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Rafael Gubert: Barros Project, Akashic e afins

Por Ben Ami Scopinho
Em 24/02/08

Injusto ou não, infelizmente alguns bons discos sempre terão chances de permanecerem obscuros perante o público. E este parece ser o caso de "Gemini", álbum de estréia do Barros Project, formado por dois membros da veterana banda portuguesa Tarantula, os irmãos Paulo (guitarra) e Luís Barros (bateria), além do conterrâneo José Baltazar (baixo). Mas, além deste CD apresentar ótimas canções, há um atrativo a mais para o público brasileiro: o vocalista é ninguém menos do que Rafael Gubert, do Akashic, uma das mais respeitadas bandas de Prog Metal da região sul do Brasil.

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"Gemini" foi lançado em 2003 na Europa pela Point-Music e aportou a alguns meses na América do Sul via Hellion Records. Apesar do considerável atraso, este é um trabalho que merece ser conferido principalmente pelos amantes do Hard Rock orientado por ótimas guitarras. Assim sendo, o Whiplash! conversou com Rafael, que aproveitou a ocasião e também nos contou o que anda rolando com seu conjunto principal, o Akashic, além das atividades extra-banda.

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Whiplash!: Olá Rafael! Que tal começarmos com a história do Barros Project?

Gubert: Olá! Beleza, vamos nessa! Conheci o Paulo Barros em Portugal em 2000, quando o Akashic gravou seu primeiro CD no estúdio deles (Paulo e Luís Barros). Logo fizemos uma boa amizade e o Paulo sondou a possibilidade de no futuro gravarmos um CD juntos, eu adorei a idéia e disse que ficaria aguardando seu contato. Passaram-se dois anos até que um dia o contato aconteceu, e eu me mandei pra lá.

Whiplash!: Mesmo sendo capitaneado por Paulo Barros, outros músicos são creditados como tendo participado das composições, inclusive o conceituado Tommy Newton (Steeler, Victory) e Marcos De Ros, seu companheiro do Akashic. Como foi isso? O processo todo parece ter rolado de forma bem descontraída...

Gubert: Sim, foi tudo muito descontraído, o Tommy é produtor do Tarantula, banda dos irmãos Barros, ele foi convidado pra participar e aceitou prontamente, tive a oportunidade de conhecê-lo no estúdio, é realmente um gênio. O Marcos fez algumas letras para o projeto e algumas melodias em parceria comigo, então ele se mostrou interessado em gravar um solo, gravou aqui mesmo e quando fui para colocar as vozes em Portugal, levei o solo dele na bagagem, o Luís adorou, e assim, o Marcos também participou do projeto.

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Whiplash!: Como foi o processo de gravação? Você foi para Portugal, ou a coisa toda foi feita via transmissão de arquivos mesmo?

Gubert: A gravação toda foi feita na cidade do Porto (Portugal), como já tem um tempo que isso foi gravado, o sistema de composição foi feito pelo correio! Eles me mandavam as idéias de riffs e eu compunha a parte vocal por aqui, fazendo as melodias e passando pra vários amigos a parte das letras. Somente fui a Portugal para a gravação das vozes.

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Whiplash!: Gostei muito do Hard Rock pesadão do Barros, e seu trabalho de voz está naturalmente bem diferente do que faz no Akashic... Rafael, como você definiria "Gemini"?

Gubert: Eu separo o Gemini em duas partes. A primeira parte, até a música cinco, como um hard rock europeu, bem pesado; a segunda metade do CD tem um estilo mais americano, hard rock mais pro lado das bandas do início dos anos 90, e encerramos o disco com uma música totalmente estilo Black Sabbath, ou seja, tem pra todos os gostos (risos).

Whiplash!: Como foi a repercussão do disco na época do lançamento do álbum na Europa?

Gubert: Foi muito boa, o CD foi lançado pela gravadora alemã Point Music e a receptividade foi bastante positiva.

