Grave Digger: Chris Bolthendahl, em extrevista exclusiva

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Por Rafael Carnovale

O Grave Digger está de volta. Após começar uma nova trilogia com "Rheingold" (2003), a banda interrompeu sua continuação para gravar um CD mais básico e mais voltado para suas origens, o excelente "The Last Supper". E para a alegria dos fãs brasileiros, a banda estará desembarcando no Brasil para dois shows (um em Curitiba e um em São Paulo, aonde será gravado um DVD ao vivo). Para falarmos sobre esses shows, e repassar um pouco da história desta grande banda de heavy metal, conversamos com o vocalista/fundador Chris Boltendahl, que se mostrou bem simpático e animado.




Whiplash - Chris, 20 anos atrás a banda lançava seu primeiro álbum, "Heavy Metal Breakdown". Muita água passou por baixo da ponte desde então. O que você apontaria como as maiores mudanças ocorridas nesse período?

Chris Bolthendahl / Bem, primeiramente ficamos mais velhos (risos) e lançamos vários discos em sequência, passando por algumas gravadoras e com turnês e shows memoráveis. Mas o que acho mais interessante foi que começamos a agregar mais elementos ao som mais crú e básico de 1984. Foi o período em que passamos a trabalhar com obras conceituais e inserir mais teclados, mas sem nos descaracterizar. E como em toda história de qualquer banda, a mentalidade dos fãs mudou. É tudo muito diferente, e é uma coisa interessante parar para analisar a história da banda nesses 20 anos.

Whiplash! - Você deixou claro que gostaria de escrever algo inspirado no conteúdo da Bíblia Sagrada. "The Last Supper" seria parte dessa idéia?

Chris Bolthendahl / Não. Apenas uma música se relaciona a Bíblia neste disco. De fato pensava nisso, mas a Bíblia é um livro muito grande e complexo. É um grande desafio tentar musicar toda a obra contida nesse livro. E provavelmente seria um disco diferente de tudo que já fizemos. Nunca digo nunca, mas por enquanto não penso em levar tal plano adiante. No futuro quem sabe....

Whiplash! - Como você definiria o conceito desde novo CD? E quem é a figura atrás de Jesus Cristo na capa?

Chris Bolthendahl / Sobre a figura, ela representa a morte sobre Jesus chorando. A divindade de Jesus é muito forte, mas existe sempre um lado obscuro da vida que não podemos negar. A morte neste caso está chamando, e Jesus chora por isso. O conceito do CD é bem mais complexo, e envolve vários elementos.

Whiplash! - Não é a primeira vez que você interrompe uma trilogia para fazer um CD mais básico, mais tradicional. Vocês desistiram de começar uma para fazer o cd "Grave Digger" (2001). A trilogia será continuada no próximo CD?

Chris Bolthendahl / Sim, definitivamente. O próximo CD será a segunda parte da trilogia, e o conceito será bem diferente do que expusemos em "Rheingold". Posso adiantar que será algo bem diferente do que já fizemos até agora, e isto me deixa bem entusiasmado.

Whiplash! - "The Last Supper" tem belos "riffs" e me lembrou alguma coisa do Black Sabbath, principalmente do disco "Heaven and Hell". O que você pode falar sobre isso?

Chris Bolthendahl / Exato! O Sabbath é uma influência para todos nós. E "The Last Supper" tem muito disso. Manni (Schimid - Guitarra) é muito influenciado por Tony Iommi e isso com certeza se refletiu em seu trabalho, que está excelente por sinal.

Whiplash! - Em faixas como "Desert Rose" e "Hell to Pay", as guitarras e o baixo fazem um grande trabalho. Como você analisa a contribuição de Manni e Jens (Becker - baixista) neste cd?

Chris Bolthendahl / Todos os membros são parte fundamental na construção das músicas. Mesmo que eu tenha escrito a maior parte de uma ou outra, a inspiração e a paixão que eles demonstram pelo trabalho da banda acaba sendo definitiva para completarmos as músicas em conjunto. E quando eles inserem suas partes na gravação acabamos por ter surpresas maravilhosas.

Whiplash! - Você mudou bastante seu estilo de cantar desde 1984. Eu gostaria que você comentasse sobre isso, usando "Crucified" como exemplo:

Chris Bolthendahl / Foi algo que aprendi durante todos esses 20 anos. Não preciso apenas soar agressivo. Adoro mexer com minha voz, às vezes cantando mais limpo, às vezes berrando mais do que o normal. É como adotar diversas personalidades. Me divirto muito nesse processo, e acho que ainda posso melhorar muito com isso. Há tantas possiblidades.....

