Darkthrone: "nossos álbuns são demos de 35 ou 40 minutos"

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Terrorizer, Tradução
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Paul Schwarz, da revista Terrorizer, do Reino Unido, entrevistou recentemente Fenriz, da banda norueguesa de black metal DARKTHRONE, que falou sobre o próximo trabalho do grupo, dentre outras coisas.

Sobre o próximo álbum do DARKTHRONE:

"A primeira música de nosso próximo álbum — não o 'Dark Thrones And Black Flags' [que será lançado em outubro], que foi finalizado em julho — tem o título baseado em um mantra que o músico japonês Gezol (SABBAT, METALUCIFER) tem dito muito ultimamente, 'Too much black, too little metal’ [N.: ‘black de mais, metal de menos’]. Esse tem sido o problema desde 93. Mas as pessoas têm cuidado disso desde o começo da década seguinte. Desde 2000 muitos jovens estão se dedicando bastante a esse estilo bárbaro novamente".

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O som mal feito?

"Sim, bem mal feito. Eu não pratico desde 93, só pra ficar grosso de novo. Então, sempre que toco uma música agora é como se eu estivesse andando sem direção. Como a música que estou compondo agora, 70 por cento está pronta. Já tenho tudo isso pronto há uns dois meses. Fico sempre pensando nisso. Diariamente, ou dia sim, dia não. Eu penso na música e sei qual o tempo que a última parte vai ter, então fico pensando e cantarolando o que tenho em mente. Até agora ainda não peguei a guitarra pra tentar tocar esse negócio porque quando fizer isso sei que vou finalizar a música".

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Sobre a filosofia por trás do som deliberadamente underground do DARKTHRONE:

"As coisas mudaram por volta de 89/90 e especialmente em meados dos anos 90, quando todo mundo conseguia produzir um som profissional. Pro nosso primeiro álbum pagamos apenas umas 1000 libras pelo estúdio e conseguimos aquele som tipo o do ENTOMBED: aquilo era ser profissional. Nos anos 80, você tinha aquele som underground até ‘conseguir fazer alguma coisa’. Tudo mudou quando já podíamos conseguir um bom som com pouco dinheiro. Quando isso aconteceu, ser ‘overground’ ou ‘underground’ passou a ser uma escolha: você podia escolher fazer um som ‘underground’ ou ‘overground’. Agora somos deliberadamente underground. Nós basicamente gravamos da mesma maneira que gravaríamos uma demo nos anos 80. Nossos álbuns agora são apenas demos de 35 ou 40 minutos".

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Sobre a abordagem das outras bandas em relação à sua música:

"Muitas bandas pensam, 'Ah, o 'Transilvanian Hunger' [N.: Álbum do Darkthrone, de 1994]! Se você tocar isso com o dobro da velocidade, com sintetizadores e um som profissional, soará três vezes melhor!’ E eles fazem a versão ‘Disney’. Quando ouvi pela primeira vez 'In the Nightside Eclipse' [álbum de estréia do EMPEROR], eu pensei: ‘Desliga isso!' Todos os outros disseram: ‘O quê!? Você não gosta disso? Eu só pensava ‘Ok, estamos em praias diferentes’. Então eu ficava na minha e ouvia thrash".

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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