Angra faz até fã mais pessimista e exigente dar o braço a torcer no épico "Cycles of Pain"
Resenha - Cycles of Pain - Angra
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de outubro de 2023
Fabio Lione cantando estilo ópera em dueto sinfônico e teatral com Amanda Somerville; Bruno Valverde com blast beat pesadíssimo; o brasileiríssimo Lenine cantando em português versos de poesia bela; Vanessa Moreno em uma balada que não perde para os melhores momentos dos clássicos da Disney e canções focadas no power metal – que é o prato principal e nunca pode ser deixado de lado.
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Esse é o cenário de "Cycles of Pain", disco que consagra de vez a formação com Fabio Lione nos vocais, Marcelo Barbosa e Rafael Bittencourt nas guitarras, Felipe Andreoli no baixo e Bruno Valverde na bateria. Curiosamente, os singles que saíram são as músicas menos impressionantes do tracklist.
Falando sobre os singles iniciais, com versos lentos, "Ride into the Storm" não empolgou. "Tide of Changes – Part II" trouxe um refrão empolgante (felizmente isso se repetiria muito nas músicas do álbum completo) e "Gods of the World" veio com instrumental técnico e veloz, mas ainda sem aquele toque Angra de qualidade.
Para completar o pessimismo, "Dead Man on Display", logo no começo do disco, também não é lá muito inspirada (mesmo com Valverde quebrando tudo e fazendo até blast beat). Depois desses revezes, entretanto, "Cycles of Pain" bota o pé na forma e emenda golaço atrás de golaço. "Vida Seca", com Lenine, acerta em cheio na melodia com tempero brasileiro, que se funde à guitarra pesada.
A música que dá nome ao disco é um épico com teclados, Lione inspirado e promessa de elevar isso tudo à décima potência na hora dos shows. "Faithless Sanctuary", mais progressiva e com diversos momentos, não cai na armadilha da "música para música" e serve como uma excelente ponte para "Here in the Now", uma das melhores do álbum. Aqui temos uma versão com Lione e outra com a cantora Vanessa Moreno. O refrão é um achado, que fica na cabeça e não sai de jeito nenhum. Lembra um pouco as canções de filmes como "Frozen" ou até mesmo "A Pequena Sereia".
Curiosamente, as melhores ficaram para o final. Isso porque "Generation Warriors", décima-primeira faixa, bebe da mesma fonte do power veloz que a banda tanto sabe fazer bem. Discípula de "Running Alone", "Spread Your Fire" e "Black Hearted Soul" (para falar da fase mais recente), traz boa dose de energia.
Por fim, "Tears of Blood" poderia estar perfeitamente num álbum do Nightwish. Sinfônica e interpretativa, Lione e Somerville fizeram um excelente trabalho, mostrando química entre suas vozes. Uma ótima lavação de alma para o fã do Angra que tanto aguardava esse disco.
Outros destaques ficam com o baixo de Andreoli, que mostra por A mais B que técnica elevada não é sinônimo de música engessada e sim de libertação. Munido de recursos, o músico conseguiu entregar o que cada música precisava. Lione surpreendeu principalmente no quesito interpretação ("Tears of Blood" o consagrou aqui). Valverde soube como pintar com verde e amarelo algumas levadas e Barbosa, sempre preciso, não fez as viúvas de Kiko Loureiro se assanharem. O maior destaque de todos? É claro que vai para Rafael Bittencourt e sua força de vontade de manter o Angra sempre amado e idolatrado mundo afora. Agora sob tutela da gravadora gringa Atomic Records, a banda segue levando o Brasil para fora e dando orgulho.
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