Khrophus: quem trabalha transforma seu mundo

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Ben Ami Scopinho
ENVIAR CORREÇÕES  

Beirando a segunda década de existência, o Khrophus levou seu Death Metal para vários estados do Brasil e Europa. Seu mais recente álbum, "Eyes Of Madness", foi lançado de forma independente há poucos meses e agora o trio catarinense já está organizando uma nova tour pelo Velho Mundo. O Whiplash.Net conversou com o pessoal para saber das novidades, confiram aí!

Sonho de Consumo: os 10 palcos de shows mais desejadosMetallica: se encontrar James Hetfield, não peça para bater uma foto

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Whiplash.Net: Olá pessoal! Vocês andaram bastante ocupados desde o lançamento de "Presages" em 2009. Que tal começarmos com um balanço das conquistas do Khrophus desde então?

Alex: Olá, Ben! Conseguimos realizar um grande sonho, que era excursionar na Europa, e por duas vezes (2010 e 2012). Esse era um objetivo que tínhamos há bastante tempo e conseguimos realizá-lo com muito suor e planejamento. Tudo deu certo e, felizmente, obtivemos muito êxito nestas duas turnês. Agora em outubro faremos a nossa terceira tour no Velho Mundo, e inclusive já temos alguns shows marcados.

Adriano: Outra conquista foi ter conseguido lançar o nosso terceiro CD, "Eyes Of Madness", passando por grandes dificuldades, falta de patrocínio ou apoio de gravadoras. Mas o espaço está aí para ser conquistado, nós temos batalhado dia após dia, acho que estamos conseguindo atingir aquilo que buscamos e manter-nos motivados, apesar da dura realidade.





Whiplash.Net: "Eyes Of Madness" oferece Death Metal bastante trabalhado. Em termos estéticos, poderia existir avanços em relação ao "Presages"? Qual das novas canções melhor define o atual momento do Khrophus?

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Adriano: Sim, há muitos avanços, principalmente no amadurecimento da nossa música como um todo, e essa evolução também é perceptível nos shows. Hoje nos sentimos mais confortáveis e bem mais seguros, mesmo que a nossa música apresente mudanças de andamento, riffs quebrados e tudo mais. Aprendemos a ter mais interação e comunicação com o público, aprendemos a ser mais profissionais, dentre outras coisas. Acho que todas as novas músicas definem bem o Khrophus, uma mescla de caminhos variados em meio a uma sonoridade Death Metal.

Carlos: O "Presages" é pura violência e brutalidade musical. Nós o concebemos sem nos prender a nada e sem ter muita experiência ao vivo; portanto, em minha opinião, ele é um disco que exageramos um pouco em termos de duração das músicas e tudo o mais. Nós éramos isso na época, mas com o passar do tempo e com os shows realizados, começamos a ver o que funcionava ou não, e assim fomos seguindo naturalmente um lado mais cru, visceral e direto, sem perder o peso e a brutalidade do Khrophus.

Whiplash.Net: Novamente vocês firmaram parceria com o produtor Alexei Leão (Stormental) para a gravação das novas canções. Em termos de áudio, vocês quiseram fazer algo diferente do resultado obtido com "Presages"? Como rolou a coisa toda?

Adriano: O Alexei Leão é um cara que consegue fazer com que você sempre busque fazer o melhor. Não que não façamos isso, mas ele incentiva a buscar algo mais, algo que você pode, mas talvez nem saiba. Quando começamos a compor esse álbum, estávamos em meio a tour do "Presages", e nesse ínterim fomos absorvendo as reações, tanto do público, como da nossa própria maneira de se portar diante das músicas. Desta vez fizemos uma pré-produção nos ensaios, gravamos de forma caseira e vimos antecipadamente onde queríamos chegar. Desta forma, nós chegamos prontos e preparados ao estúdio, focando na gravação e em uma sonoridade mais crua, que soasse o mais ‘ao vivo’ possível. Testamos alguns amplificadores, pedais, etc, até chegarmos ao que realmente queríamos. Aí foi gravar, mixar, masterizar, lançar e partir para a divulgação do novo trabalho com shows e tours.

Alex: Nós confiamos completamente no trabalho do Alexei, que além de ser um grande amigo, é um profissional exemplar, que nos deixa trabalhar à vontade e está sempre exigindo que façamos a coisa toda da melhor forma possível. É como o Adriano disse, procuramos deixar o mais próximo possível do que fazemos ao vivo, e conseguimos atingir uma sonoridade brutal e crua ao mesmo tempo, e eu diria até um pouco ‘vintage’ nos timbres. Apesar de testarmos pedais e outros recursos, acabamos plugando os instrumentos diretamente nos amplificadores mesmo. Então tudo acabou sendo feito de maneira mais crua e gerou essa sonoridade em "Eyes Of Madness", que foge um pouco dessa onda ‘pasteurizada’ das gravações atuais. Ficamos totalmente satisfeitos com o resultado e a resposta do público também tem sido fantástica.

