidade no nosso som, além de que quanto menos gente pra dar pitaco e misturar influências desnecessárias, melhor! (risos)

O Hellscourge surgiu em 2010 e já tem dois álbuns lançados. Isso mostra o dinamismo de vocês. Como vocês dão conta disso?

Mayhemic Omen - O Hellscourge funciona nas "férias" de nossos outros projetos/trabalhos etc. Quando estamos ociosos, sem muita coisa pra fazer, decidimos começar a gravar a barulheira. Sempre sem qualquer compromisso. É algo feito para o nosso próprio ego e acaba funcionando muito bem, pois não existem barreiras, preocupações ou frescuras durante o processo criativo… Isso que torna a coisa dinâmica eu acho. É tudo de verdade!

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Falando do novo álbum "Unmerciful Blasphemies", qual a principal diferença vocês vêem nele em relação ao anterior, "Hell's Wrath Battalion" (2011)?

Mayhemic Omen - No meu ponto de vista o novo álbum talvez tenha um pouco mais de peso e mais influências de Thrash e Black Metal. O primeiro era algo mais Death Metal eu acho… Mas no geral o som é o mesmo! Direto, sujo e sem ‘viadices’!!!

Tudo em "Unmerciful Blasphemies" soa na linha do Metal extremo dos primórdios, obviamente sem perder a qualidade, como a da produção por exemplo. Como vocês chegaram até essa sonoridade?

Mayhemic Omen - Eu disse anteriormente que não existe preocupação na hora em que criamos o nosso monstro, mas na realidade eu assumo que na parte da produção, existe sim certa preocupação. Pois estamos sempre querendo alcançar aquela sonoridade velha, analógica e lowfi dos anos 80, o que hoje é muito difícil devido à diferença brutal de equipamentos e a era digital. Então nessa parte procuramos nos manter fiéis aquela sonoridade e só conseguimos isso experimentando diferentes tipos de equipamentos, regulagens e fazendo muitas mixagens até chegarmos ao resultado final. Vou te contar, não é fácil deixar o som podre desse jeito (risos).

Outro fator importante é a sonoridade direta. A banda prima pela simplicidade, pela agressividade e velocidade. Não há espaço para firulas no som da Hellscourge? (risos)

Mayhemic Omen - Definitivamente não! Aqui só há espaço para imundices! (risos) É um pré-requisito!

Um fato que me chamou bastante atenção foi produção suja e abafada que ao invés de tirar o brilho do trabalho, só somou em qualidade. Fale-nos um pouco sobre isso?

Mayhemic Omen - Eu não poderia concordar mais. Hoje em dia as produções são todas cristalinas e chatas, fazendo as bandas soarem quase iguais, tirando o individualismo de cada um. E isso pra mim é extremamente negativo! Soa como algo de plástico, indefeso e sem personalidade! Puro lixo!

Vocês pretendem tocar ao vivo?

Mayhemic Omen - Não! Ter uma banda dá muito trabalho e já estamos envolvidos com outras bandas, que são nossa prioridade e já nos tira muito tempo e exige alta dedicação.

Quais os planos da banda para 2013? Já há algo composto para mais um álbum?

Mayhemic Omen - Honestamente não temos planos pra nada... Claro, continuaremos a trabalhar na divulgação do álbum novo aqui no Brasil e fora, e também pretendemos conseguir um lançamento em vinil de ambos os álbuns. Inclusive a versão em K7 do "Unmerciful Blasphemies" já está pra sair nas próximas semanas via Heavy Steel Records/Portugal. Não temos previsão de um novo trabalho tão cedo… Talvez em 2014.

Muito obrigado, deixem uma mensagem.

Mayhemic Omen - Obrigado pelo interesse no Hellscourge e espaço cedido aqui para falarmos um pouco sobre o nosso trabalho!
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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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