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Holy Sagga: entrevista com o guitarrista Anderson Carlo

Por Rodrigo Vinhas
Em 13/07/03

A banda Holy Sagga, se destacou como uma das maiores revelações do metal nacional do ano de 2002, com o lançamento de seu álbum debut, Planetude. Desde então, a banda fez grandes shows e agora está preparando a participação em alguns tributos, além de comemorar o sucesso do disco de estréia não só no Brasil, mas em outros mercados muito importantes como o Japão por exemplo, onde a banda vai muito bem. Conversamos sobre tudo isso com um dos membros fundadores, o guitarrista Anderson Carlo, que além de tudo isso nos fala do assunto mais importante em questão: Guitarra.

Qual a sua formação musical?

Fiz aulas particulares com o Eduardo Ardanuy durante um ano e cursei quatro módulos no IG&T com o Djalma Lima. Depois disso, continuei a estudar sozinho, através de vídeo-aulas e métodos de grandes guitarristas.

Você acha importante estudar, ou ser reconhecido fora do país pra ser respeitado aqui no Brasil?

Não acho que seja tão necessário ter de sair do país para ser reconhecido. Existem grandes guitarristas que são respeitadíssimos e reconhecidissimos aqui e fora, nunca puseram o pé fora do Brasil. O que realmente acho importante é a seriedade e o profissionalismo com que se desenvolve um trabalho, isso sim é motivo para reconhecimento e respeito.

Quais suas influências?

Gosto muito dos guitarristas da segunda metade da década de 80 e do começo dos 90: Yngwie Malmsteen, Paul Gilbert, Marty Friedman e John Petrucci. Gosto muito também do Vai, do Satriani e do Eddie Van Halen dentre outros.

O que você tem achado do trabalho gravadora Louder Music?

Estou muito satisfeito com o trabalho da Louder, eles vêm dedicando 100% de seus esforços ao Holy Sagga, visto que somos a única banda de seu cast. Acho que o que precisávamos para desenvolver um bom trabalho era essa exclusividade e pessoas sérias ao nosso lado. Encontramos isso nas pessoas com as quais trabalhamos na Louder Music.

Como você vê o crescimento do metal melódico, no mercado nacional nos últimos anos?

Não acho que o crescimento tenha sido apenas do Metal Melódico. Acredito que o Heavy Metal no geral está vivenciando uma excelente fase. Eu vejo isso como um reconhecimento por parte do público do esforço que é ter uma banda de Metal. Claro que ainda temos um grande caminho a percorrer, mas com certeza a galera está ficando mais inteligente e acaba por procurar um estilo de música inteligente, o Metal, (risos).

Vocês ainda planejam um grande show de lançamento do Planetude em SP? Ou ele foi o Brasil Metal Union?

O BMU foi um ótimo show para o Holy Sagga, o primeiro após o lançamento do Planetude aqui em São Paulo e a galera estava empolgadíssima, mas com certeza ainda teremos um show de lançamento exclusivo da banda em São Paulo. Estamos só esperando o momento mais oportuno para isso, pois agora temos alguns compromissos importantes, mas a data está bem próxima.

Quantas cópias do Planetude foram vendidas até o presente momento?

Não tenho muita certeza dos números, mas acho que já passamos das 5.000, o que é muito significativo para todos na banda.

Quais são os shows que vocês tem marcados?

Bom, temos a tour no Nordeste, que serão uns 6 shows, um festival em Santo André, dia 29 de junho juntamente com o Sagitta, Tuatha de Danann e Dr. Sin, e mais algumas datas no Sul do país e interior de São Paulo para os próximos meses que ainda serão anunciadas.

O que houve com a tour norte/nordeste? Parece que só o show de Belém ocorreu. As datas na região foram adiadas ou canceladas?

Bem, tocamos em Bélem no dia 20 de abril e vimos que o público no Norte/Nordeste não é brincadeira. A galera curte o show do começo ao fim, cantando e bangeando o tempo todo. "Foi muito massa!!!!!", como eles costumam dizer. As outras datas foram adiadas, estaremos tocando lá no final de julho/começo de agosto. Essa é uma boa oportunidade para eu esclarecer o que ocorreu. Todos sabemos da dificuldade que é trabalhar com Metal aqui no Brasil, e essa dificuldade é ainda maior por faltarem pessoas sérias no meio. Muitas vezes os fãs ficam chateados com as bandas por elas desmarcarem shows, mas a falta de seriedade de alguns promotores nos obrigam a tomar esse tipo de atitude. Foi isso que ocorreu com o Holy Sagga. Agora encontramos as pessoas certas para realização dos shows. Com certeza faremos os shows com muita energia e muito Metal, pois também estamos muito ansiosos para tocar no Norte/Nordeste e toda essa espera por parte dos fãs será retribuida.