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Whiplash!: Rafael, "Gemini" foi liberado originalmente na Europa em 2003. Porque o Barros Project está chegando ao Brasil com tanto atraso?

Gubert: Inicialmente o Barros seria lançado no Brasil pela Frontline, mas como a gravadora acabou, tivemos que conseguir a liberação do material na justiça, aí explica o porquê da demora.

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Whiplash!: O Barros Project chegou a tocar ao vivo?

Gubert: Infelizmente não, chegamos a ventilar essa possibilidade, mas devido aos inúmeros compromissos de todos, isso até agora foi impossível.

Whiplash!: E há planos para deixar mais algum registro gravado?

Gubert: Chegamos a conversar ano passado, quem sabe...

Whiplash!: Rafael, considerando que você é o vocalista do Akashic, vamos aproveitar e dar uma atualizada na banda. Vocês liberaram seu último CD, "A Brand New Day", em 2005. Como está a situação de seu sucessor?

Gubert: Temos várias idéias, mas ainda queremos trabalhar em cima dos nossos primeiros CDs, portanto, estamos em vias de gravar o nosso primeiro DVD, o que deve ocorrer no início de janeiro, somente depois disso voltaremos ao processo de composição do próximo álbum.

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Whiplash!: Agora em 2007 o Akashic excursionou pela Europa. Como rolou as apresentações por lá? Inclusive me parece que vocês até conseguiram destaque em rádio e televisão da Alemanha...

Gubert: É, na verdade fizemos uma tour promocional, estivemos reunidos com vários promotores de lá, além de levar o nosso material em várias gravadoras, rádios e TVs, isso foi muito proveitoso, com certeza, voltamos com mais uma semente plantada.

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Whiplash!: Os músicos do Akashic vêm participando de vários projetos paralelos. Poderia falar sobre o "Divisível por Três", que gravou seu primeiro disco ainda neste ano?

Gubert: Claro, o Divisível por Três é um projeto completamente diferente de tudo o que fiz até então, tinha muita vontade de ter algum registro em português, e o projeto ainda conta com Tita Sachet, uma cantora fantástica aqui do sul (gravem bem esse nome) e o Sandro Stecanela, que além de ser um músico talentosíssimo (cantor, compositor, violonista), ele ainda é o primeiro baterista do Akashic, o cara faz tudo com muita competência! O projeto é estilo acústico, somente com músicas autorais, e sem compromisso com rótulos. O lançamento está previsto para janeiro.

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Whiplash!: Rafael, sua agenda parece estar cheia, não? Dá para adiantar algo sobre o The Supremacy, que você também está diretamente envolvido? Confesso que fiquei bastante curioso para conhecer suas canções.

Gubert: Na verdade o Supremacy gravou apenas duas músicas, que podem ser ouvidas no meu MySpace. Temos a idéia de levar isso adiante, mas por enquanto está em processo de espera.

Whiplash!: E quanto a Marcos De Ros, Fábio Alves, Éder Bergozza e Maurício Meinert? O que este pessoal anda fazendo enquanto o Akashic não lança um novo trabalho?

Gubert: Essa galera está sempre ocupadíssima, o Marcos está constantemente em tour pela América do Sul com um guitarrista argentino (Pablo Soler). O Fábio tem uma escola de contrabaixo e grava com inúmeros artistas da região. O Éder é professor de teclado, toca na banda de rock Khajal e é produtor, e o Maurício tem o seu próprio estúdio onde grava várias bandas, além de dar aulas de bateria.

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Whiplash!: Ok, Rafael. Agradeço pela entrevista e o espaço é teu:

Gubert: Eu mais uma vez agradeço ao espaço, o Whiplash é um patrimônio do Rock Nacional, sempre me mantenho informado através do site. Obrigado a todas as pessoas que curtem o meu trabalho, seja no Akashic, Barros, Divisível... Ah, continuem dando força ao Metal Nacional e ao Akashic!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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