Darkside: rompendo barreiras, eliminando fronteiras

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Por Leonardo M. Brauna
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DARKSIDE é uma banda veterana de Heavy/Thrash Metal do Ceará que já está em cena há mais de vinte anos. Ao longo de sua trajetória muitas formações já fizeram parte do seu ‘Casting’, mas isso sempre foi superado pela paixão à música pesada. Hoje a banda conta com ALEX EYRAS (já de saída) – vocal, TALES GROO – guitarra, HELDER JACKSON – guitarra, RENATO FILTRO – baixo e RICHARDSON LUCENA – bateria. Conversei com seu membro fundador, TALES sobre esse empenho e os seus lançamentos que já conquistaram o Brasil, inclusive o último, “Prayers in Doomsday” recebeu indicações para o melhor CD de 2012 nas páginas da revista “Roadie Crew”.

Você vem acompanhando o desenvolvimento do Metal cearense desde os primeiros focos vindo até mesmo fazer parte de bandas como a lendária BEOWULF. Hoje como é que você vê a mesma cena comparando-se a daquela época?

A cena é completamente diferente de 20 anos atrás! Poucas pessoas daquela época ainda estão na ativa. Todo o nosso contexto econômico, social, político e cultural mudou completamente. Numa época sem internet, sem equipamento, sem tecnologia e sem ambições, nossos procedimentos para produzir, manter e divulgar uma banda eram bastante arcaicos, mas feitos com uma enorme paixão, que era alimentada com fogo pelo público Headbanger.

Como surgiu a idéia de fundar a banda DARKSIDE e quais foram os momentos mais difíceis que vocês encontraram pela frente?

No início eram apenas ensaios com alguns amigos, onde costumávamos tocar alguns covers e encher a cara de cachaça. Com o tempo, começamos produzir músicas nossas e a batalhar espaços no underground. Os momentos difíceis foram as mudanças de formação, que sempre deixavam a banda em longos períodos improdutivos.

Como foi a experiência de ter saído de sua terra natal para fechar a noite como “Headliner” no terceiro festival “Batalhas das Bandas” no Macapá – AP em 2003?

Foi excelente, tocar tão longe naquela época era algo difícil para as bandas cearenses, mas tivemos um tratamento de primeira por parte dos produtores e do público. Infelizmente não tocamos com a formação que estava ativa no momento, já que o baixista e o batera de então não puderam viajar, mas pudemos contar com a participação de dois ex-membros, foi um ótimo show. Pra mim teve um gosto especial, pois no final nosso primeiro baterista, o BEAH, que mora em Macapá desde que saiu da DARKSIDE em 1992, subiu no palco conosco para um memorável cover de “Fade to Black” (METALLICA)!

Depois de treze anos de estrada a banda consegue lançar o seu ‘Debut’, “Eclipsed Soul” (2004) que teve larga aceitação pelo público local, e o mais interessante é que teve produção
da própria banda. Acredito que isso se deva justamente pelo longo tempo de atividade, seria?

Na verdade a produção ficou a cargo do RODRIGO MAGNANI, que havia acabado entrar na DARKSIDE, mas já tinha uma boa experiência como produtor. Ele tinha um estúdio de gravação chamado ‘Digisound’, juntamente com o Fabrício Carvalho, que produziu excelentes trabalhos de bandas como NECROMORTEN, TIGLATH, SOMBERLAIN, CLAMUS, FACADA, entre outros. Os méritos são dele e do Fabrício.

A versão semi-acústica da faixa título ficou fantástica.

Foi uma idéia em conjunto, a orquestração havia sido composta e arranjada pelo RAMIRO MELO (ex-baixista e tecladista) e os violões foram executados pelo RODRIGO e pelo FABRÍCIO. Há também os backing vocals do ORUAM (DEADLY FATE de Natal-RN).

A outra curiosidade está na faixa “Belial” cantada em português e que difere um pouco da temática musical do CD, já que ela tem uma levada mais “Speed” deixando de lado a melodia.

Pra quem não sabe, “Belial” é um cover da PROCRIATION, banda que eu toquei em 1988. Nas sessões de gravações decidimos gravar uma versão curta dela, o DUDU MAGNANI simplesmente foi lá e cantou, eu fiz os backings, ficou fodido, decidimos aproveitá-la como bônus no CD.

Em 2008 vocês fizeram a abertura para um show da turnê do HELLOWEEN e GAMMA RAY em Fortaleza. Como foi segurar essa responsabilidade num evento tão importante para aquela região?

Foi mais um importante marco para a DARKSIDE. A partir daquele evento, a banda passou a agir com atitude mais profissional, com mais objetivo e foco. Fizemos contatos importantes com pessoas de fora e passamos a entender melhor como é o procedimento em produções de primeira linha. Pela primeira vez produzimos e levamos merchandising para vender em um evento, o que nos deu um excelente retorno, que foi capaz de investirmos mais na produção da banda.

Anos depois vocês também abriram para os britânicos do SAXON, inclusive foram até Curitiba – PR fazer a mesma abertura. Vocês estavam promovendo uma prévia do novo lançamento?

Exato, logo que recebemos o convite irrecusável de abrir pro SAXON em duas cidades (Fortaleza e Curitiba), tentamos terminar as gravações de “Prayers in Doomsday” que estavam atrasadas, mas só faltavam algumas linhas de guitarra e os vocais. Mas o tempo era curto e não conseguimos terminar satisfatoriamente nem cumprir os prazos, decidimos não lançar naquele momento. Incluímos no nosso merchandising uma versão EP com 3 faixas, saiu muito bem em todos os shows que tocamos em 2011/2012.