Quais as previsões para um novo trabalho? Existe alguma espécie de previsão em relação a data?

Bom, já estamos trabalhando nas novas composições. Quanto a datas, é difícil precisar alguma, mas queremos entrar em estúdio até o final deste ano.

Vocês pretendem lançar um EP no Japão? A banda está indo muito bem por lá, correto?

Foi estudada a possibilidade de lançar um EP no Japão, pois a banda está vendendo muito bem lá, mas como fomos chamados para participar nos tributos ao Journey, que será lançado aqui pela Front Line Records e no tributo ao Manowar, que será lançado mundialmente pela Nuclear Blast alemã, tivemos que mudar nossos planos pois esses projetos tomaram bastante do nosso tempo e talvez o EP fique para depois. Acho que agora é o momento de trabalharmos no material para o novo álbum. (PS: a banda gravou "Who´s crying now" do Journey e "Hail and Kill" do Manowar).

Quanto tempo durou o processo de gravação do álbum?

Um pouco mais de um ano, pois as gravações foram pagas pela banda. Tivemos que manter um ritmo mais lento, o trabalho que foi realizado no "Planetude" teve um custo alto, típico de trabalhos daquele nível. Agora que temos uma gravadora as coisas acontecerão mais rapidamente, pois temos o suporte necessário.

Qual é o processo de composição da banda.

Na maioria das vezes o Maurício se encarrega de compor as melodias de voz e idéias de arranjos. Eu e o Cardillo montamos a harmonia desta melodia e compomos mais algumas partes juntamente com o Maurício, depois disso levamos tudo para o estúdio, onde juntamente com Gustavo e o Gabriel montamos a música, e compomos mais algumas partes de instrumental. Ao final temos uma composição pronta, com todos dando idéias. As letras no geral sou eu quem escreve.

Como as guitarras de "Planetude" foram gravadas?

Utilizamos um cubo Mesa/Boogie de 25 watts plugado em uma caixa Groove Tubes com dois falantes de 12". A caixa foi microfonada com alguns microfones diferentes, para podermos montar um timbre mais específico na mixagem. Tudo foi gravado apenas com o drive do ampli.

Que efeitos você usou?

Durante as gravações, só o drive do ampli. Na mixagem foram usados diversos efeitos, como Chorus, Reverb, Delay, Flanger, etc...

Quais guitarras você usou?

Usei uma Ibanez JS1000 com captadores Di Marzio e uma Fender Ritchie Sambora também equipada com Di Marzio, além de uma Gibson Les Paul.

Fora do Holy Sagga você atua como músico de alguma outra forma, seja fazendo workshops dando aulas? Você tem outra profissão fora a música? Qual?

No momento estou envolvido na produção do álbum do Widow. Fora da música, sou técnico programador na área têxtil.

Você acredita que seja possível viver bem de música no Brasil?

É um caminho difícil, mas acho que é possível sim, desde que você se porte de maneira profissional e honesta e sabia aproveitar as chances que eventualmente aparecem.

Como surgiu seu interesse na guitarra?

Acho que foi ouvindo Metallica e Iron Maiden, na minha adolescência. Eu ficava horas e horas ouvindo os discos e prestando atenção nos mínimos detalhes. Acho que foi assim que acabei me encaminhando para o instrumento, por influência de Adrian Smith, James Hetfield e cia.

Qual foi sua primeira guitarra?

Uma Magnus, terrível... A primeira que dava para tocar foi uma Fender Southern Cross series.

Até que ponto você acha que os efeitos influenciam na qualidade de um guitarrista?

Com certeza os efeitos são importantes para criar ambiências e climas em seu som e acho muito importante um guitarrista saber trabalhar com timbres, regulagens e efeitos. Admiro muito o Steve Vai, pois ele tira o máximo de proveito dos efeitos que usa. Mas se você não sabe tocar, o efeito não vai fazer isso por você.

Deixe um recado para as pessoas que estão começando a tocar agora.

Estudem, mas estudem bastante. Amadureçam e ouçam de tudo. Só assim você consegue desenvolver sua técnica e seu senso crítico, sem os quais é impossível compor boa música.

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Sobre Rodrigo Vinhas

Rodrigo Vinhas é guitarrista da banda Thalion, ex-aluno de Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Hugo Mariutti e Kiko Moura. Vinhas dá aulas de guitarra na baixada santista. Telefone para contatos: (013) 3429-17-80. Em São Paulo: (11) 9890-0490.

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