Whiplash.Net: As mudanças pelas quais o cenário musical passou culminou em bandas lançando mais discos do que nunca. As tiragens são pequenas, mas enorme a variedade. Considerando que o Khrophus lança seus discos de forma independente, quais as reais vantagens em contar com um selo hoje em dia?

Carlos: Se uma banda toca pouco e expõe pouco o seu trabalho, talvez um selo supra a necessidade de divulgação e distribuição, fazendo com que o CD caia nas mãos dos metalheads. Mas esse não é o nosso caso, já que gostamos muito de tocar e estamos sempre na estrada, distribuindo o nosso trabalho de mão em mão. Sendo assim, lançar algo nessa linha mais independente se torna um bom negócio para o Khrophus, pois há possibilidade de chegamos em um valor final do disco bem acessível e atrativo a todos, impulsionando as nossas vendas e gerando uma base sólida de fãs.

Adriano: A resposta a essa pergunta é relativa, pois pode funcionar para uns de uma maneira e para outros já ser totalmente diferente. Creio que devemos buscar a melhor maneira sempre, arriscar, talvez perder e talvez ganhar. Acho que o segredo está em algum ponto perdido entre milhares de outros... As grandes bandas estavam no lugar certo, na hora certa, aptas a realizar um bom trabalho e quando a oportunidade chegou, elas abraçaram e conseguiram vencer em seu tempo.

Adriano: Hoje, apesar de a realidade ser diferente do que existia há alguns anos, e a priori, há alguns anos para frente também, as bandas têm que saber o porquê de existirem, e não simplesmente estarem ali. Têm que saber buscar e serem buscadas, transformar o seu entorno e não ser um estorno... Parece complicado, mas digo que têm que se estar pronto para as oportunidades e, mesmo que não apareçam, ter a possibilidade de mostrar que poderiam ter chego lá. É isso que nós tentamos a cada dia, amamos nossa música e tentamos sempre melhorar. Por isso realmente acho que essa pergunta deve ter sido feita para as mesmas bandas antigas em suas épocas de desconhecidas, e será a mesma pergunta feita daqui a alguns anos às novas gerações. Simplesmente vejo desta forma.

Whiplash.Net: Algo muito válido no Khrophus é o auto-gerenciamento. No caso da turnê para a Europa, como funcionou a rede de contatos e distribuição das tarefas? Quais as maiores dificuldades e como contorná-las?

Alex: Sempre gostamos da ideia do ‘faça você mesmo’. Aprendemos a fazer quase tudo relacionado às necessidades da banda, principalmente por dois motivos: fazer do nosso jeito e não depender de ninguém. No caso da turnê, nós corremos atrás de contatos via internet, unindo-os com alguns que já tínhamos da tour de 2010. Não é fácil, pois você manda centenas de e-mails, recebe poucas respostas e muitos NÃO na cara. Mas, mesmo com todas as dificuldades, nós seguimos em frente e conseguimos agendar oito shows por lá. No dia em que chegamos à Alemanha, acabamos fazendo um show extra em Mannheim; então no final nós fizemos um total de nove gigs. Para essa tour decidimos fazer uma rota mais curta, então acabamos optando por fazer somente Alemanha e Polônia. Já conhecíamos os dois países, então isso facilitou muitas coisas.

Alex: O único pesar dessa viagem foi o novo disco não ter ficado pronto a tempo, então acabamos indo pra lá sem tê-lo nas mãos. Enfim, isso faz parte. Tivemos diversos outros problemas bem piores, e felizmente conseguimos contorná-los. Mas é assim que funciona, você precisa batalhar muito se quiser algo. Lá fora não tem como você pegar um ônibus e voltar para casa, precisa resolver problemas o tempo todo, inclusive problemas de relacionamento (passe 20 ou 30 dias trancado numa van com as mesmas pessoas e você vai entender o que eu digo).

Alex: Todos nós ajudamos em todas as tarefas, mas fizemos uma divisão para que cada um focasse mais no seu trabalho. Eu fiquei responsável por fechar os shows, administrar a rota, dirigir, etc. Já o Adriano ficou mais na administração financeira da viagem, enquanto o Carlos era responsável pelas compras e comida, além de também dirigir o motor home. Contamos também com o Rafael (meu sobrinho) nessa turnê, que nos auxiliou muito em várias coisas, como dirigir, cuidar da mesa de merchandise, montar equipamentos, etc.

