Angra silencia os críticos e desfruta de sua melhor fase em "Cycles Of Pain"
Resenha - Cycles Of Pain - Angra
Por André Luiz Paiz
Postado em 21 de dezembro de 2023
Nota: 10 ![]()
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Puristas e saudosistas certamente irão me apedrejar. Mas, é inegável a qualidade de "Cycles Of Pain". Não gosto de comparações, mas dá tranquilamente para colocar a concorrência no bolso. Vamos então falar sobre o novo Angra, agora estável, criativo e em perfeita harmonia.
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Mesmo com o grande sucesso de "OMNI", muitos ainda torceram o nariz para o direcionamento mais progressivo do Angra, insistindo na repetição do que foi feito no passado. Querendo seguir adiante e certo de suas convicções, o grupo acertou em cheio em manter sua proposta em seu novo trabalho, ajustando ainda mais os parâmetros e brilhando como nunca. "Cycles Of Pain" lida majoritariamente com a dor, seja do processo e desafios desses mais de trinta anos de carreira ou das nossas dores da vida, sejam elas quaisquer. Não podemos esquecer que muitos artistas atravessaram o caminho das pedras da pandemia do coronavírus e transformaram isso em inspiração para compor, mesmo tendo saído do pior cheios de cicatrizes. Tudo isso foi canalizado aqui.
A produção é novamente de Dennis Ward e a banda criou praticamente todo o material em conjunto. São doze faixas do qual é possível notar a dedicação de seus criadores em cada nota executada. O disco flui maravilhosamente, alternando entre o power, o prog e a pitada extra de música brasileira/indígena que acompanha a banda desde os primórdios. Se o entrosamento é notável e a execução é primorosa, uma figura se sobressai: Fabio Lione. O que esse cidadão fez aqui é simplesmente brilhante, fazendo juz ao protagonismo absoluto nos vocais - algo que considero justo e correto - e usando um leque invejável de técnicas. Me arrisco a dizer que é o melhor trabalho de sua carreira. Seus admiradores sabem o quanto foi difícil substituir os vocalistas anteriores e lidar com o preconceito injusto de muitos.
Agora, vamos falar um pouco sobre o tracklist e as participações especiais. É impressionante como "Ride Into The Storm" cresceu na audição completa do disco. Poderosa, rápida, pesada e lançada como single, é um grande cartão de visitas após a introdução. Neste quesito, "Dead Man On Display" e principalmente "Gods Of The World" merecem a menção. Lenine deu todo o tempero necessário para a magnífica "Vida Seca" e a doce voz de Vanessa Moreno abrilhantou ainda mais "Here In The Now". Há inclusive uma versão bônus que a traz cantando a faixa toda. Amanda Somerville emociona em "Tears of Blood", balada de encerramento que também traz Lione exibindo suas habilidades operísticas. É mais uma faixa que ganhou releitura, em uma versão speed que conta com solo de Kiko Loureiro e participação vocal de Fernanda Lira. A vocalista do Crypta também divide os vocais de apoio de "Ride Into The Storm" com Nando Fernandes. Ainda sobre "Tears Of Blood", versões distintas foram concebidas diante de uma insegurança da banda sobre qual caminho seguir com a composição. Para mim, a que entrou no tracklist oficial foi a correta. Por fim, impossível não mencionar, das faixas que dão equilíbrio ao disco, as lindíssimas "Tides Of Changes" e "Faithless Sanctuary".
É fato, o Angra está em sua melhor fase e isso é nítido ao ouvir, curtir e degustar "Cycles Of Pain", um disco brilhante e que facilmente está no top 3 da banda. A briga com "Rebirth" é acirradíssima e tenho minhas dúvidas. Só não consigo de jeito nenhum tirar "Angels Cry" do topo, mas aí é a humilde opinião do autor. Top 5? Coloco "Holy Land" e "Temple Of Shadows" na salada.
Faltou fazer uma merecida menção a Rafael Bittencourt, que lutou por décadas para manter a banda viva e hoje pode se dar o luxo de relaxar e aproveitar a conquista de um grande disco, reconhecimento e uma formação estável, além da companhia de músicos talentosos, de bom caráter e verdadeiros amigos.
Vida longa ao Angra!
Faixas:
1 Cyclus Doloris
2 Ride Into The Storm
3 Dead Man On Display
4 Tide Of Changes - Part I
5 Tide Of Changes - Part II
6 Vida Seca
7 Gods Of The World
8 Cycles Of Pain
9 Faithless Sanctuary
10 Here In The Now
11 Generation Warriors
12 Tears Of Blood
Informações técnicas (Wikipedia)
Banda:
Fabio Lione - vocal
Rafael Bittencourt - guitarra, violão, vocais de apoio; arranjos de teclados e cordas; coros e arranjos de coro
Marcelo Barbosa - guitarra, violão
Felipe Andreolli - baixo, guitarra (faixas 2, 3, 5, 6, 9, 11) e coro (faixa 2)
Bruno Valverde - bateria, percussão (faixas 6,8,9 e 10) e coro (faixa 2)
Participações:
Amanda Somerville - em "Tears of Blood"[8]
Lenine - em "Vida Seca""[8]
Vanessa Moreno - em "Tide of Changes - Part II", "Here In The Now" e "Here In The Now (Vanessa Moreno Version)"[7]
Fernanda Lira, Caio MacBeserra, Nando Fernandes May Puertas, Angel Sberse e BJ - coro em "Ride into the Storm
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