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Arquivos em MP3: quem os ouve, não ouve o que foi feito em estúdio

Por
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 23 de fevereiro de 2015

Uma maneira de findar o debate MP3 vs formatos não-comprimidos de áudio seria através da audição dos elementos de uma música que se perdem durante a compressão – e eis aqui um vídeo que mostra exatamente isso.

Artigo original por Rounik Sethi

A crescente disseminação de media players de ‘alto padrão’ nos últimos meses, como o Pono Player, tem comburido um debate sobre se de fato notamos a diferença entre formatos comprimidos como o MP3 mediante outros como o WAV. Enquanto o MP3 e outros formados de arquivos de áudio comprimidos tornaram o download, armazenamento e compartilhamento mais fáceis – especialmente em aparelhos portáteis, há elementos e, por várias vezes, bandas de frequências que são perdidas durante o processo de compressão?

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Enquanto a qualidade de músicas comprimidas ou não-comprimidas poderia ser tópico de uma abordagem puramente subjetiva dependendo da experiência auditiva de cada um, RYAN MAGUIRE, um estudante com PH. D. em Composição Musical e Tecnologia da Computação no Centro de Música Informatizada da Universidade da Virgínia, interessou-se em investigar exatamente quais partes de uma música são excluídas durante o processo de compressão. E ele achou um modo de nos permitir ouvir o que não estamos ouvindo.

Neste vídeo fascinante de seu site, Ryan criou um arquivo em áudio de todos os sons que foram descartados uma vez que a faixa "Tom’s Diner" de Suzanne Veja foi digitalmente compressa:

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Em uma entrevista com o site difuser.fm, Ryan explica mais sobre tais sons ‘perdidos’: "O que são esses sons perdidos? Eles são sons que o ouvido humano não pode ouvir em seu contexto original graças a limitações perceptuais universais ou eles são simplesmente lixo do encodamento?", ele questiona. "Já é aceito como regra que os arquivos em MP3 criam artefatos audíveis tais como pré-eco, mas como é o som da música com o efeito que esse codec cria? No trabalho apresentado aqui, as técnicas são consideradas e desenvolvidas para recuperar tais sons perdidos, os fantasmas no MP3, e reformular tais sons como arte."

Tal como diversos produtores e músicos profissionais provavelmente irão concordar, é tão interessante ouvir o que ficou de fora quanto é transmitido através dela. Mas, a questão persiste: o quanto é que formatos comprimidos severamente afetaram ou arruinaram nossa experiência auditiva, e se a possibilidade de ouvir uma música tal como o produtor o queria é viável quando o formato de áudio do arquivo é apenas um elemento que afeta a qualidade sonora: sim, usuários de iPod e iPhones, estou olhando pra vocês…

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)
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