Dark Avenger: Entrevista exclusiva com o vocalista Mário Linhares

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Por Richard Navarro

Após o lançamento do seu petardo de estréia, Dark Avenger (1995), o grupo brasiliense se transformou num verdadeiro fenômeno no cenário do Metal nacional, chegando a ser apontado como a segunda maior banda de Metal brasileiro do estilo depois do Angra, tanto no Brasil como no exterior. Em meio a inúmeros problemas legais com a antiga gravadora e a formação original, o Dark Avenger passou por várias crises e mudanças na formação, até finalmente lançar o segundo álbum, Tales of Avalon - The Terror (2001), que novamente foi um sucesso de vendas e assim como seu antecessor, foi licenciado para Europa e Japão. A formação finalmente foi estabilizada há alguns anos e atualmente atravessa sua melhor fase de entrosamento e criatividade, com o polêmico e estupendo Mário Linhares (vocais), Hugo Santiago (guitarra), Marcus Valls (guitarra), Thomaz Galuf (teclados), Gustavo G Zus (baixo) e Acácio Carvalho (bateria), o último a integrar o atual time do Dark Avenger. Recentemente, a banda volta a chamar a atenção da mídia especializada, quando Mário Linhares é sondado pela banda italiana Vision Divine, onde supostamente substituiria o mito Fabio Lione, notícia esta que repercutiu de maneira surpreendente no Brasil e exterior. Neste momento, o Dark Avenger acaba de lançar uma prensagem limitada de seu novo álbum, o EP X Dark Years (2003), que será fornecido como brinde exclusivo do evento de 20/12/2003 na Ledslay em São Paulo, onde a banda volta após 2 anos sem tocar neste estado, para fazer uma grande apresentação em comemoração aos seus 10 anos de estrada, com participação de Orquestra e gravação de um álbum ao vivo. Saiba tudo sobre as polêmicas e as novidades dessa fantástica banda brasileira de Heavy Metal!

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Whiplash! - Desde o lançamento da primeira parte do Tales of Avalon, o Dark Avenger esteve fora da mídia e até o momento não se comenta nada sobre o lançamento da segunda parte da obra. Qual o motivo?

Mário Linhares / Temos passado por inúmeros problemas (a maioria deles de logística) os quais temos batalhado arduamente para podermos superar. Não é fácil ser uma banda de heavy metal no brasil sem ter empresário, sem uma agenda e uma programação definida e com um orçamento reduzidíssimo para bancar gravações. Definitivamente não queremos depender de gravadoras que não têm um plano de investimento para o Dark Avenger. Todas as vezes que tentamos colocar material novo no mercado os custos são altíssimos, daí até conseguirmos lançar algo novo o tempo tem se passado de maneira muito rápida. Outro fator preponderante foi o fato de não termos tido uma divulgação do Tales of Avalon que achávamos que deveria ter sido feita e isso influenciou sobremaneira o afastamento do DA da mídia.

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Whiplash! - A história do Dark Avenger foi marcada por problemas com gravadoras e várias mudanças na formação original, da qual restou apenas você nos vocais. A que você atribui isso? Fale sobre a atual formação.

Mário Linhares / À falta de maturidade, profissionalismo e até mesmo competência da minha parte, da parte do Zen Studios e de alguns membros efetivos e atuantes da primeira formação do DA em lidar com os negócios administrtivos da banda. Começamos as coisas muito empolgados. Sempre confiamos demais e acabamos por fazer burrices uma atrás da outra. Sou um músico, um cantor e acho que deveria continuar somente assim. Essas coisas de contrato e de dinheiro têm que ser feitas por quem entende. Infelizmente não tivemos a sorte que deveríamos, até agora, pois estamos com uma boa assessoria do Kennedy e da Kalina da KB2 Produtora. Quanto às mudanças elas se mostraram necessárias. Uns saíram por que quiseram, outros foram afastados por causa do pouco empenho ou por desavenças pessoais ou profissionais e outros acharam que era a hora de parar. Isso acontece numa banda que vai fazer 11 anos como é o nosso caso. Eu não vejo isso como o fim do mundo. O fato de somente eu estar na banda esse tempo todo só demonstra o meu amor por ela. A atual formação é quase a mesma dos Metal Unions passados: Eu, Hugo, Thomaz e Marcus. Mudou somente o baixista G. Zus (com a saída do Michel Brasil) e do baterista Acácio (no lugar do Rafael Fófis). Vale salientar que ambos continuam nossos grandes amigos.

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Whiplash! - Muitas pessoas criticam seu ego e seus vocais, pelo excesso e abuso de agudos. Como você encara isso tudo?