Whiplash.Net: O Khrophus já tocou por vários estados do Brasil e acabou de voltar de sua segunda turnê europeia. Considerando a situação econômica e o atual estágio de nosso underground, seria equivocado dizer que, em termos de exposição, é mais viável uma banda brasileira encarar os palcos gringos do que tocar em nosso próprio país?

Adriano: As duas maneiras são muito válidas. Talvez tocar fora do país dê um pouco mais de exposição, mas, no fim, a banda terá que atingir um público, seja gringo ou não, e você terá que manter esse público informado, apresentando novos trabalhos, novas tours e mostrando que você se comporta naquilo que eles buscam. Se conseguir suprir isso, o caminho gerará frutos e tudo que a banda fez, conscientemente, terá valido a pena e trará resultados.

Carlos: Tocar fora do país não deixa ninguém com o status de ‘grande’ e vem se tornando uma receita que não funciona para todos, pois muitas bandas pouco saem de sua cidade, mal conhecem seu próprio país e já querem ir para a Europa. Se você realmente já rodou bastante pelo seu país e conhece o mínimo da rotina de viagens com sua banda, creio que uma turnê europeia seja muito válida, mas as bandas que mal tocam fora da sua cidade e querem ir para a Europa pensando que ficarão com status de ‘grande’, em minha opinião, estão no caminho errado!!!

Alex: Concordo com o Carlos! Uma banda precisa de uma base sólida de fãs e de nada adianta tocar na Europa se nunca passou ‘perrengue’ no seu próprio país. É necessário passar por muitas dificuldades para que a banda se conheça e tenha consciência de suas habilidades e limitações. Desta forma você cresce sem tropeçar nas próprias pernas e as chances de haver um racha na banda são minimizadas.

Whiplash.Net: Ainda que a cena metálica esteja forte, é difícil vislumbrar algum novo gigante após o Iron Maiden ou Metallica se aposentarem... Como é essa percepção por quem já teve maior contato com a Europa, onde as coisas acontecem de maneira efetiva?

Adriano: Creio que a Europa sempre será um caso à parte, um continente influente e repleto de países, 51 pelas contagens atuais, sempre será berço efervescente de grandes possibilidades. Mas lá rolam milhares de festivais e se colocarem na ponta do lápis tem bandas grandes tocando todos os dias, e milhares de bandas undergrounds em seu entorno. Acho que novos gigantes vão surgir, sim, e talvez até maiores do que os atuais. Pouco se comenta sobre a efervescente cena asiática, mas talvez esteja brotando por lá novos ícones do futuro... E como o futuro é incerto, tudo é possível.

Whiplash.Net: Pois bem, considerando que vocês sempre planejaram bem seus passos, quais as metas para 2013?

Alex: Em um resumo absurdo, o nosso grande objetivo nesse ano é divulgar o novo disco e comemorar o 20° aniversário do Khrophus. Teremos diversos shows pelo Brasil, mais uma tour pela Europa confirmada para outubro e estamos começando a engatilhar alguma coisa pelos países latino-americanos, que pretendemos explorar mais a partir de agora.

Adriano: 2013 é trabalhar, trabalhar e trabalhar... Não existe melhor meta do que essa. Talvez haja mais confortáveis, mas não tão recompensadoras, pois quem trabalha transforma seu mundo, não espera que aconteça, simplesmente faz, e é isso que buscamos sempre.

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos. Se quiserem acrescentar algo, a hora é agora, ok?

Alex: Nós é que agradecemos ao Whiplash.Net pelo espaço, é sempre uma satisfação pra gente. Para quem quiser adquirir nossos discos ou camisetas, disponibilizamos um canal em nosso próprio site para que os pedidos sejam feitos nesse link: http://khrophus.com/site/merchandise/. Grande abraço a todos os headbangers, nos vemos por aí.

Contatos:
http://www.khrophus.com
[email protected]

Apoio/Endorsees:
Kr Custom Drums
Black Ink Tattoo
Roots Records
Brutal Wear




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "Khrophus"


Sonho de Consumo: os 10 palcos de shows mais desejadosSonho de Consumo
Os 10 palcos de shows mais desejados

Metallica: se encontrar James Hetfield, não peça para bater uma fotoMetallica
Se encontrar James Hetfield, não peça para bater uma foto


Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

Mais informações sobre Ben Ami Scopinho

Mais matérias de Ben Ami Scopinho no Whiplash.Net.

Cli336x280 CliIL Cli336x280 CliInline