Heaven & Hell: A parceria entre Iommi e Dio que reergueu o Sabbath após a saída de Ozzy
Resenha - Heaven & Hell - Black Sabbath
Por Yuri Apolônio
Postado em 07 de julho de 2024
Por mais que o Black Sabbath tenha tido uma carreira de quase 50 anos e 19 álbuns de estúdio lançados, o auge comercial dos ingleses de Birmingham ocorreu com os cinco primeiros discos, no período entre 1970 e 1973.
O que não significa que não haja diversos álbuns excelentes fora desse período – acho até bem compreensível ter preferência por lançamentos de outras épocas –, mas, comercialmente falando, a banda nunca mais seria tão relevante, exceto por um curto período no início dos anos 80, logo após a saída de Ozzy Osbourne dos vocais e a entrada do baixinho, mas com uma voz estratosférica, Ronnie James Dio.
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Vamos dar uns passos atrás para entendermos melhor.
Após cinco discos quase perfeitos, a formação do Black Sabbath que incluia Tony Iommi na guitarra, Ozzy Osbourne no vocal, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria, parecia imparável. Mas uma batalha judicial com o ex-empresário da banda é responsável por iniciar um desgaste bastante significativo na relação entre os músicos.
O "Sabotage", de 1975, lançado em meio a esse imbróglio, é talvez último suspiro de uma formação que ainda duraria mais quatro longos anos. Nesse período, o Black Sabbath lança o "Technical Ecstasy", em 1977, que não é um desastre, e o "Never Say Die!", em 1978, este bem mais irregular.

Em 1979, o grupo até se reúne por alguns meses para criar materiais para um novo o álbum, mas, exceto pelo guitarrista, ninguém mais estava interessado. Segundo Iommi, todos estavam abusando de álcool e outras drogas como nunca, mas Ozzy se encontrava em um nível totalmente diferente dos demais. O abuso, aliado à falta de contribuição nas novas composições, fez com o guitarrista e líder da Black Sabbath demitisse o carismático vocalista.
Tony Iommi vai atrás de outro vocalista, e aí tem uma situação curiosa, pois ele conta que quem sugeriu a contratação de Dio para o lugar de Ozzy foi Sharon Arden, filha do empresário da banda, Don Arden. Em pouco tempo Dio e Sharon se tornariam inimigos ferozes, uma vez que ela se casaria com Ozzy e se tornaria Sharon Osbourne. E, bem, digamos que Dio e Ozzy não cultivavam sentimentos muito positivos um sobre o outro.
Fato é que Dio e Iommi se encontravam em situações que se complementavam: o vocalista havia deixado o Rainbow há pouco tempo e o guitarrista precisava de alguém para cantar em sua banda. Eles se dão bem logo de cara e compõem logo "Children of the Sea" no primeiro dia juntos.
A princípio, a dupla discute a formação de uma nova banda, mas sabendo da força do nome Black Sabbath, optam por manter a marca. A questão é que Bill Ward também estava com graves problemas quanto ao consumo álcool e Geezer Butler se encontrava em processo de divórcio.
Com isso, nos primeiros ensaios, quem tocou baixo foi o próprio Dio. Posteriormente, assumiriam o instrumento o ex-Elf e Rainbow, Craig Gruber, e o, a partir de então, eterno músico de apoio do Sabbath, Geoff Nicholls.
O "Heaven & Hell" é uma das duas únicas obras do Black Sabbath a contar com o lendário produtor Martin Birch. Dio havia trabalhado com ele no Rainbow e sugeriu seu nome. Havia bons anos que Tony Iommi cuidava sozinho da produção dos álbuns do grupo.

Essas questões explicam em partes a diferente sonoridade do Heaven & Hell. Mas há outros fatores, como a composição das letras, que até então eram quase todas feitas por Geezer, e passaram a ser de responsabilidade de Dio.
Outro fator, era o estilo de cantar do novo vocalista. Iommi conta que a diferença não estava somente na voz, mas na abordagem. Enquanto Ozzy muitas vezes seguia o riff principal da canção, como em Iron Man, por exemplo, Dio cantava através do riff, o que, segundo o guitarrista mudou a radicalmente a dinâmica das composições.
Iommi e Dio compuseram juntos o álbum inteiro. Restou para Geezer Butler e Bill Ward retornarem e comporem suas partes em cima das bases criadas.
O resultado foi um sucesso! Com uma sonoridade moderna, o renovado Black Sabbath conseguiu agradar boa parte do velho público e ainda surfar na "Nova Onda do Heavy Metal Britânico", movimento de novas bandas de rock pesado que surgiu na Inglaterra, na ressaca do movimento punk.
O "Heaven Hell" obteve o melhor resultado comercial do Sabbath desde o fim da era de ouro do grupo. E mais recentemente, em 2017, foi considerado o 37º "melhor album de metal de todos os tempos" pela revista "Rolling Stone".
A fase do Black Sabbath com Dio, contudo, duraria somente mais um álbum, o "Mob Rules", de 1981, que é quase tão bom quanto o "Heaven & Hell". Depois disso, Dio daria início à sua carreira solo com o pé na porta enquanto o Sabbath passaria por alguns bons anos um tanto conturbados.

A parceria com Dio seria restaurada em dois momentos: entre 1991 e 1992, o que gerou o interessante "Dehumanizer", e entre 2006 e 2010, cujo resultado foi o "The Devil You Know", daí com a banda sendo nomeada de Heaven & Hell, o que, no fim, é só um detalhe.


Muitos fãs do Black Sabbath têm preferência pela fase com Dio, iniciada com o "Heaven & Hell", o que não é meu caso, embora entenda o argumento.
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