Mário Linhares / Você me conhece há pelo menos 9 anos e sabe que eu não tenho esse ego que tanto se fala. Quem convive comigo sabe da minha seriedade e da minha luta diária por um trabalho profissional digno do nome Dark Avenger. Eu queria que alguém que tanto fala do meu ego passasse um mês comigo, vivenciando a minha vida, convivendo com as minhas alegrias e os meus problemas para então dizer se tudo que se fala sobre mim é verdade ou não. As pessoas falam demais! Quase não dão espaço para o artista respirar. Se dependesse de algumas pessoas a banda nem existiria (como falou um crítico de um webzine de Brasília). As pessoas que falam mal de mim não me conhecem e jamais vão me conhecer. No entanto, as pessoas que me conhecem jamais falariam mal de mim pois elas me ajudam e me ensinam dia após dia. Sabem quem eu sou e do grande sonho que tenho dentro de mim que é ver minha banda tocando pelo Brasil afora e pelo mundo. O resto é poeira e vento.

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Whiplash! - Apesar do segundo álbum ter agradado, o debut ainda é apontado de longe muito superior. A que você atribui isso?

Mário Linhares / À mística que havia no Dark Avenger da época. Éramos mais "podrões" e estávamos em evidência. Na época do lançamento do Tales of Avalon nem éramos mais uma banda. Éramos apenas um disco. Chorei muito ao descobrir que tinham pedido o registro do nome Dark Avenger sem eu saber. Desistí de tudo e parei de cantar. O Hugo me convenceu a voltar a ativa meses depois. Agradeço demais ao Hugo, ao Pedro Mundim, ao Pablo Vilela ao George e ao Thomas por terem passado por todo o terror que passamos no final de 2000. Foi difícil recomeçar. Havia uma desconfiança total de minha parte em relação a eles pois eram bons instrumentistas, mas não eram um "Leonel Valdez", um Osiris Di Castro", um "Rafael Galvão" ou um "Gustavo Vieira". Não sabia que eles eram capazes de criar algo a altura do que já tinha sido feito. Hoje três anos depois eu me sinto muito tranquilo e confortável ao ouvir uma "Unleash Hell" ou uma "Utther Evil" e ver que eles se superaram em termos de performance e criação. É como se tudo ouvesse voltado de onde nunca havia partido.

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Whiplash! - Os dois primeiros álbuns do Dark Avenger foram compostos e gravados pela formação clássica da banda, da qual apenas você remanesceu. Por esse motivo, existe uma expectativa muito forte em relação a um novo álbum, questionando se a atual formação manterá o mesmo nível e estilo que projetou o Dark Avenger. O que você tem a dizer sobre isso?

Mário Linhares / Ouça "Unleash Hell" e "Utther Evil" e me diga você mesmo. Ouça "Symphonic Caladvwch" e me diga você mesmo (ambas disponíveis no novo EP X Dark Years). A banda cresceu enormemente, musicalmente falando, nesse hiato de tempo. É natural que venha existir comparações entre a formação que gravou o álbum debut e a formação atual. Como pessoas não há nada o que comparar. Somos mais unidos, visamos um bem comum que é a nossa banda e nossa música, e acima de tudo queremos voltar a tocar e fazer música que mantenha a mística do nome Dark Avenger. Isso é o que nos move hoje. Hoje temos mais tempo e mais conhecimento do que queremos fazer. Nossas composições estão mais belas e mais fortes. Acho que estamos alcançando o ponto exato de onde queremos chegar e é muito bom saber que se está no caminho correto. Ao ouvir as músicas novas os fãs têm dito sempre a mesma coisa: A banda está melhor que antes e, vindo do fã que é quem conhece a banda verdadeiramente, isso é algo muito positivo.

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Whiplash! - A propósito, a quantas anda o processo judicial sobre o direito do nome Dark Avenger, movido pelos ex integrantes da banda?

Mário Linhares / Não existe um processo judicial. O que existe são DOIS pedidos de registro de uso do nome Dark Avenger no INPI (Instituto Nacional de Marcas e Patentes). O próprio INPI irá julgar, mediante as provas apresentadas, quem tem realmente direito ao uso do nome e da marca Dark Avenger. É um processo demorado mas eu confio na justiça!

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Whiplash! - Recentemente, o nome Dark Avenger voltou a ser bastante comentado na mídia especializada, a respeito de sua suposta entrada na banda italiana Vision Divine, onde substituiria o posto de Fábio Lione, que passaria a se dedicar exclusivamente ao Rhapsody. Isso realmente teve algum fundamento?

