Serguei: "Quem matou a Janis Joplin foi a CIA!"

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Por André Molina
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Uma das lendas vidas do rock brasileiro esteve em Curitiba para apresentar um repertório baseado nos clássicos do rock mundial. O cantor Serguei, que vai completar 75 anos de idade e 42 anos de estrada, expôs um conjunto de canções das principais bandas da década de 50, 60, 70 e 80. O veterano cantou músicas como “Born To Be Wild”, do Steppenwolf, “Satisfaction”, dos Rolling Stones, “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho, e sucessos da banda Creedence Clearwater Revival. No momento em que cantou “Love Of My Life” (Queen) pediu para a platéia se sentar no chão em respeito à Freddy Mercury.

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O show foi realizado no Hangar Bar, 18 de julho, e contou com a banda Janis Joplin Cover e um grupo de apoio com o baterista Pato Romero (Blindagem). Antes de Serguei iniciar a apresentação, uma banda cover dos “The Doors” abriu a festa com um show de aproximadamente uma hora.

Com muita vitalidade, Serguei teve disposição para conceder entrevista ao Whiplash. Enquanto ele comia um cheese salada no intervalo da passagem de som, o cantor falou sobre suas aventuras no mundo do rock ‘n’ roll.

O fato que mais surpreendeu exposto por ele, foi seu contato com a cantora norte-americana, Janis Joplin. “A conheci em 1968. Encontramos-nos no Rio de Janeiro e em Los Angeles. Um pouco tempo depois ela morreu. Foi assassinada pela CIA porque ela exercia um grande poder sobre a juventude americana. Colocaram sonífero em sua bebida e depois aplicaram uma overdose de heroína. Antes de a droga ser aplicada, ela foi asfixiada”, disse.

Serguei disse ainda que a cantora norte-americana Janis Joplin foi barrada em um bar carioca no final de década de 60. “Os seguranças estranharam suas roupas, seus chinelos e os longos cabelos despenteados. Foi necessário explicar quem era Janis. Na noite em que fomos ao bar tinha show da Darlene Glória. Ela jamais deixa alguém subir ao palco quando está cantando, mas quando viu Janis, fez questão de dar o lugar”, afirmou.

Contato com Jim Morrison

Em sua passagem pelos Estados Unidos no final da década de 60, o cantor brasileiro afirmou que conheceu pessoalmente grandes nomes do rock mundial, como o vocalista dos The Doors, Jim Morrison. “Ele era muito louco. A Janis me disse que ele gostava de oferecer LSD a quem ele conhecia. Quando fui apresentado a ele, a primeira coisa que me disse foi: Serguei tenho algo novo aqui que gosto de chamar de sunshine. Logo em seguida foi colocando o ácido na minha boca”, afirmou.

Disposição

Ao ser questionado como ele mantém disposição para continuar fazendo shows de rock, Serguei disse: “Para me manter jovem eu como muita gente. Fui o primeiro brasileiro a assumir a bissexualidade”.

Rock brasileiro

Ao fazer uma breve retrospectiva do rock nacional, Serguei afirmou que o rock começou bem antes de o cantor Roberto Carlos surgir.“Eu cantei pela primeira vez em 1966, mas já tinha gente fazendo rock. O cantor Sérgio Murilo foi quem iniciou. As pessoas não sabem direito como definir o surgimento do rock no Brasil. Eu estava lá”.

Em relação ao rock nacional, o cantor disse que não acompanha muito as novas bandas, mas apóia os artistas que surgem para renovar o estilo. “Independente se é bom ou ruim, é legal que os jovens tenham as suas bandas. Eu, particularmente, gosto de cantar canções da minha época. Não sou cover. Exponho a minha releitura, meus arranjos de grandes clássicos. Gosto muito do movimento da Tropicália, que considero rock ’n’ roll. O Caetano Veloso é um grande artista”, disse.

Imprensa

Ao chegar a Curitiba, o cantor estranhou o descaso da imprensa local. Segundo ele, em outras capitais o assédio da mídia é grande. Até o momento do show, nenhum veículo de comunicação tinha feito contato com o veterano roqueiro. Ele disse que “a mídia deveria dar mais atenção aos grandes nomes do rock brasileiro”.

O cantor considera a capital paranaense muito conservadora. “Tenho muito coisa para contribuir e ninguém quis saber de nada. Não quiseram nem saber quem eu sou. Ainda bem que os veículos especializados em rock ‘n’ roll me procuraram. Tem gente em Curitiba que gosta de rock ‘n’ roll. É um público do caralho”, afirmou.

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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