Lars Ulrich: revelando ser o maior e melhor fã do mundo

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Por Andre Damas, Fonte: St. Metallica
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Qual é a diferença entre Lars Ulrich e um fã comum? Ao contrário dos demais, Lars não apenas sonhara em conhecer seus ídolos, como também os conhecia – ele queria e fazia acontecer. E ia além: Lars ainda vivia com seus ídolos. Quem disse que o baixinho precisou do METALLICA para estar entre os grandes nomes da música mundial se enganou. Leia a seguir o relato de Brian Tatler, guitarrista do DIAMOND HEAD, que dividiu experiências com o jovem fã e cujas memórias são expostas no livro "Metallica: A Biografia", de Mick Wall.

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"Ele [Lars] começou a mandar cartas manuscritas dizendo que morava nos Estados Unidos e adorava a NWOBHM. Depois ele soube que estávamos fazendo uma turnê no verão de 1981, a grande turnê em que tocamos no Woolwich Odeon, comprou uma passagem e veio para a Inglaterra ver o DIAMOND HEAD, seu grupo preferido."

"Ele era só um fã; não falou que era baterista ou coisa assim. A gente falava: 'Esse tal de Lars dos Estados Unidos mandou outra carta'. Daí ele pintou no Woolwich Odeon, se apresentou, e ficamos impressionados porque ninguém nunca havia saído de lá para ver o Diamond Head antes. Parecia uma proeza e tanto. Eu nunca tinha posto os pés nos Estados Unidos, e ele tinha dezesseis anos, foi aos bastidores e se apresentou! Ficamos lisonjeados."

"Perguntamos onde ele estava hospedado, e ele disse: 'Não sei, vim direto do aeroporto'. Perguntei se ele não queria ficar na minha casa. Aí ele entrou no carro; depois disso, ia conosco a todo canto, todo apertado no banco de trás do Austin Allegro de Sean [Harris, vocalista]."

Lars ficou uma semana na casa do Brian. O guitarrista ainda morava com os pais, e Lars dormiu no quarto dele, no chão recoberto por um carpete fino, em um velho saco de dormir comido por traças. Na maioria das noites, eles iam beber em bares. Costumavam assistir de madrugada, e um vídeo adorado era do LYNYRD SKYNYRD abrindo para os ROLLING STONES em Knebworth, que Brian gravara da TV. Lars rolava no chão imitando o solo de "Freebird".

"Ele era uma figura, sabe? Cheio de gás e energia", conta Brian.

De acordo com as informações coletadas, Lars Ulrich terminou a estada do verão na Grã-Bretanha arrumando um jeito de ir ao Jackson's Studio, em Rickmansworth, onde outra de suas bandas prediletas, o MOTÖRHEAD, estava gravando o álbum Iron Fist.

"Conheci Lars por volta de 1981", confirmou Lemmy, líder do MOTÖRHEAD. "Com certeza foi antes de o METALLICA existir. A primeira vez foi no meu quarto de hotel em Los Angeles. Ele se apresentou como o cara que cuidava do fã-clube do MOTÖRHEAD nos Estados Unidos – no fim das contas, tratava-se de uma divisão não oficial dos Motörheadbangers, e ele era o único membro. Na verdade, ele nunca teve nada a ver com o fã-clube oficial, embora claramente adorasse a banda."

"Nunca vou me esquecer do encontro porque ele quis beber comigo, e estava na cara que não conseguia me acompanhar, e aí vomitou. Não foi tão ruim, nem o fiz limpar ou coisa do gênero, mas insisti para que usasse um babador enquanto ficasse comigo no quarto."

Com um sorriso, continuou: "Curiosamente, ele também vomitou na vez seguinte que nos encontramos. Ele não tinha melhorado em nada seus hábitos de beber. Talvez eu devesse ter dado umas aulas para ele. Ou então se trata de algum cumprimento dinamarquês estranho."

Outra banda com quem Lars Ulrich certamente fez amizade no verão de 1981 foi o IRON MAIDEN, só que não na Grã-Bretanha, e, sim, durante o show num pequeno clube em Copenhague, onde ele fez uma parada estratégica para vê-los antes de voltar para os Estados Unidos.

Quando foi aos bastidores depois do show para cumprimentar os caras e pegar autógrafos, Lars reparou que havia um líder no IRON MAIDEN: Steve Harris. Isso lhe ensinou uma lição importante, que depois contaria a Harris: "Democracia não funciona numa banda."

Como Lars disse a Mick Wall mais tarde, "essa é uma das razões da existência do METALLICA, pois fui aprender na fonte com MOTÖRHEAD, DIAMOND HEAD e IRON MAIDEN. Eu não largava do pé deles – como um parceiro, absorvendo e aprendendo a energia. Foi o que me fez perceber que eu também queria entrar nessa jogada."

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