Mário Linhares / Fui contactado pelo Olaf Thorsen em junho deste ano, com o convite para participar do "novo projeto" dele. Após algumas semanas ele enviou um material novo para que eu colocasse voz para ver como ficaria nas músicas novas. Eu coloquei voz no Zen Studio e no ORBIS Studios em Brasília e enviei de volta para a Itália. Após alguns dias ele se reuniou com o Oleg Smirnoff e ambos decidiram que eu estava dentro do "projeto". Alguns dias depois ele entrou em contato comigo e relatou que o "projeto" na verdade era o novo disco do Vision Divine, um disco com apenas uma música, dividida em 10 partes, num total de 50 minutos. Eu fiquei estupefato e muito feliz. Ele apenas me pediu para não comentar com ninguém por um tempo, até o momento dele poder fechar os licenciamentos com as gravadoras no mundo inteiro. Ele alegou que muitos selos não viam com bons olhos a saída do Fabio Lione do Vision Divine e que isso impactaria nas vendas e na imagem da banda juntoa o público e evidentemente nas vendas.

Mário Linhares / Ele enviou-me as dez músicas do novo disco e ficou combinado que eu, a cada semana, colocaria voz nas músicas para que a equipe produção lá na Itália fosse vendo como estavam ficando as linhas de vozes e como a minha voz se encaixava nas novas músicas. Esse procedimento foi adotado também para que eu fosse me acostumando às músicas e às letras. Isso aconteceu em meados de agosto e o prazo final para eu estar na europa era 08 de novembro deste ano, pois o estúdio já estava agendado na Alemanha. Porém em agosto desse ano foi detectado pelo meu médico particular em Brasília que eu tinha alguns cistos, "caroços" que estavam crescendo em minha garganta. Eu entrei em parafuso e parei todos os meus projetos para poder cuidar da minha saúde.

Mário Linhares / Resumindo, em 24 de setembro passado eu me submetí a uma cirurgia de três horas, com anestesia geral, para a extração de 06 cistos que, graças ao bom Deus NÃO ERAM CANCERÍGENOS. Por ordens médicas eu tive que ficar em repouso absoluto por dois meses e isso atrasou em muito o meu cronograma com o Vision Divine, tendo em vista que, das 10 músicas enviadas, eu só conseguí colocar voz em três (In the light, Colours of My World e Out of the Maze). Ao entrar em contato com o Olaf, depois de mais de um mês de ausência o clima já era outro. Eu disponibilizei Colours of My World para ele ouvir, ele gostou e falou que iria conversar com a equipe de produção. Dois dias depois ele me enviou um email, onde ele agradecia todo o esforço que eu havia tido em relação ao Vision Divine, falou mais uma vez que a minha voz é muito boa e que eu sou um grande vocalista, MAS, devido a problemas com a agenda do estúdio (eles tiveram um prejuízo de 10.000 euros por causa do cancelamento do estúdio para graver os vocais) eu não poderia mais ser o vocalista da banda. Na verdade eu acho que eles não gostaram do meu vocal nas músicas. Nem eu gostei… eheheh. Meus amigos que ouviram e minha namorada gostou… mas eu não… e acho que eles também. De qualquer forma foi muito bom. Foi uma boa excitação do espírito e uma boa chance de mostrar o nosso trabalho lá fora. Só o fato de ter sido cogitado, convocado e ter gravado algo pra eles já valeu muito a pena. Não estou triste, acho que crescí um pouco mais. Quanto a minha saúde, eu estou 100% e já voltei com força total aos ensaios. Quero agradecer a todos que estiveram ao meu lado nos momentos difíceis em que eu não sabia se iria voltar a cantar. Mas o ser humano é teimoso e eu estou aí firme e forte.

Whiplash! - Após dois anos sem tocar em São Paulo, o Dark Avenger está voltando para fazer o maior show de sua carreira em comemoração aos seus 10 anos de estrada. Pelo que consta, esta apresentação será gravada para o lançamento de um "álbum live" e a banda ainda contará com participação de orquestra em algumas músicas. Qual a expectativa de vocês para este evento e o que os fãs paulistas podem esperar desta tão esperada apresentação do Dark Avenger no próximo dia 20/12 na Ledslay em São Paulo?

Mário Linhares / A gente quer fazer uma festa. Quer que o público curta e cante do começo ao fim. Isso sim irá fazer a nossa alegria. Vamos dar o máximo da gente e pode esperar para ver uma banda mais viva, renovada e cheia de saudade do público paulista. Como sempre a gente pretende tocar o coração e a alma dos presentes. Veremos nos sorrisos dos presentes se a gente conseguiu algo perto disso. Se houver muitos sorrisos já terá valido a pena.

