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Encéfalo: porrada do início ao fim

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Por Ben Ami Scopinho
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De alguma forma, todos os problemas que rondam um primeiro disco muitas vezes não são suficientes para diminuir o impacto de sua música. E assim é "Slave Of Pain", a estreia do Encéfalo que oferece uma fusão de Heavy, Thrash e Death Metal cheia de energia esmagadora, tão cativante que motivou o Whiplash.Net a conhecer a história destes cearenses através de Alex Maramaldo (voz e guitarra). Confiram aí, que a pancadaria é das melhores!

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Whiplash.Net: Olá pessoal! O Encéfalo está beirando sua primeira década, mas só agora conseguiu marcar a estreia em disco. Que tal começarmos com uma breve biografia da banda?

Alex: Fala grande Ben, tudo bom? Então, de fato iniciamos nossas atividades em 2002, como uma banda cover que tocava clássicos do Sepultura, da época do "Morbid Visions" e "Bestial Devastation", então praticamente aprendemos a tocar nossos instrumentos com essas grandes músicas.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Alex: A rotina de shows era intensa, pois aqui não tinha banda assim na época e isso dificultou na elaboração das novas canções. Também sempre houve dificuldades para conseguirmos um baixista e baterista. Laílton (guitarra) e eu estamos nessa garra desde o início, até que em 2008 conseguimos gravar nossa demo "Destruction" com Alexandre na bateria e Rafael no baixo. Após a gravação saiu o baterista e entra Rodrigo (2009); tivemos uma pausa grande e demos continuidade às composições, e nesse meio tempo também houve várias alterações: saiu Rafael e entrou Alberlan, que também saiu dando entrada ao Augusto (baixo) em 2011, quando começamos já gravando o debut. Um ano depois (maio de 2012), conseguimos estar com o tão sonhado e esperado álbum "Slave Of Pain".

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Whiplash.Net: É compreensível que problemas culminem na demora da finalização de algum álbum, mas "Slave Of Pain" passou por maus bocados... Como rolou os trabalhos nos estúdios e o que aconteceu para sua master ter que ser refeita duas vezes?


Alex: Pois é, durante a gravação vieram os primeiros problemas, principalmente os financeiros. Gravamos a bateria em um estúdio, cordas e vocal em outro estúdio, e foi então que começamos a entender este novo mundo de amps e plug-ins. Nesse segundo estúdio ainda fizemos algumas mixagens, mas ainda não estava o mínimo aceitável para o Encéfalo, até contatarmos o grande Moisés Veloso, que fez seus ‘milagres’ em nosso som, tirando as principais falhas de captação e dando vida ao suado trabalho, totalizando três estúdios.


Whiplash.Net: De qualquer forma, estes problemas não afetaram e energia que "Slave Of Pain" transpira. Apesar da ‘crueza’ do áudio, a essência do Heavy, Thrash e Death Metal possui uma garra latente. Quais foram as metas que vocês tinham quando começaram a gravar, alguns elementos que definitivamente queriam ter no álbum?


Alex: Bom, uma certeza nós tínhamos: ‘porrada’ do início ao fim e variações dentro das vertentes do metal! Queríamos fazer diferente das muitas bandas do gênero. Colocamos nossas influências em bandas old, cada um de nós teve suas próprias influências que impactaram no trabalho, dando essa mescla de estilos! Teríamos mais músicas no CD, mas preferimos gravar sete novas músicas e regravar três da demo. A sonoridade das músicas que deixamos de fora é mais agressiva, então deixamos para um próximo trabalho, mantendo o "Slave Of Pain" nessa linha que está hoje.


Whiplash.Net: O personagem do ilustrador Thyago Olyveira remete ao Spawn, das histórias em quadrinhos... Isso foi coincidência? Afinal, quem seria os ‘Escravos da Dor’?


Alex: Opa, muito bom saber dessa comparação, Thyago Olyveira, grande amigo, seus traços sempre foram voltados a esses grandes desenhos como Spawn e outros do gênero, e isso fez com que o escolhêssemos para a nossa capa, dando vida ao que de fato queríamos. O "Escravo da Dor" seria cada um daqueles que se sentem sufocados pela sociedade por imposição de leis ou conceitos de religião que impendem de fazer aquilo que você realmente quer.

Whiplash.Net: Pessoal, considerando a atual concorrência que permeia o underground, vocês não acham que a imagem do Encéfalo pode se comprometer com um disco cujo encarte peca pela ausência de informações importantes e uma diagramação tão deficitária?