O “Prayers in Doomsday surpreende por vários aspectos, um deles é a própria música que resgata a velha escola do “Heavy Metal” com riffs pesados do “Thrash”. Isso os distanciou um pouco do que foi trabalhado no primeiro álbum que contém mais arranjos. Como vocês chegaram a esse fator?

A concepção de “Prayers in Doosmday” pedia uma execução mais direta e crua, sem teclados, nem corais e nem dedilhados. As linhas de vocais ficaram mais diretas. Tudo isso foi feito pensando na execução ao vivo de acordo com o alcance de cada um dos membros atuais da banda, levando em conta a pegada de cada um. O resultado é realmente um material mais forte, nunca deixando nossas raízes pra trás, simplesmente fortalecendo o aspecto mais agressivo da DARKSIDE.

Dessa vez a produção foi deixada a cargo do produtor “Moises Veloso”, e tenho que confessar que este foi o segundo aspecto que me surpreendeu. Vocês também ficaram satisfeitos com o resultado final?

Não ficamos 100% satisfeitos, e nunca ficaremos por mais perfeita que seja o resultado de uma produção. A banda sempre precisa almejar algo melhor, nunca se acomodar. É um álbum que nos enche de orgulho, mas o fato é que o objetivo de produzir um material com a qualidade gringa que pretendíamos não foi totalmente alcançado. Ainda assim, tivemos boas resenhas no exterior. Certamente usaremos isso como experiência para a próxima gravação.

Partindo para a arte gráfica, como vocês chegaram aos contatos de “Adriano Batista e Gil Vicente”, eles ouviram o trabalho antes?

Achei o Adriano Batista numa comunidade sobre artistas gráficos na internet, onde postei que procurava um ilustrador para capa de um CD de Metal. Vários deles entraram em contato enviando material, o que mais gostei foi o dele. Mandei algumas letras traduzidas, ele sintetizou perfeitamente a mensagem e o espírito da banda. Ele fez a ilustração, e o Gil Vicente a pintura digital. Tenho guardada a sete chaves a arte para nosso próximo trabalho, seguindo a mesma linha de HQ’s e também com a concepção apocalíptica.

Um dos maiores destaques no álbum está na cozinha, e em algumas partes a bateria chega até “roubar” a cena. Como é trabalhar com RICHARDSON LUCENA e como ele chegou até a banda?

O “Big” RICHARDSON era amigo de um guitarrista que havia feito um teste, mas não tinha entrado, esse cara fez a indicação. Inicialmente ele foi tocar na MONSTER CULT, um projeto paralelo que temos que presta tributo aos grandes nomes do metal dos anos 80. Assim que o MARCELO MARTINS (GSTRUDES, SCATOLOGIC) deixou a DARKSIDE, o RICHARDSON era a escolha óbvia e se encaixou perfeitamente em todos os aspectos! Ele teve muito pouco tempo pra gravar as partes de bateria, algumas músicas sequer estavam prontas e ele só tinha a guia, mas se saiu muito bem!

Outro ponto positivo é o entrosamento de guitarras com as dobras de solos lembrando as influencias da NWOBHM. Alguma música do “Setlist” dá mais trabalho nos shows?

Todas dão bastante trabalho! Nossas músicas são relativamente simples, mas tocadas de uma forma bastante desafiadora fisicamente!

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O baixista RENATO FILTRO também ocupa um papel fundamental na segurança de todo esse peso, e o vocalista ALEX EYRAS conseguiu introduzir com bastante felicidade o seu estilo, já que é muito diferente do timbre de voz do antigo vocalista DANIEL MONGE.

O FILTRO tem uma pegada segura e veio com bastante força. Já o ALEX, realmente tem uma forma diferente de cantar do MONGE, mas isso foi muito bem aproveitado!

Vocês saíram numa turnê que cumpriu datas em seis estados brasileiros, isso mostra a boa aprovação nacional do novo trabalho, como a banda têm lhe dado com toda essa receptividade?

Esses shows foram bastante empolgantes, mas também cansativos, o que nos deu uma breve noção do que nos aguarda quando formos efetivamente cair na estrada. Não é fácil. Tivemos a chance de tocar para públicos desconhecidos de cidades distantes, dividindo palco com bandas excelentes e celebrando com muita cerveja ao lado de nossos amigos headbangers!

Eu agradeço o seu tempo ocupado para essa entrevista e desejo à DARKSIDE todo o reconhecimento que merece, e que também possa levar sempre o nome do Ceará aos limites do ‘Underground’ mundial.

Obrigado pela oportunidade, amigo Leonardo! Bem, a DARKSIDE está na guerra, se fortalecendo cada vez mais e se preparando para desembarcar em terras mais distantes! Subimos em palco para mostrar que somos feitos de Metal e para constatar que o ‘headbanger’ brasileiro também é o que deixa a banda bastante realizada. Levar o nome do ‘Metal cearense’ Brasil afora é um fardo muito pesado, mas que a DARKSIDE carrega com honra e honestidade.

CONTATOS DA BANDA:
http://www.metalceara.com.br/index.php?route=product/categor...
http://www.myspace.com/darksidebrasil
http://www.facebook.com/darksidebrasil?ref=ts&fref=ts

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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