The Spirit, muito além da sua zona de conforto em seu segundo álbum de estúdio!
Resenha - Cosmic Terror - Spirit
Por Oscar Xavier
Postado em 10 de maio de 2025
THE SPIRIT é uma banda de Black Metal Melódico formada na Alemanha por Manuel Steitz (bateria) e Matthias Trautes (inicialmente guitarra e vocal), e já possui 4 álbuns de estúdio em sua discografia. Hoje iremos falar acerca do seu segundo álbum intitulado "Cosmic Terror".

Lançado em 2020, o álbum contém uma arte de capa feita pelo artista francês Valnoir, que segundo o líder da banda M.T. foi escolhido para criar algo inovador e totalmente fora dos padrões das capas de álbum que encontramos no Black Metal.
A primeira faixa, intitulada "Serpent as Time Reveals", já começa com o pé no acelerador. Com uma bateria esbanjando técnica e guitarras com harmônicos mais abertos entre os riffs, muito comum nas canções do GOJIRA, a banda mostra de cara que a gama de influências nesse álbum está mais ampla. Os refrões na voz de M.T. transbordam uma energia poderosa, tornando a canção ideal para se cantar junto em shows ao vivo.
A faixa "Strive for Salvation" começa com uma cozinha bem trabalhada e riffs bem dissonantes. Os versos da música entram em completa sinergia com os demais instrumentos, mostrando uma bagagem criativa riquíssima de um grupo que não se rende ao simplismo presente em boa partes das bandas tradicionais de Black Metal.
"Repugnant Human Scum", terceira faixa do álbum, começa com guitarras e vocais de forma isolada, técnica utilizada como forma de enfatizar a mensagem a ser passada, tal qual um discurso, lembrando bastante a música "Black Dragon" do DISSECTION que também se inicia com essa dinâmica. Especificamente aos 02 minutos e 15 segundos a música assume uma ambientação mais grandiosa que posteriormente dá lugar a um andamento mais cadenciado e rico em melodias, como um descanso "postmortem". A faixa se encerra pisando acelerador, ganhando uma forma mais veloz e caótica.
"The Path of Solitude", minha favorita do álbum, é a faixa mais longa com 07 minutos e 50 segundos, e começa com um dueto de guitarras isoladas. Então surge uma bateria pesada e cadenciada, riffs com cavalgadas e escalas intercaladas, tudo com bastante groove mas sem perder o clima soturno do Black Metal, mostrando novamente que se ampliaram os horizontes criativos da banda. Os riffs mais abertos vistos na primeira faixa do álbum estão presentes novamente nessa música. Na metade da música surge uma convergência entre os riffs gélidos e os pedais duplos, que logo dá lugar a uma passagem repleta de influências de rock progressivo, mostrando o entrosamento dos músicos. Claramente a música mais rica musicalmente do álbum.
A quinta faixa do álbum, intitulada "Pillars of Doom", novamente mostra o lado progressivo da banda em alguns trechos da música. Então surgem riffs bem dissonantes e um andamento de bateria bem acelerado, refletindo o caos cósmico que o álbum se propõe a abordar. Confira o videoclipe oficial da canção logo abaixo.
"The Wide Emptiness" é uma faixa com trechos fáceis de cantar e com andamentos perfeitos para um "headbanging", que funcionará perfeitamente ao vivo. Na metade da faixa há um trecho em que se assume uma cozinha extremamente técnica, servindo de base para os excelentes solos melódicos tradicionais da banda.
A última faixa do álbum e que leva seu nome, é um instrumental com riffs abertos e um dos andamentos de bateria mais técnicos do álbum. Há uma intensa transição de andamentos no percorrer da canção, uma clara influência do rock progressivo. Seus solos de guitarra trafegam de lick distintos com cada guitarra tocando de forma independente, até guitarras gêmeas e melódicas. A música, e consequentemente o álbum, se encerra reduzindo pouco a pouco o volume, como cortinas que lentamente se fecham após um grandioso espetáculo.
Lineup:
M.T. - Vocais/Guitarras
M.S. - Bateria
A.T. - Baixo
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