Alex: Sim, sabemos da atual concorrência em relação ao meio e cremos que isto poderá nos prejudicar em alguns fatores, entre eles, a possibilidade de lançar no exterior. Mas até o momento o nosso recado está sendo dado e estamos sendo bem recebidos. Sabemos que fizemos o máximo pra sair esse CD, inclusive beiramos o impossível, dinheiro emprestado e coisas do gênero. A diagramação do encarte foi feita pela própria banda, e ninguém aqui é designer. Deixamos muita coisa de fora do encarte por motivos óbvios e técnicos. Mas serve para simbolizar o quão caseiro e cheio de garra foi este álbum e que não tivemos em momento algum a parceria ou incentivo de alguma instituição ou selo!

Whiplash.Net: O Nordeste é conhecido pela péssima administração do governo, mas o povo não se deixa abater, sendo extremamente receptivo e apaixonado. O quanto estas características influenciam na manutenção das atividades de uma banda de Heavy Metal por aí?

Alex: Então, creio que esse problema de administração não seja só por aqui não, tem em vários lugares de diferentes regiões do Brasil. Está tudo ficando cada vez pior! O brasileiro já é conhecido por sua garra! Assim como nós, nordestinos, somos conhecidos por batalhar, cair, apanhar e levantar de novo. Temos, sim, certa carência em algumas coisas, mas nada disso nos impede de seguir em frente com um projeto musical. Nossa maior dificuldade está na logística para outros estados, falta de selos, etc. E, assim como em outros lugares do Brasil, temos bons e grandes shows fixos anuais, outros semanalmente, mas sempre nas mesmas cidades. Está faltando mais shows em outros locais, fazer esse intercâmbio, fazer a coisa acontecer. Mas aqui no Nordeste temos o diferencial que é um bom e fiel público para isso, então estes headbangers merecem mais atenção e infraestrutura em relação a shows.

Whiplash.Net: Mesmo as bandas bem sucedidas necessitam ter contatos que as coloquem 'dentro do jogo', ajudando na divulgação, possibilitando que toquem em pequenos locais e nos festivais. Como é a mentalidade do Encéfalo em relação a esta linha de negócio?

Alex: Procuramos conhecer estes contatos. Ver se vale a pena para então mostrarmos nosso produto, nossa garra e profissionalismo, o restante é conseqüência. Mas não devemos nos acomodar, afinal, trabalho é trabalho e sempre que possível, renovar. Tem muito ‘Macaco Velho’ aí nesse ramo que temos que ter cuidado.

Whiplash.Net: O Encéfalo está se organizando para a primeira excursão para o sudeste e sul do Brasil. Como rolou este contato e quais suas expectativas em tocar fora do Ceará?

Alex: A melhor possível, novos amigos, novas experiências. Então, como você citou, até bandas de renome precisam de contatos para colocá-las dentro do circuito, e como não tínhamos contatos, nos encarregamos de nós mesmo correr atrás, sem agência de booking. E para isso contamos também com amigos, através de indicações e pesquisas locais, conseguimos esses contatos e fomos atrás. Tivemos umas portas fechadas, mas a maioria nos recebeu de braços abertos, ficamos muito satisfeitos também quando souberam da nossa ida para essas regiões e nos convidaram para tocar em suas cidades. Então é muito gratificante ter esse reconhecimento e estas oportunidades dadas por esses produtores.

Whiplash.Net: Uma curiosidade final: em função dos custos aqui no Brasil, o Encéfalo optou em fazer a confecção física de "Slave Of Pain" na Califórnia (EUA). Como ficaram sabendo deste canal? Realmente compensa?

Alex: Sim, e como! Tudo isso ocorreu por um intermediário aqui em Fortaleza mesmo, creio que devido à escassez dessas fábricas por aqui. É muito mais vantajoso fazer isso fora, onde a concorrência é grande.

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos! O espaço é do Encéfalo para os comentários finais, ok?

Alex: Nós é que agradecemos pela oportunidade, grande Ben, em explicar o que de fato aconteceu durante todo o processo de gravação, lembrando que já estamos nos preparando para o próximo trabalho e pretendemos compensar nossos amigos e público com um material digno e de qualidade. Muita porrada e novidade ainda vem por aí, orgulho em representar o Ceará neste grande Brasil e muito mais feliz em representar no exterior (em breve). Abraços.

Contato:
http://www.myspace.com/bandaencefalo


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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