Whiplash! - Faixas como "Black Widows" e "Hundred Days" podem ser ligadas a acontecimentos como a guerra no Iraque e a luta contra o terrorismo. Você acha que a humanidade está próxima de sua "última ceia"?

Chris Bolthendahl / Espero sinceramente que não (risos). Mas não posso falar que não. Tantas coisas vêm acontecendo, a guerra no Iraque, os ataques terroristas por todo o mundo, que sinceramente às vezes fica difícil acreditar na salvação. Mas o mundo ainda tem muita gente boa, e esses podem ajudar. E eu espero que ajudem!!! (risos)

Whiplash! - Ao mesmo tempo você mostra ter várias idéias sobre álbuns com conceitos religiosos. Não lhe passa pela cabeça escrever um álbum completo sobre religião, considerando a morte do Papa João Paulo II e todo o processo para sua sucessão?

Chris Bolthendahl / Não penso nisso. Primeiramente eu não acredito em religiões. Respeito quem acredita, e respeito também todas as formas de religião. Falando sobre o fato citado, vejo que em muitas coisas a igreja tem um lado político e a sucessão do Papa para mim foi apenas como uma eleição. É tanta coisa que prefiro nem trabalhar nisso.

Whiplash! - Chris, vocês estão vindo para o Brasil pela terceira vez. Agora vocês irão gravar um DVD/CD ao vivo no show de São Paulo. Como surgiu esta idéia e o que você pode nos falar sobre isso?

Chris Bolthendahl / A platéia brasileira é especial, e isso ficou claro em todas as visitas que fizemos por aqui, logo gravar um show aqui no Brasil era óbvio quando decidimos fazer um DVD. Estaremos levando uma grande produção, é claro que com cuidado para que seja compatível com nosso orçamento. Mas daremos aos fãs um show que poucos lugares do mundo terão nesta turnê. Sobre o show em si, faremos um longo "set" de 25 músicas, executando uma retrospectiva de nossa carreira, tocando músicas de todos os nossos álbuns, ou da maioria que pudermos. Será um grande show.


Whiplash! - Agora um fato curioso. Hanz Peter (teclados) além de ser um músico da banda, acabou por tornar-se um símbolo do Grave Digger atual, com toda sua parte teatral. Como isso surgiu e ele nunca pensou em tocar de cara limpa?

Chris Bolthendahl / (Rindo muito) HP é um cara apaixonado pelo que faz. Já ouvi dele várias vezes que "este é o trabalho que amo fazer". É claro que já o deixamos livre para tocar de cara limpa, mas ele é o que mais gosta de fazer isso. Muitas vezes eu mesmo sugiro que ele toque sem a máscara e o sobre-tudo, por causa do calor (principalmente no Brasil), mas ele ama o que faz e não muda sua posição de jeito nenhum. Se ele gosta, nós também!

Whiplash! - Vocês pretendem tocar nos festivais europeus este ano? Planejam levar a produção deste show paulista para a Europa?

Chris Bolthendahl / Sim. Não confirmamos todas as datas ainda, mas estaremos em uma boa parte deles. Na Itália, Suécia, Alemanha. Sobre a produção, infelizmente não levaremos. Seria financeiramente inviável.

Whiplash! - Se você tivesse que escolher, qual seria o seu "TOP 5" de álbuns do Grave Digger?

Chris Bolthendahl / Olha.... eu teria pelo menos uns 100 "Top 5" (risos). É óbvio que agora estou gostando muito do "Last Supper", mas todos os trabalhos que lançamos são especiais, e merecem figurar em uma lista minha. Não posso fazer um "Top 50"????? (Gargalhadas)

Whiplash! - Os brasileiros estão ansiosos para ver este show especial em SP e o de Curitiba. O que você espera desta turnê?

Chris Bolthendahl / Que todos venham nos ver (risos). Acho que estamos na nossa melhor forma, e essa é a hora e o lugar certo para gravar nosso DVD/CD ao vivo. Será maravilhoso, e conto com a presença dos fãs!!!!

Whiplash! - Chris, obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para deixar uma mensagem para os fãs que acessam o site "WHIPLASH!". Nos vemos em breve!!!!

Chris Bolthendahl / Sinceramente, estou muito excitado para estes shows. Será um momento único em nossa história, e estou me sentido muito feliz em poder dividí-lo com os fãs brasileiros. Todos somos apaixonados pelo heavy metal, e mal posso esperar para vê-los.


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