Whiplash! - O Dark Avenger já chegou a ter esse tipo de experiência em seu estado, onde contaram com a participação da Orquestra Sinfônica de Brasília em dois eventos importantes. De onde partiu essa idéia e o que os fãs da banda podem esperar dessa participação de Orquestra no show de São Paulo?

Mário Linhares / A idéia surgiu quando pensamos em fazer esse single. Daí eu e o Thomaz pensamos em orquestrar uma música e casou de ambos termos a mesma idéia de ser Caladvwch. Então ele se debruçou dia-e-noite nesse projeto, rearranjou toda a música, escreveu todos os arranjos, partiturou e ainda regeu e coordenou os músicos durante as gravações e apresentações ao vivo. Deu um puta trabalho mas foi muito gratificante poder ver até onde a gente foi capaz de ir. Sou muito agradecido a Deus por ter uma pessoa como o Thomaz na banda. Durante o show temos uma pate acústica que pretendemos executar com músicos de orquestra. Esperamos poder passar toda a emoção que conseguimos imprimir na gravação e tenho certeza que será um grande espetáculo pois, tanto a banda quanto a produção, estamos muito empenhados para esse evento e estamos preparando algo muito especial para o público.

Whiplash! - Pelo que consta, na compra do ingresso antecipado a pessoa leva o novo EP da banda, X Dark Years, com 5 faixas inéditas. Isso procede? È verdade que este EP é uma prensagem exclusiva para este show e não poderá ser adquirido de outra forma? Fale sobre o conteúdo deste EP.

Mário Linhares / Sim isso foi uma idéia da produção (Heavy Melody) que sempre tem nos ajudado e nunca nos esqueceu. Devemos muito do que somos à fé que eles nos depositam. Qualquer pessoa que adquirir o ingresso antecipado levará o "X DARK YEARS", o nosso novo trabalho. Um single com 5 músicas inéditas do Dark Avenger mais 1 bônus track que é a música que nós gravamos para o Tributo ao Manowar (Dark Avenger). Essa prensagem é uma distribuição gratuita e não será comercializada. Ou seja, uma iniciativa visionária e corajosa, de quem definitivamente apóia o Metal nacional e respeita as bandas e público. Essa atitude beneficiará tanto a banda como o público, o que é maravilhoso.

Whiplash! - A propósito, este EP traz a participação do DA no tributo italiano ao Manowar. Sabemos que você sempre foi fã declarado de Manowar e chegou a colocar o nome no filho de Eric em homenagem a Eric Adams. Como foi participar desse tributo e o que essa lendária banda americana representa para a carreira do DA?

Mário Linhares / Foi muito bom. Apesar de eu não ter gostado muito do conteúdo geral. Mas veleu muito a pena sim. Eu sempre gostei muito de Manowar pela força que a banda passa em suas músicas. Tanto é que o nosso nome vem de uma das músicas deles. Uma música bem forte e clássica, bem a nossa cara. Quanto ao meu filho ele está bem, lindo como sempre e fez nove anos agora em outubro.

Whiplash! - Muito obrigado pela entrevista, o espaço está aberto para as considerações finais:

Mário Linhares / Gostaria de agradecer a Whiplash e toda a sua equipe por estar nos apoiando mais uma vez e por todos esses anos que manteve as portas abertas para o Dark Avenger. O Whiplash alcançou o estatus de "melhor site de rock do Brasil" não foi à toa. Possui uma equipe que prima em excelência no tocante a profissionalismo e conhecimento. O meu muito obrigado em nome de todos do Dark Avenger por mais essa oportunidade de estarmos mostrando um pouco da nossa história e do nosso trabalho nas páginas do Whiplash. A todos os leitores do Whiplash e fans do Dark Avenger um forte abraço e esperamos poder estar mais perto de vocês nos próximos 10 anos. Ah!, aguardamos todos vocês no nosso show de 20/12/2003 na Ledslay/SP, prometemos um verdadeiro presente de Natal aos reais amantes do bom e velho Heavy Metal! Um abraço a todos e sucesso sempre.

DISCOGRAFIA:

- Dark Avenger (CD/1995)
- Tales of Avalon - The Terror (CD/2001)
- Revenge - The Triumph of... (Tribute to Manowar/2002)
- X Dark Years (EP/2003)

CONTATOS:

Website: www.darkavenger.com.br
e-mail: [email protected]

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